Enquanto Isso | Eisner não é Oscar

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Enquanto Isso | Eisner não é Oscar

E quem liga pro Eisner? Mais: NFTs, Yang, aniversários, uma página, uma capa

Érico Assis
11.06.2021
15h59
Atualizada em
11.06.2021
16h53
Atualizada em 11.06.2021 às 16h53

Os indicados ao Prêmio Eisner de 2021 foram anunciados esta semana. E, como sempre acontece, você vê por aí matérias falando no “Oscar dos quadrinhos”. Oras. O Oscar que é o Eisner do cinema.

O podcast HQ Sem Roteiro já implicou com o aposto “o Oscar dos quadrinhos” em um episódio inteiro. É uma muleta para quem nunca ouviu falar do Eisner e que, de fato, cansa. As proporções da grande premiação de quadrinhos dos EUA e da grande premiação do cinema dos EUA são bem diferentes e refletem o tamanho das indústrias que elas premiam, assim como o alcance que elas têm. O Eisner nunca deve chegar às proporções do Oscar. Melhor assim.

“Department of Truth”, série líder de indicações ao Eisner 2021

Acompanho os indicados ao Eisner, lendo toda a lista com atenção – traduzi a lista algumas vezes aqui no Omelete – há mais de vinte anos. O que sempre me marcou nos indicados é o quanto a lista faz uma crítica à indústria do quadrinho norte-americano e ajuda a mesma indústria.

Começa pelo nome. Will Eisner (1917-2005) tinha um pé na indústria que ajudou a fundar e um pé atrás, produzindo graphic novels que, na sua concepção, fariam os quadrinhos deixarem de ser só o gueto que a indústria estimulava (e estimula). E ele influenciou o funcionamento do prêmio, como a formação do painel de julgadores.

A cada ano, o Eisner tem seis julgadores. Geralmente são: um(a) lojista da área, um(a) acadêmico(a) da área, um(a) jornalista da área, um(a) quadrinista, um(a) bibliotecário(a) e alguém da organização da San Diego Comic Con. São eles que montam a lista de indicados, a partir dos gibis que as editoras mandam para concorrer a cada categoria. A inscrição é gratuita.

A votação é popular. Qualquer integrante da indústria de quadrinhos norte-americana pode inscrever-se como votante do Eisner. Mas as opções de voto refletem uma linha de pensamento de quem trabalha, pesquisa e acompanha leitores de HQ: o mercado tem que se renovar.

"Now", da Fantagraphics, com duas indicações

Não é um prêmio das grandes editoras, embora elas estejam lá. Marvel e DC são 62% do mercado direto, mas, juntas, têm só 15% das indicações no Eisner – incluindo as que compartilham com outras editoras (tipo um “melhor desenhista” que trabalha para mais de uma editora).

A Image Comics, 10% do mercado direto, tem mais menções que Marvel e DC juntas. A Fantagraphics, cuja participação no mercado direto mal é contada, lidera em número de indicações, com 19.

Claro que, em se tratando do mercado direto, o das comic shops, Marvel e DC são rainhas. A outra metade do mercado de HQ de EUA, nas livrarias, é mais receptiva aos encadernados da Image e às belas coleções e graphic novels da Fantagraphics – mesmo que as livrarias também vendam um monte de Marvel e DC.

Em 33 anos, o Eisner pulou de 11 categorias para as 32 atuais, mas os indicados ainda se fecham num recorte homogêneo de uns 200 quadrinhos entre os mais de 5 mil que se publica todo ano nos EUA. Nesse recorte, o quadrinho tem não só que ser bom, mas mostrar qualidade de produção, preferencialmente tem que se abrir para várias faixas etárias e não pode se fechar em um gênero só, como dos super-heróis.

“O critério primordial para indicações deve ser a qualidade geral”, lê-se nas orientações gerais do Eisner. “Popularidade e vendas não podem ser fator na seleção de indicados.”

A série mais discutida no quadrinho norte-americano, dos X-Men (Marvel), está lá. É representada pela indicação de Jonathan Hickman a melhor escritor… embora sua indicação mencione primeiro Decorum, um trabalho autoral na Image (também concorrente a melhor série fechada).

Batman (DC), que está sempre entre as mais vendidas, também aparece graças à indicação de James Tynion IV a melhor escritor… mas Tynion concorre, a bem da verdade, pelas outras quatro séries autorais que produz em outras editoras: Department of Truth, Something Is Killing the Children, Truth Razorblades.

Quem é o autor com mais indicações? Gene Luen Yang, o roteirista e desenhista que tem um pé fincado no mercado das livrarias – sua graphic novel Dragon Hoops tem três indicações – e outro nos super-heróis. Além de concorrer pela mini Superman Smashes the Klan (junto a Gurihiru), ele é o escritor atual de Superman/Batman na DC e terminou há pouco tempo uma mini de Shang Chi na Marvel.

Hickman, Tynion IV e Yang são boas representações dessa relação do Eisner com a indústria e da indústria com o Eisner. O prêmio tem preferência pelo trabalho autoral, a “vanguarda” do quadrinho dos EUA, mais do que pelos personagens e editoras de sucesso comercial. Mas as editoras e, digamos assim, os personagens correm atrás desse tipo de autor para ganhar algum prestígio e renovação. O Eisner não curte premiar super-heróis, mas os super-heróis se alimentam de prêmios Eisner.

Pode ser apenas um indicativo de que os autores dos EUA têm que trabalhar pra cacete para pagar as contas, dividindo-se entre vagas na grande indústria e no retorno incerto da produção autoral. Mas também é indicativo de que a indústria consegue absorver talento e que quem dita quem tem talento é, em parte, o Prêmio Eisner.

“When Star Are Scattered”, concorrente a melhor quadrinho de memórias

Foi Eisner, Will, quem definiu que o Eisner, Prêmio, precisava ter bibliotecários no painel de julgadores. Comics shops e livrarias são os pontos de difusão mais comentados dos quadrinhos nos EUA, mas as bibliotecas têm uma importância que é difícil de entender daqui – pois não temos uma cultura de biblioteca equivalente no Brasil.

As boas bibliotecas de lá são bem abastecidas de lançamentos em HQ. Há editoras voltadas para atender as faixas etárias que mais frequentam bibliotecas e em contato com as bibliotecas. Em função das bibliotecas, não só se tem mais leitura dos gibis, mas os livros mais retirados também sobem entre os mais vendidos nas livrarias.

Desde que as bibliotecárias entraram entre os julgadores, em 2005, o prêmio ganhou categorias que têm relação direta com os leitores que elas atendem. "Melhor publicação para crianças" e "melhor publicação para adolescentes" surgiram em 2008; "melhor publicação para primeiros leitores (até 8 anos)", veio em 2012, assim como "melhor obra acadêmica".

Este ano, a categoria “melhor obra baseada em fatos” – que em 2007 se desmembrou de “melhor álbum gráfico” para reconhecer a quantidade de autobiografias ou equivalentes – foi desmembrada mais uma vez em “melhor quadrinho de memórias”, para diferenciar as autobiografias de trabalhos jornalísticos, históricos ou outros. É uma organização de biblioteca.

Nesse tempo em que eu acompanho os indicados ao Eisner, mesmo antes da influência das bibliotecárias, eu já percebia esta vontade de prestigiar o quadrinho para leitores de menos idade – o quadrinho infantil e adolescente que fugisse do super-herói dominante.

Não é só para fugir do tradicional – nem só para alimentar o tradicional, como propus acima. É uma decisão sensata comercialmente: sem novos leitores, a indústria não vai se renovar e corre para a extinção. É inteligente que o Eisner diga que a vanguarda dos quadrinhos esteja no que for melhor para os leitores de menor idade.

Entra aí também a noção de publicar obras estrangeiras, que o mercado norte-americano ainda reluta em aceitar. O Eisner só criou uma categoria de melhor edição de material estrangeiro em 1998, reconhecendo a força dos mangás (os cinco primeiros premiados da categoria foram mangás).

Além de as ondas de mangá não terem amainado – e gerado uma subcategoria, a de "melhor edição de material estrangeiro: Ásia" –, a entrada do quadrinho traduzido com outras origens também transbordou para outras categorias.

O argentino Decur concorre não só em material estrangeiro, mas também na categoria de melhor pintor/artista multimídia. Pascal Jousselin, de Imbattable (ou Mister Invincible), concorre com norte-americanos em melhor publicação para crianças e melhor escritor/artista. A Europe Comics, iniciativa franco-belga que financia traduções para o inglês, tem seis menções entre os indicados.

É uma visão mais larga e mais saudável do que os leitores de quadrinhos deviam ler. E o que uma lista de indicados a prêmio deve fazer é isso: no meio de um oceano de publicações, mostrar os pontos onde você pode mergulhar com segurança. Eisner, Will, provavelmente continuaria orgulhoso do Eisner, Prêmio.

QUEM LIGA PRO EISNER?

Foto: Érico Assis

Fui apenas uma vez à entrega do Prêmio Eisner, em 2013. Já bastou para provocar risada toda vez que alguém fala em “Oscar dos quadrinhos”. Apesar de a premiação ser séria, prestigiada e bem organizada, ela não é transmitida para TV nenhuma, nem na internet, e quem vai de smoking ou longo vai só de zoeira. Não tem red carpet.

A premiação acontece no salão de um hotel quase ao lado do centro de eventos da Comic Con de San Diego (o hotel onde eu me hospedei; obrigado, Omelete!). É sempre na sexta-feira à noite: a sexta-feira em que está chegando a San Diego quem não conseguiu se livrar do trabalho antes e a sexta-feira em que tem umas dez festas de Hollywood acontecendo pela cidade.

Grandes figurões das editoras dificilmente comparecem, mesmo porque estão nas festas de estúdio. A maioria dos jornalistas, da mesma forma, está cobrindo pauta que rende mais ou bebendo de graça nas festas. Numa área do salão com umas 50 cadeiras para a imprensa, sentei na primeira fileira porque simplesmente não havia ninguém da segunda fileira para trás.

Foto: Érico Assis

Os autores indicados sentam-se em mesas redondas, de jantar – e se servem num buffet. Metade dos indicados não comparece. Tem figuras que estão quase sempre lá, pelo que me contam, porque quase sempre são indicados: os baixinhos irmãos Hernandez, o fofinho Stan Sakai, as jornalistas Maggie Thompson e Heidi McDonald. Subcelebridades da TV (você sabe quem é John Barrowman?) apresentam os prêmios.

No ano em que eu fui, Neil Gaiman apresentou alguns prêmios e ganhou um beijo na boca de Chip Kidd, naquela hora em que Kidd estava trocando as pernas e ama todo mundo. Kidd recebeu os três prêmios por Chris Ware (por Building Stories), pois Ware provavelmente não botaria os pés em San Diego.

A sensação é de que quem comparece é a turma do “vamos lá, galera, vamos defender os quadrinhos, gibi é massa!”. A galera que segue o espírito de Will Eisner. Tem uma cidade inteira na volta se enchendo de champagne e cerveja – ou varando a noite na fila pra ver o painel da Marvel – e ali, num salão de hotel fechado, se decide os nomes de quem vai dar o gás para as San Diegos de alguns anos pra frente. Quanta gente saber desses nomes? Bem menos que uma plateia do Oscar.

NFTs, O FIM?

Arte de Mike Deodato à venda como NFT

Numa das colunas de abril, falei em NFTs e de como elas podia ser uma nova fonte de renda para quadrinistas. Tinha gente defendendo o novo mercado com unhas e dentes, como Mike Deodato, tinha bastante gente criticando o tal do novo mercado. E o relevante na época era que tinha gente ganhando milhões com NFTs.

Mas a festa durou bem pouco, segundo o site Protos. O mercado atingiu seu ápice no início de maio, quando movimentou US$ 170 milhões em uma semana. Entre final de maio e início de junho, a movimentação foi de US$ 19 milhõesuma queda de quase 90%.

Os sites que vendem NFTs continuam no ar e continuam vendendo. Há quem defenda que é só o mercado se estabilizando depois de um descontrole com a novidade. Ainda há quadrinistas anunciando projetos com NFTs. O mercado ainda vai durar? Não se sabe.

Mas ainda não se falou nada de solução sobre uma das principais críticas às NFTs, que é o consumo absurdo de energia.

YANG

O paulista Walmir Orlandeli tem um dos traços e das produções mais consistentes no quadrinho nacional, com mais de 25 anos de produção e uma pilha de livros. De seis anos para cá, um dos seus focos é o garoto Yang: um moleque meio bronco, mas disposto a aprender sobre as energias que regem o mundo.

“Com uma narrativa cheia de simbologias e filosofias ligadas à cultura oriental, o leitor vai percebendo que essa jornada tem muito a ver com um universo interno, de sentimentos e inquietações”, diz a descrição de Dois Cortes, o terceiro volume de O Mundo de Yang.

Orlandeli começou as histórias de Yang com tiras, mas agora está trabalhando com histórias fechadas a cada volume. Não sabe quantos serão. Yang tem uma história macro já idealizado, que era a intenção de quando pretendia definir volumes. Agora quero explorar histórias com esse universo e avançar devagar nessa história macro”, ele me disse, complementando que já começou o próximo volume.

Dois Cortes entrou em pré-venda este mês, com brindes exclusivos, no site do autor. Dá para comprar os três volumes de Yang – com O Mundo de Yang e Rumo ao Sul – com desconto. Orlandeli também lançou este ano, em março, sua segunda Graphic MSP com Chico Bento: "Verdade".

VIRANDO PÁGINAS

Laerte, nossa maior quadrinista, completou 70 anos ontem. A comemoração maior foi com o lançamento do laerte.art.br, um site com intenção de catalogar toda sua produção. Navegando pelas décadas, dá para conferir mais de uma centena de tiras, mas se espera que venha mais material por aí. “Piratas do Tietê”, “Laertevisão” e outras séries estão mal representadas, assim como suas narrativas mais longas – como o clássico “A Insustentável Leveza do Ser” – nem são citadas. Mas, segundo os responsáveis, vem bastante material para montar um Arquivo Laerte praticamente completo.

Zagor, o personagem clássico da Bonelli criado por Guido Nolitta (pseudônimo de Sergio Bonelli) e Gallieno Ferri, completa 60 anos no dia 15. A Mythos lançou este ano Zagor Nova Série e Zagor Origens, duas coleções novas que seguem a série principal – com mais de 180 edições – e Zagor Especial.

Man of Steel n. 1, a estreia da minissérie em que John Byrne reformulou Superman, completa 35 anos no dia 17. No dia 17 também se completam 25 anos do falecimento de Curt Swan (1920-1996), um dos grandes desenhistas do Super.

A primeiríssima publicação do projeto Batman Black & White aconteceu em junho de 1996, há 25 anos. A minissérie, concebida pelo editor Mark Chiarello, juntou grandes nomes das HQs para inventar histórias do morcegão sem cores. Outros quatro volumes, incluindo a passagem pela série Batman: Gotham Knights, vieram depois. Quase todo esse material vai entrar no Batman Preto & Branco Omnibus, que a Panini lança por aqui no mês que vem.

UMA PÁGINA

Dupla, de Catherine Meurisse, em Les Grands Espaces, minha melhor leitura desta semana. Clique para ampliar e preste atenção na esquerda inferior.

UMA CAPA

De Adrian Tomine, na New Yorker da semana. Chama-se “Easing Back”, algo tipo “Reacostumando-se”. Com sorte, a reacostumação que está rolando no verão dos EUA vai valer para o verão daqui. Tomara.

(o)

Sobre o autor

Érico Assis é jornalista da área de quadrinhos desde que o Omelete era mato e autor do livro Balões de Pensamento.

Sobre a coluna

Toda sexta-feira, virando a página da semana nos quadrinhos. O que aconteceu de mais importante nos universos das HQs nos últimos dias, as novidades que você não notou entre um quadrinho e outro. Também: sugestões de leitura, conversas com autores e autoras, as capas e páginas mais impactantes dos últimos dias e o que rolar de interessante no quadrinho nacional e internacional.

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#41 - Os quadrinhos são fazendinhas

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