Enquanto Isso | A Fazendinha Guará

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Enquanto Isso | A Fazendinha Guará

Mais: o bolo da Marvel, o Grand Prix de Angoulême, Dagobert, Dantas e Mais Nada

Érico Assis
04.06.2021
17h19
Atualizada em
05.06.2021
16h58
Atualizada em 05.06.2021 às 16h58

 “Acho que mais difícil que aceitar que um homem pode voar é aceitar que um homem pode voar no Brasil.”

A frase vem de Cidadão Incomum, com roteiro e arte de Pedro Ivo. Está no Almanaque Guará n. 1, lançado no mês passado. Na trama, o paulistano Caliel ganha superpoderes e começa a enfrentar o crime na maior cidade do Brasil.

Página de “Cidadão Incomum”, de Pedro Ivo

Cidadão Incomum está encaminhado para a TV, em seriado pela produtora O2Fernando Meirelles (Cidade de Deus, Dois Papas) está envolvido diretamente, segundo a editora Universo Guará. Do mesmo AlmanaqueSanto– uma espécie de detetive do sobrenatural que pega casos ligados a crenças brasileiras (roteiro de Alex Mir, arte de Dilacerda Mateus Manhanini)– também está em desenvolvimento, na produtora Glaz (Loucas para Casar, Tô Ryca, Vida de Estagiário).

Pérola – uma jovem prostituta que se envolve no universo da política (roteiro de Gabriel Wainer e Kika Hamaoui, arte de PJ Kaiowá, cores de Alzir Alves); – e Os Desviantes – sobre a guerra entre as elites das Fortalezas e a Resistência em um Brasil pós-apocalíptico (roteiro de Rafa Kraus e Gabriel Wainer, desenhos de Juliano Henrique) – também estão em desenvolvimento na Glaz. Sangue Quente – sobre vampiros no Rio de Janeiro (roteiro de Osmarco Valadão, desenhos de Juliana Moon e Gabriel Jardim, cores de Renata Nolasco) – está com a TX Filmes.

E é só o começo de um plano maior, segundo Gabriel Wainer, roteirista de algum dos projetos acima e diretor da Guará. A editora estreou em 2019 nos quadrinhos como Guará Entretenimento, teve tanto sucesso de vendas quanto uma decepção crítica, e se reinventou no ano passado como Universo Guará. A intenção continua a mesma: produzir quadrinho brasileiro que possa se expandir para cinema, TV e games.

Arte de “Santo”, por Dilacerda e Mateus Manhanini

Wainer, carioca, 37 anos, tem um currículo peculiar. Começa pelos genes. Seu avô, o russo-brasileiro Samuel Wainer (1910-1980), foi um dos nomes mais importantes da imprensa brasileira, fundador do jornal Última Hora. Sua avó é a escritora Danuza Leão. Seu pai, o diretor e produtor Bruno Wainer, o levou para os bastidores do cinema – “nasci no set de Quilombo, do Cacá Diegues”, ele conta. Gabriel também foi ator: fez duas temporadas de Malhação e passou por novelas.

Cresceu com quadrinhos, largou os quadrinhos, depois voltou para os quadrinhos. “Li muito Asterix, Tintim, Mafalda, muita Turma da Mônica. Nunca fui muito de quadrinhos de super-herói.Me encantei mais tarde, no final da adolescência, com as obras de Crumb, as reportagens de Joe Sacco, Mutarelli, os mangás.”

Na volta, viu um potencial que considera pouco explorado no quadrinho brasileiro: o que ele chama de “mercado de conteúdo”. Aliás, ele veio conversar comigo por conta de uma das colunas anteriores, em que eu falei dos quadrinhos como fazendinhas de jabuticabas – de como as HQs, em mercados como os EUA, abastecem o mercado audiovisual.

“Temos muito quadrinista bom produzindo [no Brasil], mas a cena é desorganizada”, diz Wainer. Os roteiristas são supertalentosos, artisticamente muito mais pulsantes do que os roteiristas de cinema. Wagner WillianJoão PinheiroBianca PinheiroRafael Campos Rocha são todos grandes roteiristas, além de quadrinistas. Agora imagina essa galera toda dentro de uma CCXP? É muito talento, ainda muito desorganizado. E o quadrinho é muito barato de produzir. E é isso que precisa: investir nos talentos, nos projetos editoriais, na produção de conteúdo nacional, na distribuição.”

Arte de "Pérola", de PJ Kaiowá e Alzir Alves

Wainer quer investir nos quadrinhos pensando em três pontos: organização, continuidade e preço. Reclama que, apesar da qualidade da HQ brasileira, a falta de periodicidade – “personagens que aparecem agora e reaparecem em dois anos” – prejudica os projetos.

Ele está acumulando material há algum tempo, e já lança em quantidade. Só no segundo semestre de 2020, a Guará lançou 32 quadrinhos inéditos. Vários deles estampavam na capa a chamada “preço de gibi”: todos custavam R$ 6.

A investida atual da editora, o Almanaque Guará, reúne quatro histórias por edição a R$ 29,90 (com opções mais baratas em assinatura semestral ou anual). “As obras nunca vão virar do jeito que precisam se custarem 50 pratas”, diz o editor. A inspiração, embora as proporções sejam bem mais modestas, é o almanaque japonês Shonen Jump.

Quanto à organização, atualmente a Guará está envolvida com aproximadamente 35 quadrinistas, entre gente de roteiro, desenho, arte-final, cores e letras. “Toda sexta nos reunimos para avaliar os trabalhos em conjunto e entregar as demandas da semana”, ele diz. “É um processo lindo, de criação artística intensa.”

Arte de “Ecos”, de Raphael Pinheiro, P.R. Soliver e Victor Wiedergrün

Quem coordena o Time Guará é Raphael Pinheiro, quadrinista (Salto, Silas, Mesa 44) e professor de quadrinhos. “Eu e o Gabriel estávamos conversando numa mesa de bar, como quase todas as conversas importantes da minha vida”, Pinheiro me contou por e-mail, “ele viu que eu já estava coordenando equipes de artistas e me convidou.”

Grande parte dos quadrinistas é gente nova no mercado, em alguns casos alunos do próprio Pinheiro – que assina a arte de Ecos, outra série no Almanaque Guará, com roteiro de Lauro Kociuba, arte-final de P.R. Soliver, cores de Victor Wiedergrün e letras de Ananda Valle.

“Estamos tentando criar um ritmo industrial de produção, com reuniões semanais e relatórios de produção também”, ele conta. Quanto a trabalhar como estreantes, ele explica que “como muitos artistas mais cascudos nasceram e cresceram indies, trabalhando no seu próprio ritmo e do seu próprio jeito, sinto que é bem mais fácil ensinar nosso método de trabalho pra quem está começando do que pra quem já tem vícios de produção.”

Pinheiro também ressalta que está entusiasmado com o entrosamento da equipe nas reuniões de sexta-feira.

“Mesmo quando a galera não está mais nesses encontros, continuam bebendo juntos nos ‘afters’ virtuais que eles promovem. Uma das coisas mais legais desse contato direto entre as equipes é que todo mundo se sente parte desse time Guará, pra além de só um trabalho, sabe? A galera fica virando a noite na internet bebendo junto depois das reuniões. Eu tentei acompanhar, mas já tá fora do meu controle...”

A capa do Almanaque Guará 3, por Daniel HDR e Renan Lino

Rapha Pinheiro embarcou na Guará depois que Gabriel Wainer encerrou a sociedade com Luciano Cunha, o autor polêmico de O Doutrinador. O quadrinho, que virou filme em 2018 e seriado em 2019 – com participação de Wainer no roteiro –, e as declarações de Cunha tomaram rumos que Gabriel não previa.

“Na ânsia de fazer um filme que mostrasse o descontentamento político, vendemos muito rápido”, diz Wainer. “O autor se dizia um moderado e virou uma olavista.”

A editora tinha só um ano de vida, mas, encerrada a parceria com Cunha, Wainer resolveu dar uma guinada no posicionamento e na identidade visual depois do que chama de “projeto infeliz”.

“Claro que é uma marca que sempre estará lá”, diz Raphael Pinheiro. “Felizmente, a sensação que tenho quando falo com as pessoas da Guará é que a imagem que vem na mente é do que fazemos agora e não do anti-herói protofascista de antes.”

Uma das marcas da guinada foi a publicação de Kriança-Índia, material até então independente de Rafael Campos Rocha (dividindo os desenhos com Álvaro Maia) que traz uma heroína indígena massacrando figuras da extrema-direita brasileira. Kriança ganhou uma coletânea das primeiras histórias, com lançamento previsto para este mês.

“Acho que o Gabriel está legitimamente entusiasmado com a Kriança Índia, ainda mais com os indígenas apoiando e lendo”, diz Campos Rocha, apesar de dizer que não concorda com outros personagens da editora. “Herói colorido voador é coisa de americano. Assim como samba é de brasileiro. Brasileiro fazendo gibi de herói parece gringo tocando pandeiro.”

“Estamos com um ano e meio de quadrinhos já produzidos, adiantados, seis filmes em desenvolvimento”, diz Gabriel Wainer. “E entre nós e o outro lado [a expansão para o audiovisual] tem… o Brasil.”

Ele cita o “desmonte da cultura”, com a queda de investimentos e os cortes de benefícios que o governo federal promove atualmente, como um entrave para os planos. Mas há ideias.

“No começo do projeto da Guará, fui à Ancine com o então presidente Christian de Castro pleitear que quadrinhos pudessem ser desenvolvidos com alguma parte do orçamento de filmes. Ele adorou a ideia.” Castro saiu da Agência Nacional do Cinema em 2019 e o órgão federal está reestruturando o investimento do governo no audiovisual. Se a ideia de Wainer superasse este e outros entraves, ele diz, “teríamos a produção de uns 150-200 quadrinhos novos por ano. No mínimo seria um excelente material de divulgação dos filmes.”

Por enquanto, ele investe no Almanaque Guará e em projetos pontuais com autores da casa e tratativas com outros. Espetaculare Meneghetti, de Kash Fyre – a história real de um ladrão que assaltava mansões no início do século 20 em São Paulo – saiu como graphic novel no início de 2021 “e daria um ótimo filme”, diz Wainer. Teocrasília, de Denis Mello” – que ganha reedição em breve - “daria uma ótima série". Já Kriança Índia "daria um ótimo anime.”

Vem aí Djou, um projeto de Flávia Lins e Silva, autora de Detetives do Prédio Azul, junto a Renata Richard, com adaptação de Cora Ottoni, Leo Finocchi Lola de Nuncio (você confere a capa em primeira mão logo abaixo). E mais: Solo, de Dan Borges, além de um romance distópico do jornalista Ronaldo Pelli.

Arte de "Djou", por Leo Finocchi e Lola de Nuncio

Wainer também garante que tem contratos de reparte sadio da renda com os autores, evitando notícias futuras sobre reparte injusto bolo - como se ouve de autores da Marvel e da DC.

“Durante a pandemia, criei uma política de dar 80% dos royalties dos quadrinhos digitais para os autores e continuamos com isso depois. Quando publicamos no físico é mais do que o comum do que se paga em outras editoras. Nos acordos de licenciamento para o cinema e outras mídias, caso não seja uma obra criada na casa e se a Guará não for a produtora, a Guará fica com algo em torno de 30% dos royalties e 70% com o autor, tirando os custos de investimento feito no projeto.”

Ele segue: “Criei a Guará justamente porque me ofereceram uma mixaria pelo meu primeiro quadrinho. É um absurdo o que se fazem com os autores. Fora que temos uma folha de pagamento bem razoável, todo mês.”

O diretor da Guará conclui dizendo que gostaria de ver mais filmes de gênero – ação, aventura, terror etc. – na produção audiovisual brasileira. “Esse conteúdo sempre forçou o desenvolvimento tecnológico no cinema e, com isso, o aumento do valor de produção. Acho que desde que vi Caçadores da Arca Perdida pela primeira vez eu pensei ‘porque raios a gente não tem cinema assim aqui?’” Os quadrinhos da Guará, embora não sejam produzidos apenas para virar audiovisual, são uma fonte de talentos e de histórias para o audiovisual brasileiro que ele imagina.

A DIVISÃO DO BOLO

O tema é recorrente na coluna porque é recorrente no noticiário. Cada vez mais quadrinistas estão se pronunciando contra a falta de participação nos lucros quando o material que fizeram nos gibis vira filmes, seriados e outros produtos megalucrativos. Alex Ross falou da DC no final do ano passado, Ed Brubaker deu declarações contundentes sobre a Marvel em abril.

Nos últimos dias, três autores de renome se pronunciaram contra a Marvel.

O mais relevante foi Ta-Nehisi Coates, que encerra suas histórias no Pantera Negra e segue escritor de Capitão América. Ele comentou especificamente as declarações recentes de Brubaker: de que a Marvel ignora, em termos de pagamento, que ele criou o Soldado Invernal.

“Ver uma coisa dessas, ver ele botar o sangue no gibi, ver o Steve Epting botando o sangue ali, e ver gente tirando bilhões e bilhões do troço, e o meu amigo dizer que nem retornam um telefonema…”, diz Coates em entrevista ao Polygon. “Não sei como essa relação vai ficar, mas, como autor, é uma coisa que a gente pensa. A gente pensa em como os outros são tratados. Como as grandes empresas tratam os outros. E não é uma coisa que eu curto.”

Coates é um escritor premiado e reconhecido fora dos quadrinhos - além de estar contratado para escrever o novo filme de Superman - e ressalta na entrevista sua tranquilidade para levantar a voz contra a Marvel. “Mas tem gente que só vive do que faz nos gibis. E eu queria que a Marvel achasse um jeito melhor de compensar os autores que fizeram o Pantera Negra virar Pantera Negra. Queria que eles achassem um jeito melhor de compensar o pessoal que fez o Capitão América ser Capitão América.”

O segundo autor foi ninguém menos que Todd McFarlane, que comentou em entrevista ao Bleeding Cool sua surpresa ao receber um cheque da DC/Warner por ter participado na criação da personagem Artemis Crock – que ele literalmente nem lembrava de ter criado (junto a Roy Thomas) em 1987. A vilã participou do seriado Stargirl e McFarlane prontamente recebeu um cheque por equity.

“E aí, dois dias depois, recebi um cheque pelo Venom, que talvez não incluísse tudo, mas era metade do que eu tinha recebido pela Stargirl”, ele disse. Venom, filme baseado no personagem que McFarlane criou com David Michelinie em 1989, teve arrecadação estimada em 850 milhões em 2018. Venom 2 estreia em setembro.

Como McFarlane está contratando vários autores para expandir seu universo Spawn, ele promete: “Vou criar um sistema em que, se você criar um Venom pra mim, você vai tirar um proveito bem, bem maior do que se fosse com outra editora.”

Por fim, no Twitter, o roteirista Rick Remender (Deadly Class, Tokyo Ghost) lembrou que ajudou na concepção de Sam Wilson/Falcão como Capitão América, inclusive no desenho do uniforme (junto a Carlos Pacheco) – que acabou virando peça central em Falcão e Soldado Invernal.

Dentro de uma série de tuítes, Remender escreveu – em um tuíte agora deletado – que: “Ser a pessoa que concebeu, apresentou a proposta e ajudou no design do novo Capitão América e não ganhar um tostão furado nem agradecimento é um pé no saco.”

O assunto vem transbordando da Marvel para a empresa-mãe: a Disney. Usando a hashtag #DisneyMustPay, autores de várias franquias que a mega-empresa detém estão reclamando – nas redes e na imprensa – de falta de royalties por republicação ou por reaproveitamento de material que saiu em quadrinhos, literatura e outras mídias, de séries como Star Wars, Buffy e Predador.

Até o momento, nem Marvel nem Disney responderam. Mas, com a soma de pronunciamentos como estes, alguma reação deve vir.

GRAND PRIX

Ontem, o Festival d’Angoulême anunciou os três concorrentes ao seu Grand Prix – o prêmio pela carreira, reconhecimento máximo do Festival e reconhecimento máximo de um quadrinista no planeta Terra. Os concorrentes são Chris Ware, Pénélope Bagieu e Catherine Meurisse.

Ware, 53 anos, de Jimmy Corrigan, Rusty Brown e outros, é quem tem mais tempo de carreira e praticamente dispensa apresentações. Dá para dizer que já tem um nome tão grande que dispensa prêmios.

Bagieu, 39 anos, é considerada da nova geração do quadrinho francês, com farta produção de webcomics e de álbuns. Já saíram no Brasil Uma morte horrível e os dois volumes excelentes de Ousadas, ambos pela Nemo. É uma tremenda ilustradora.

Meurisse, 41, ainda é desconhecida por aqui. Ela já tinha produção antes, mas se notabilizou como a cartunista que saiu viva do atentado ao Charlie Hebdo em 2015 porque se atrasou para a reunião. O choque de perder os colegas gerou duas obras-primas, La Légèreté (2016) e Les Grandes Espaces (2018), respectivamente sobre sua recuperação do choque e sobre sua infância.

O resultado sai no próximo dia 26.

DAGOBERT

Leitura excepcional para fãs de patos: na edição de 18 de maio, a New Yorker recuperou a história de Dagobert, o extorquidor que plantou bombas em lojas da Alemanha na virada dos anos 1980 e 1990 e que que acabou virando uma espécie de herói nacional – em parte por conta de sua inspiração em outro herói nacional alemão: o Tio Patinhas.

Dagobert é o nome de Patinhas na Alemanha. Arno Funke, o criminoso, usava não só o nome do personagem, mas também se inspirava em histórias dos gibis. Donaldistas alemães – especialistas nos gibis dos patos, principalmente os de Carl Barks – chegaram a prestar consultoria à polícia sobre HQs que podiam ter servido de inspiração ao Dagobert da vida real. O criminoso, por sua vez, até projetou um submarino inspirado na clássica “O Segredo da Atlântida”.

Funke foi preso em 1994, cumpriu sua sentença, virou celebridade e cartunista. A reportagem é um dos grandes textos desse ano.

MAIS NADA

“Romance! Viagens interplanetárias! Invasões alienígenas! Adolescentes felinos problemáticos! Manifestações ectoplásmicas!” É parte da descrição de Eu Não Preciso de Mais Nada, coleção de HQs de Gabriel Dantas, que entrou em pré-venda exclusiva na Ugra Press.

A coleção tem 224 páginas e reúne material de 2017 a 2019. Dantas – que atende por Bife de Unicórnio quando publica no Twitter e no Instagram e no Catarse – tem uma produção furiosa e eu sempre quis perguntar como ele produz tanto. Então perguntei:

“Eu não costumo fazer as contas pra não endoidar. Tenho uma pira grande de estar produzindo o tempo todo e sei que se eu começar a fazer isso, vou começar a me comparar. ‘Ih, ontem produzi mais. Semana passada produzi mais.’ Então, evito. Haha. Mas sou viciado em trabalho. Acordo e desenho. Quando não estou desenhando, estou lendo algum gibi ou brincando com o meu gato. Mas sei que produzo bastante. Tem dias que faço 6 a 12 tiras, 5 páginas... Não sei explicar como, mas é natural pra mim. Vou tendo ideias e fazendo antes que elas escapem. Sempre fui assim.”

Seis a doze tiras. Cinco páginas. Por dia.

VIRANDO PÁGINAS

O belga Benoît Sokal faleceu na última sexta-feira aos 66 anos. Era conhecido pela série do Inspetor Canardo, um pato detetive que estrelou 26 álbuns. Também tinha um trabalho reconhecido em videogames, principalmente na série Syberia.

Neal Adams, desenhista e figura sem igual no quadrinho norte-americano, completa 80 anos no domingo, dia 6. Wendy Pini, uma das autoras da premiada série independente Elfquest, completa 70 anos hoje. Charles Vess, ilustrador da área de fantasia e colaborador frequente de Neil Gaiman, completa 70 anos também – no dia 10.

Sandman 19, de Gaiman e Vess, saiu pela primeira vez no Brasil há 30 anos, em junho de 1991. Foi no mesmo ano em que a HQ ganhou um World Fantasy Award, prêmio literário que até então nunca havia sido dado a um quadrinho (o que irritou muita gente da literatura). No Brasil, a Editora Globo lançou a edição em versões em inglês e português.

Ódio, de Peter Bagge, ganhou sua primeira coletânea no Brasil há 20 anos, em junho de 2001, pela editora Via Lettera. A série, uma das principais do quadrinho alternativo dos EUA, nunca mais deu as caras por aqui. Video Girl Ai n. 1, de Masakazu Katsura, chegou no mesmo mês, há 20 anos, como um dos primeiros mangás das editora JBC.

UMA CAPA

De Os Arquivos Secretos da RGE, livro de Roberto Guedes que está sendo vendido na campanha conjunta com Senhor Maravilha: a biografia de Stan Lee,do mesmo autor, pela editora Noir. O design é de André Hernández. Você pode apoiar até 8 de julho.

UMA PÁGINA

Do espanhol Sergio García Sánchez, ilustrando o famoso poema “O Caminho Não Trilhado”, de Robert Frost, para o New York Times.

 

(o)

Sobre o autor

Érico Assis é jornalista da área de quadrinhos desde que o Omelete era mato e autor do livro Balões de Pensamento.

Sobre a coluna

Toda sexta-feira, virando a página da semana nos quadrinhos. O que aconteceu de mais importante nos universos das HQs nos últimos dias, as novidades que você não notou entre um quadrinho e outro. Também: sugestões de leitura, conversas com autores e autoras, as capas e páginas mais impactantes dos últimos dias e o que rolar de interessante no quadrinho nacional e internacional.

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