Montagem de capas de HQs e livros

Créditos da imagem: Divulgação

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Warren Ellis cancelado, X-Men descomplicado e a versão definitiva de Stan Lee

Um resumo das notícias da semana que importam para quem é fã de histórias em quadrinhos

Érico Assis
17.07.2020
16h18
Atualizada em
18.07.2020
11h19
Atualizada em 18.07.2020 às 11h19

Quem acompanha o Omelete há bastante tempo já sabe: Érico Assis já foi nosso homem LÁ FORA, sabe tudo sobre o que se passa AQUI DENTRO, e agora está de volta para falar toda semana sobre Quadrinhos onde quer que eles estejam. Assim mesmo, com maiúsculas, porque é assim que as HQs serão tratadas neste espaço.

Quer ficar por dentro das novidades, conversas de bastidores e tudo o que importa hoje no mundo das HQs? O Assis te ajuda ;)

SOMOS MUITAS

Foto de Warren Ellis
Michael Buckner/Getty Images via AFP

Um mês depois de estourar, o caso Warren Ellis voltou. Com reforço. Acusado por diversas mulheres de abuso emocional em contatos durante os últimos 20 anos, o escritor britânico (Planetary, Transmetropolitan, Castlevania na Netflix) publicou um texto de desculpas em junho e sumiu das redes.

Não foi suficiente, defendem as mais de 60 mulheres e não-binárias que assinam o So Many of Us, website que entrou no ar esta semana. Com explicação do caso, um FAQ sobre os abusos e relatos, o site quer expor o que aconteceu para que não aconteça de novo. Nem com Ellis, nem com outras mulheres, nem da parte de outros homens.

Segundo os relatos, uma jogada recorrente de Ellis era fazer amizade com uma mulher – geralmente artista, jovem, com intenção de entrar no mercado de quadrinhos ou audiovisual –, dizer que podia ajudar nesse sentido e pedir favores sexuais, como nudes e encontros. Se a pessoa começava a dizer não, Ellis a dispensava. Em alguns casos, partia para o gaslighting: dizer para outros, ou para o mercado, que a pessoa que o dispensou tinha “problemas”.

E, segundo o So Many of Us, Ellis continuou fazendo esse tipo de coisa depois das acusações em junho.

A grande imprensa também noticiou o caso esta semana. Asher Elbein fez uma longa matéria no Daily Beast sobre o histórico de abusos sexuais e emocionais no mercado de quadrinhos, incluindo casos que surgiram ou se reacenderam junto ao de Ellis: Cameron Stewart (roteirista da Batgirl, desenhista de Clube da Luta 2), Jason Latour (roteirista de Gwen-Aranha, desenhista de Southern Bastards), Scott Allie (editor na Dark Horse responsável por Hellboy e Umbrella Academy), Charles Brownstein (presidente do Comic Book Legal Defense Fund).

No Guardian, Sam Thielman conseguiu a única entrevista com Ellis pós-escândalo. O autor diz que não se considerava um predador, que foi um “péssimo amigo” e que, para entender a percepção das acusadoras, talvez busque terapia.

No So Many of Us, as vítimas declaradas dizem que não querem cancelar Ellis. E acham que ele pode mudar, desde que reconheça o que fez e contribua para que o sistema mude.

QUADRINHOS EM ALTA, MERCADO EM BAIXA, EUA EM ALTA

Gráfico da venda de leitura durante a quarentena
Reprodução

Muita gente rodou o trecho do Jornal Hoje de 13 de julho em que, citando uma pesquisa da GfK, diz que “HQs/Comics/Mangas” subiram de 5ª posição nas vendas em livrarias brasileiras para o 2º lugar (atrás de romances, que pularam de 3º para 1º) durante o período da pandemia.

A notícia é legal, não tenha dúvida. Quem acompanha os mais vendidos da Amazon vê com frequência HQs chegarem ao primeiro lugar entre todos os livros.

Mas o dado da GfK que circulou entre o mercado editorial foi diferente: queda de 36,2% no faturamento com livros em maio de 2020, em relação ao mesmo período em 2019.

Ou seja: talvez não tenha mais gente comprando quadrinhos e romance, mas menos gente comprando todas as outras categorias de livros.

E, seguindo a mesma suposição, talvez os leitores de quadrinhos e de romances continuem gastando seu dinheirinho na livraria independente de pandemia.

Dos EUA, boas notícias nesse sentido: saíram os números da Bookscan 2019 e o mercado de quadrinhos em livrarias cresceu 36,4% no ano passado (quase a mesma queda brasileira em maio). Quem movimenta os números são os quadrinhos infantis e infanto-juvenis, como Homem-Cão (no Brasil, pela Companhia das Letrinhas) e Coragem (Intrínseca).

Não é coincidência que a DC já lançou sua coleção de quadrinhos infanto-juvenis em formato de livro – chegando em breve aqui pela Panini, começando por Jovens Titãs: Ravena e Querida Liga da Justiça – e que a Marvel anunciou uma coleção igualzinha junto à maior editora infanto-juvenil dos EUA, a Scholastic. A Marvel começa com Miles Morales: Shock Waves no segundo semestre.

MAYARA & ANNABELLE DIGITAL

Foto de MAYARA & ANNABELLE DIGITAL
Divulgação

Mayara & Annabelle, série independente de Pablo Casado e Talles Rodrigues que já lançou seis volumes via Catarse, vai ser publicada pela Conrad – em digital. A série estrela funcionárias públicas que tocam uma secretaria de combate ao sobrenatural em Fortaleza. É o último título da iniciativa de nacionais digitais anunciado pela nova Conrad.

M&A, mais Echoes, de Eliana Oda, Makai Mail, de Jayson Santos, e Sonhonauta, de Shun Izumi, vão ser publicadas em capítulos semanais. Duo.Tone, de Vitor Cafaggi, e Traje de Rigor, adaptação do conto de Marcos Rey por Gustavo Lambreta, sairão completas. Tudo começa a ser lançado em agosto.

BALÃO

Capa de True Believer: The Rise and Fall of Stan Lee
Divulgação

“Uma biografia que se lê como um suspense, ou como um policial… rigorosamente honesta, contundente pra valer, às vezes de partir o coração.”

As aspas são de Neil Gaiman e começam a divulgação de True Believer: The Rise and Fall of Stan Lee, biografia que sai em setembro nos EUA e que quer ser o livro definitivo sobre o velhinho que levou a Marvel a ser o que é. O autor é o jornalista e crítico Abraham Riesman.

CAPA DA SEMANA

Capa de Stranger Adventures
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Strange Adventures n. 3, de Mitch Gerards

NA BANCA OU NA LIVRARIA

Capa de
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X-Men: Grand Design n. 1, de Ed Piskor. O mesmo autor de Hip Hop Genealogia encara o desafio de explicar a história dos X-Men – uma das mais complicadas da cultura pop. O primeiro volume (de três) é em formato avantajado, como os antigos Treasury da Marvel (ou Hip Hop de Piskor). A edição brasileira (120 páginas, R$ 99,90, tradução de Lívia Koeppl) tem introdução exclusiva do Emicida.

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Érico Assis é jornalista da área de quadrinhos desde que o Omelete era mato.

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