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Globo de Ouro 2021 fica marcado por cobranças por mais diversidade

Falta de membros negros na HFPA foi o assunto da noite, que teve Netflix como grande vencedora

Natalia Engler
28.02.2021
21h21
Atualizada em
01.03.2021
02h10
Atualizada em 01.03.2021 às 02h10

Em uma noite que tinha tudo para ser das menos memoráveis na história das premiações hollywoodianas, em que a falta de uma plateia cheia para rir das piadas se fez muito sentida, um tema dominou o Globo de Ouro 2021: diversidade - ou a falta dela.

As discussões começaram antes mesmo da premiação, na sexta-feira (26), quando inúmeras estrelas se juntaram ao movimento Time’s Up para apontar o fato de que a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) não tem nenhum membro negro entre os 87 jornalistas associados - há 20 anos. Nomes como Jennifer Aniston, Ava DuVernay, Judd Apatow, Kerry Washington, J.J. Abrams, Damon Lindelof e Shonda Rhimes apontaram em suas redes este fato e também a ausência de histórias negras entre os indicados a melhor filme, em um ano que teve filmes como Destacamento Blood, Judas e o Messias Negro, A Voz Suprema do Blues e Uma Noite em Miami.

O elefante na sala foi abordado logo no discurso de abertura das apresentadoras Amy Poehler e Tina Fey (que comandaram a festa de Los Angeles e Nova York, respectivamente, numa adaptação para tempos de pandemia).

“Olha, um monte de lixo chamativo foi indicado. Isso acontece, é o que eles fazem. Mas muitos atores negros e projetos centrados em histórias negras foram ignorados”, apontou Poehler. Fey completou dizendo que premiações são “estúpidas”, mas que “mesmo com coisas estúpidas, inclusão importa, e não há membros negros na Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Eu entendo, talvez vocês não tenham recebido o memorando porque seu escritório fica nos fundos de um McDonald’s francês, mas vocês têm que mudar isso”.

Essa falta de diversidade foi lembrada em inúmeros momentos da premiação, que se esforçou para deixar claro que reconhecia o problema, mas talvez o mais marcante deles tenha sido o discurso de Jane Fonda, premiada com o troféu Cecil B. De Mille pelo conjunto de sua carreira. Lembrando o papel importante dos contadores de história em momentos de crise como o que passamos, ela afirmou: “Tem uma história sobre nós mesmos que temos tido medo de ouvir nesta indústria. Vamos todos, incluindo os grupos que decidem quem merece reconhecimento, fazer um esforço para expandir esse espaço para que todos se elevem, para que as histórias de todos tenham chances de serem ouvidas. Sejamos líderes”.

Lembrando o quanto o cinema nos ajuda a sentir empatia pelos outros, Fonda citou vários indicados da noite - Judas e o Messias Negro, Uma Noite em Miami, Minari - além de I May Destroy You, série criada por Michaela Coel considerada uma ausência injustificada entre os concorrentes ao Globo de Ouro de melhor série de drama.

Em certa medida, os premiados da noite acabaram refletindo essa preocupação. Chloé Zhao se tornou a primeira mulher asiática a levar o prêmio de melhor direção de filme, por Nomadland - que também venceu como melhor filme de drama, principal categoria de cinema, e sai fortalecido para o Oscar - e três das seis categorias de atuação em cinema ficaram com atores negros - Chadwick Boseman (melhor ator de drama), Andra Day (melhor atriz de drama) e Daniel Kaluuya (melhor ator coadjuvante). John Boyega levou ainda o prêmio de melhor ator coadjuvante de série por Small Axe.

Principais premiados

As discussões sobre diversidade quase ofuscaram o fato de que a Netflix manteve o domínio que havia conquistado em número de indicações e saiu com nove troféus, puxados pelos quatro de The Crown, que levou todas as categorias em que concorreu - melhor série de drama, melhor atriz de drama (Emma Corrin), melhor ator de drama (Josh O'Connor) e melhor atriz coadjuvante de TV (Gillian Anderson).

Se entre os filmes de drama o destaque foi Nomadland, Borat: Fita de Cinema Seguinte, da Amazon Prime Video, se saiu bem do lado das comédias e musicais, ficando com o troféu de melhor produção e melhor ator (Sacha Baron Cohen) dentro desses gêneros.

Outro momento marcante do Globo de Ouro 2021 foi o prêmio póstumo de melhor ator de filme de drama para Chadwick Boseman por A Voz Suprema do Blues, recebido pela esposa do ator com um discurso muito emocionado.

Confira baixo a lista completa de vencedores:

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