Foto de Game of Thrones

Créditos da imagem: Game of Thrones/HBO/Divulgação

Séries e TV

Entrevista

Game of Thrones | Elenco lista motivos do sucesso e fala sobre o legado

Confira mais uma parte do evento em Londres

Camila Sousa
02.04.2019
16h42

Quando uma equipe começa a trabalhar em uma série de TV, não há garantias de que aquele projeto dará certo. E, embora isso pareça impossível hoje, o mesmo aconteceu com Game of Thrones. A produção chegou a ter um episódio-piloto nunca lançado, que estava cheio de problemas e poderia não ter feito o mesmo sucesso de “Winter is Coming”, que inaugurou o seriado em maio de 2011. Para Liam Cunningham, que faz o papel de Sor Davos, Game of Thrones estabeleceu sua trama desde o começo, com a morte de Ned Stark.

“Quando vemos Sean Bean ter sua cabeça cortada, as pessoas só olharam e pensaram ‘desculpe, mas o que acabou de acontecer?’. Isso mexeu com as pessoas e estabeleceu que essas são as regras dos livros. Os fãs ficam genuinamente preocupados com todos os personagens, porque ninguém está a salvo. Isso continuou com o Casamento Vermelho e as pessoas começam a pensar ‘quem será o próximo?’”. Cunningham também chama a atenção para um momento menos sangrento e mais triste: uma conversa sincera entre Cersei e seu marido, o rei Robert Baratheon:

“Eles discutem o status do relacionamento e em algum momento Lena [Headey] diz ‘será que a gente já olhou um para o outro?’. É um casamento de fachada e nesse momento você percebe que a narrativa é muito madura. Foi isso o que chamou a minha atenção no começo e eles mantiveram essa filosofia durante todas as temporadas”, completa o ator durante uma rodada de entrevistas em Londres.

Conleth Hill, que interpreta Varys, diz que não previu nada disso na primeira temporada e que todo aquele universo ainda era bem estranho aos seus olhos: “Nas primeiras cenas eu não tinha ideia do que estava falando, porque eu citava vários personagens que não conhecia ainda. E de repente séries como Os Simpsons estavam fazendo paródias de Game of Thrones. Foi quando eu percebi que estava fazendo algo grande, maior do que imaginávamos”.

Gwendoline Christie, a Brienne de Tarth, também cita a morte de Ned como um momento decisivo, mas, para ela, a parte emotiva do seriado vai além disso. “É uma combinação de fatores. Penso que é um estudo profundo das relações humanas, mas situado em um mundo fantástico. Isso permite que os fãs mantenham uma certa distância, então não é algo incômodo, mas também faz com que a natureza dos relacionamentos atinja outros níveis”.

Christie: a narrativa espelha o comportamento humano

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Game of Thrones/HBO/Divulgação

“A narrativa é chocante por colocar um espelho no comportamento humano. Isso fala conosco, com elementos que não queremos aceitar. Não são coisas que nós faríamos, mas conseguimos nos identificar (...). Game of Thrones é sobre personagens não convencionais, e quanto mais um personagem é assim, mais ele transcende e fala com os outros desajustados. Mas ninguém sabe o segredo de tanto sucesso. A série não foi feita para ser bem-sucedida e ninguém previu esse fenômeno global”, completa a atriz.

Quando a temporada final for encerrada em 19 de maio, não será realmente o fim. Os livros de George R.R. Martin ainda serão lançados e há projetos de seriados derivados. Ainda assim, Game of Thrones terá deixado sua marca na TV e um legado único de qualidade técnica e narrativa. “Sempre dizem que a arte é um espelho da sociedade. Ouvi algumas pessoas falando sobre isso recentemente e Game of Thrones se tornou sinônimo de poder, desejo pelo poder, desejo pelo controle e paranoia. Talvez essa história reflita a nossa sociedade atual, apesar de tudo isso estar no livro original, lançado há 20 anos. Mas quando você lida com um mundo de fantasia, ele permite que você investigue coisas do mundo real”, completa Cunningham.

A temporada final de Game of Thrones estreia em 14 de abril.