Mark Ruffalo em I Know This Much Is True/HBO

Créditos da imagem: HBO/Divulgação

Séries e TV

Crítica

I Know This Much Is True

Minissérie da HBO se apoia em atuação de Mark Ruffalo para falar de traumas e família de maneira realista e agonizante

Nicolaos Garófalo
16.06.2020
19h11
Atualizada em
16.06.2020
19h21
Atualizada em 16.06.2020 às 19h21

Uma das emissoras mais audaciosas da atualidade, a HBO se tornou sinônimo de qualidade televisiva ao levar, ano após ano, séries originais a vitórias nas mais importantes premiações do setor. Além de colecionar troféus e elogios por séries como Família Soprano, Game of Thrones e Veep, o canal também é reconhecido pela qualidade cinematográfica que proporciona às suas minisséries, como Watchmen e Chernobyl. I Know This Much Is True, adaptação do livro de Wally Lamb, mantém o padrão de qualidade e atenção que a emissora exige de suas produções originais em uma história que aborda alguns temas delicados.

Estrelada por Mark Ruffalo, a minissérie conta a história de Dominic, um pintor divorciado que, após passar por alguns anos difíceis, precisa tomar conta de Thomas, seu irmão gêmeo que, em um surto causado por sua esquizofrenia, corta a própria mão em uma biblioteca. Após anos vivendo o Hulk do MCU, o ator se desvencilha completamente do herói em sua interpretação dos gêmeos e lidera a produção ao expor cada trauma vivido pelos irmãos.

Diferentemente de outras séries originais da HBO, I Know This Much Is True não traz uma narrativa dinâmica com grandes acontecimentos. A trama, baseada nos relacionamentos de Dominic com o irmão, o padrasto, a mãe e a ex-mulher, é desenvolvida vagarosamente ao longo dos seis episódios da minissérie. Embora o ritmo lento dos episódios possa afastar alguns espectadores, ele é essencial para o desenvolvimento do protagonista e da sensação agonizante que ele sente ao narrar suas memórias traumáticas.

Das agressões que Dominic e Thomas sofriam do padrasto, Ray (John Procaccino), na infância, ao seu conturbado divórcio de Dessa (Kathryn Hahn), a minissérie explora cada detalhe da conturbada vida do protagonista e como sua reação afetou as pessoas ao seu redor. Diretor da minissérie, Derek Cianfrance usa momentos silenciosos e tomadas longas para criar cenas que, embora não tragam nada particularmente perturbador, embrulham o estômago e cansam psicologicamente o público.

Enquanto os atores traduzem brilhantemente a melancolia do roteiro de Cianfrance e Wally Lamb, a fotografia e a trilha sonora ajudam a criar o clima pessimista e triste da história. Muito bem executada, a produção tem uma qualidade incontestável e o cuidado do elenco e da equipe é percebido em cada tomada. Visualmente bonitos e com histórias sólidas, os episódios não pareceriam fora de lugar se fossem exibidos em salas de cinema.

Mesmo com atuações marcantes de seu elenco principal e um roteiro bem escrito, a minissérie sofre com a falta de alívio cômico e ou cenas de felicidade. Ao longo dos seis capítulos, o público é bombardeado por notícias ruins, que vão de traições a acidentes de carro, sem tempo para computar devidamente as emoções entre uma cena e outra. Pesada, a minissérie causa um desconforto perceptível que praticamente obriga quem a assiste a pausar os episódios para retomar o fôlego.

Paradoxalmente, essa sequência de acontecimentos infelizes prende o espectador à história. Com uma narrativa depressivamente realista, I Know This Much Is True desafia o espectador a não se afastar ao testemunhar a triste sequência de acontecimentos na vida de Dominic. É difícil não desejar que algo bom finalmente aconteça a Dominic ou não sentir pena quando Thomas é internado contra sua vontade em um hospital psiquiátrico. Mesmo que a melancolia domine a minissérie, é a esperança por um final feliz que envolve público e o ajuda a chegar ao fim da história narrada pelo protagonista.

Boa candidato da HBO para a temporada de premiações, I Know This Much Is True não é uma simples sessão de entretenimento. Mesmo sendo psicologicamente cansativa, a minissérie é uma experiência interessante para qualquer fã das produções originais do canal e extremamente gratificante de assistir pelo trabalho de seu elenco principal. Transbordando sentimento, a produção é um dos melhores trabalhos da carreira de Mark Ruffalo e um início promissor na trajetória de Derek Cianfrance na televisão.

Nota do Crítico
Ótimo