Leia a crítica da 1ª Temporada de Emily em Paris

Créditos da imagem: Divulgação/Netflix

Netflix

Crítica

Emily em Paris - 1ª temporada

Apesar de superficialidade aconchegante, série estrelada por Lily Collins cansa com sua protagonista irritante e problemas vazios

Mariana Canhisares
12.10.2020
17h20

Mudar-se para um lugar com uma cultura bem diferente da sua pode ser um desafio, mesmo que a cidade em questão seja a apaixonante Paris. Mas se você tem um vizinho gato para te fazer companhia e um guarda-roupa de fazer inveja a qualquer it girl, tudo fica mais fácil. Esta é a nova realidade da protagonista de Emily em Paris, a nova série do criador de Sex and the City Darren Star. Recém-chegada à capital francesa, ela precisa contornar os muitos conflitos culturais para conquistar seus novos colegas de trabalho e, quem sabe, viver um ou outro romance pelo caminho.

Com uma premissa como essa, é inevitável não esperar aquela superficialidade aconchegante que só as séries ditas “fúteis” são capazes de oferecer, isto é, uma experiência despreocupada, o entretenimento na sua forma mais pura. No entanto, ainda que Emily em Paris traga todos os elementos desejados em uma produção leve e divertida, o novo seriado da Netflix é preguiçoso. Além de não trazer nada de muito original à tradicional trama do peixe fora d’água, ele não apresenta problemas significativos para mover a jornada da sua personagem principal. Todo e qualquer obstáculo se torna banal diante de Emily porque ela é, em última instância, perfeita.

Não há momento ruim para a especialista em marketing vivida por Lily Collins. Apesar dos longos dias de trabalho, sempre envolvendo a resistência e teimosia dos colegas franceses, os muitos caprichos dos seus clientes e alguma cantada desnecessária, Emily está sempre sorrindo, com maquiagem e figurino impecáveis, e com uma determinação inabalável de fazer com que todos gostem dela.

Embora seja por vezes irritante, essa postura não necessariamente é um problema. A Rory, em Gilmore Girls, também era perfeita e a gente a aceitou - mesmo ela lendo todos os clássicos, dando conta da enorme pilha de deveres e tendo tempo para sair com os amigos, os namorados e a família. Tudo isso ainda sendo linda. Há, porém, uma diferença substancial entre as duas personagens: enquanto Rory cometia erros e, portanto, aprendia lições, Emily é geralmente vítima da situação. Se ela não leva a culpa pela dureza irracional da sua chefe ou de um cliente, ela é levada a um deslize por pura ignorância. No fundo, o máximo que a personagem de Collins aprende são algumas palavras em francês. Até porque ela tem a resposta para tudo, principalmente quando o assunto é trabalho. Logo, é difícil não se entediar com seus dramas, ainda mais quando comparados com os problemas de verdade que alguns dos coadjuvantes enfrentam, bem mais interessantes e relacionáveis. Se não há risco, nem gravidade na situação, por que me importar?

Essa é uma questão mais incômoda sobretudo no início da temporada, quando a série está apresentando seus personagens e os conflitos que conduzirá a temporada. Porém, a partir do momento que se estabelece o triângulo amoroso, Emily em Paris encontra sua fórmula e os episódios, além de ganharem ritmo, ficam mais envolventes. Tanto Gabriel (Lucas Bravo), quanto Camille (Camille Razat) são encantadores, o que garante mais carisma e substância para a história. Mindy (Ashley Park) também traz contribuições neste sentido por funcionar como um diabinho, incentivando a social media a assumir algum tipo de risco. Mas nem isso é capaz de tirar a sensação de que o seriado poderia ser bem melhor.

A preguiça em Emily em Paris é tamanha que os franceses são, em sua maioria, tratados como estereótipos e não há o menor esforço ou mesmo repertório para justificar por que a personagem de Collins é uma especialista em marketing - convenhamos, ela é péssima em redes sociais. Em resumo, a série mirou na superficialidade divertida, mas acabou esvaziando as experiências e a própria evolução da sua protagonista.

É claro que ela ainda pode entreter. Além de episódios curtos e uma trama inegavelmente leve, Emily em Paris brilha quando o assunto é o figurino - esse definitivamente não decepciona. É, talvez não valha ficar pela personalidade de Emily, mas mal não vai fazer conferir a série pelo seu guarda-roupa.

Nota do Crítico
Regular

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