Game of Thrones | Teorias, spoilers e o caminho para a última temporada

Créditos da imagem: HBO/Divulgação

Séries e TV

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Game of Thrones | Teorias, spoilers e o caminho para a última temporada

Entrevistamos o elenco da série que mudou a história da TV

Camila Sousa
11.03.2019
18h14
Atualizada em
11.03.2019
19h20
Atualizada em 11.03.2019 às 19h20

Em uma tarde ensolarada (porém fria) em Londres, alguns andares do hotel Corinthia estão com um esquema especial. Pessoas andam por todos os lados com pranchetas, grupos chegam a todo momento e o café é abastecido periodicamente. Todos ali usam um crachá da HBO pois estão participando da junket da última temporada de Game of Thrones, a série que mudou a história da TV.

Mas essa junket (evento de divulgação em que jornalistas entrevistam os artistas) tem um ar especial. São jornalistas do mundo todo (mesmo), de praticamente todos os continentes, que trocam informações ansiosos e esperam pelo momento da entrevista. “Fui pegar um café e vi a Maisie Williams passando”, diz uma repórter feliz e ansiosa. Para quem está lá a trabalho, o sentimento é um misto do lado profissional e do lado fã. Fotos e vídeos não são permitidos e é preciso manter a postura, por mais que os astros sentados logo à sua frente estejam regularmente na sua casa há sete anos.

E claro que um dos maiores assuntos da entrevista são os temidos spoilers. Essa temporada de Game of Thrones teve um esquema pouco comum. Enquanto nos outros anos fotos e vídeos de paparazzi já indicavam os encontros entre Daenerys e Jon, por exemplo, este ano pouco foi visto. Um ou outro registro de set virou notícia, mas nada que desse pistas sobre a trama. Kristofer Hivju, que interpreta o Tormund, explica um pouco de como isso foi possível: “Toda a área ao redor tinha uma segurança extrema este ano, ainda mais do que no ano anterior. Claro que temos os problemas de drones atualmente, mas um dia a polícia estava no set e eles tinham drones que derrubavam os outros. Então literalmente acontecia uma guerra de drones acima de nós. Em alguns momentos precisávamos nos esconder para ninguém fotografar nada, e também filmamos cenas que não eram reais, para despistar. Mas todos estávamos focados e cientes e acho que foi tudo bem”.

Conleth Hill, que faz o papel de Varys, ressalta que o elenco é muito bem preparado para lidar com isso após tantas temporadas e questiona aqueles que buscam por spoilers: “Quem vai querer saber de algo agora e estragar a experiência?”.

Exatamente por todos esses pontos é difícil conseguir alguma informação concreta sobre os episódios que estreiam em abril. O sentimento de todo o evento, no fim das contas, é de uma grande festa, uma celebração após anos de dedicação a uma obra da cultura pop que ressoou no mundo inteiro: “Formamos uma família incrível. E todos que estavam lá eram grandes fãs da franquia.Nunca tive um trabalho em que todo mundo era tão dedicado, não importa qual era a sua responsabilidade. Figurino, objetos de cenário, design de produção, roteiro, não importa qual era o setor, havia um grande sentimento de orgulho. Você pode perguntar a qualquer pessoa no elenco ou equipe, que todos queriam ter Game of Thrones em seus currículos. Porque é um atestado de qualidade. É como ser um veterano de guerra. É algo extraordinário que não vai acontecer de novo”, completa Liam Cunningham, que interpreta Sor Davos.

Teorias e o mundo pós-GoT

Um dos pontos que mais diverte o elenco são as famosas teorias feitas pelos fãs. Ao pesquisar rapidamente pelo YouTube não é difícil encontrar todo o tipo de especulação: Quem é Azor Ahai? Quem é o Rei da Noite? Quem vai terminar no Trono de Ferro?

Há tantas histórias em Game of Thrones e as pessoas podem se conectar com personagens diferentes. Há alguma coisa para cada pessoa. E acho que a série quebra as convenções de filmes e seriados feitos nas últimas décadas, em que as pessoas resolvem o caso no fim de tudo. Dá para prever muitas coisas ao ver o primeiro ato de filme, mas você não sabe nada aqui. É um elemento parecido com esportes, em que tudo pode mudar do nada, então é repentino. Não dá para prever. E é por isso que existem tantas teorias de fãs por aí. As pessoas começam a pensar sobre caminhos possíveis”, diz Kristofer Hivju, que já emenda sua teoria preferida:

A minha favorita é de que a história de Game of Thrones não é em outro mundo, não é pré-histórico, é depois do Armagedom. Tudo ali está acontecendo milhares de anos após o período atual, depois que nós arruinamos tudo. É uma nova civilização e um novo mundo, acontecendo 50 mil anos à frente. Acho que o conceito disso é fantástico”.

Além de conquistar o carinho e admiração dos fãs, a série da HBO também foi bem-sucedida em termos de indústria. A Batalha dos Bastardos, por exemplo, marcou o momento em que Game of Thrones fez na TV uma guerra grandiosa digna das melhores salas de cinema do mundo. Foi uma escolha ambiciosa que ajudou produtores, diretores e profissionais de cinema a terem um outro olhar para as produções da televisão, muitas vezes consideradas menores do que os filmes. Para Liam Cunningham, Game of Thrones só conseguiu tanto sucesso exatamente por ter sido feita na TV:

Essa série deixou toda a indústria com vergonha. Com certeza. Uma das coisas sobre o formato longo de séries, é que ele permite ao público acompanhar as transições. São redenções. Falando sobre Jaime Lannister, quando o conhecemos ele é um babaca e egoísta. Mas quando há as cenas com Brienne, em que ele mostra um pouco de humanidade, o público começa a se questionar. As feridas do personagem começam a aparecer. O Jaime que vemos agora, na última temporada, em comparação com o Jaime da primeira, é um personagem diferente por conta de sua jornada. Quando você assiste a um filme de duas horas, não há a oportunidade de ver essa evolução. Game of Thrones poderia ter sido feito como um filme e o foco seria totalmente nas batalhas. O que nós temos com esse formato de seriado são camadas profundas”.

A última temporada de Game of Thrones estreia em 14 de abril na HBO.