Carly Chaikin como Darlene no S04E10 de Mr. Robot

Créditos da imagem: Mr. Robot/USA Network/Divulgação

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Mr. Robot | Darlene busca a felicidade no episódio 10 da temporada final

Série mantém tom esperançoso mas lembra que a ameaça de violência continua à espreita

Arthur Eloi
10.12.2019
15h40

Mr. Robot deu uma vitória de peso para Elliot (Rami Malek) e a fsociety durante o nono episódio. Ainda que a virada soe bastante conclusiva, é importante lembrar que ainda restam algumas horas na temporada final. É isso que dá certo ar de “cena pós-créditos” ao décimo capítulo, que explora as consequências do grande golpe ao Dark Army.

[Cuidado! Spoilers do S04E10 de Mr. Robot abaixo]

410 Gone” passa o foco do protagonista para sua irmã, Darlene (Carly Chaikin), que tem o arco secundário mais importante de toda a série. Parte fundamental de ambos os hacks, é certo dizer que ela é quem mais sofreu o peso dos efeitos de seus atos, como o isolamento pela prisão de seus colegas e a morte de seu namorado pelo exército hacker chinês. Agora, tendo derrubado o Deus Group e com acesso ao dinheiro da elite mundial, ela merece algo a mais. Essa busca por autorreparação é o que também define Dominique DiPierro (Grace Gummer), solitária agente do FBI que frequentemente teve seus pontos baixos junto a Darlene. Não é a toa que as duas personagens já tiveram um caso, há um magnetismo natural entre elas.

Isso é colocado a teste em um capítulo sobre fuga e recomeço, com duas personagens tão quebradas e moldadas pela dor enfim vendo a oportunidade de crescerem juntas. Conduzida como uma road trip, o tom esperançoso do episódio anterior é mantido, só que apresentado de forma mais silenciosa, com movimentos de câmera mais sutis e quase nada de trilha que não seja parte do ambiente. Isso dá a sensação de que Mr. Robot retornou ao mundo real, e a dupla tenta ao máximo aproveitar o sentimento de vitória.

Um momento, por exemplo, traz Darlene se livrando do dinheiro roubado do Deus Group para pessoas aleatórias, em um dia comum no parque. “Essa é a maior distribuição de renda da história”, discute com DiPierro enquanto compara a fsociety com Robin Hood. “É assim que a justiça se parece”. Enquanto a cena conclui de forma fofa, este é o primeiro sinal de que, a parte da dor, há grande diferença entre as duas. Isso volta com força no final, quando Darlene - lembrando de planos que tinha com seu falecido namorado - tenta convencer a agente a fugir para Budapeste. É a oportunidade certeira para finalmente serem felizes, mas o contraste entre ambas causa hesitação e desencontro, com Dominique indo sem seu par. Isso deve se tornar importante nos próximos capítulos - mesmo que como um arrependimento para Darlene.

Quando comparado com os anteriores, o episódio é um pouco mais seguro na experimentação visual, narrativa e estética, mas essa simplicidade casa com a temática de recomeço. Além disso, a trama se destaca em outros pontos, com o retorno de personagens do passado, como Irving (Bobby Cannavale) e o assassino Leon (Joey Bada$$). O último serve bastante como alívio cômico com seus comentários sobre cultura pop - “ninguém mais lê, c***lho”, reclama após DiPierro não entender uma referência de Kurt Vonnegut -, mas deve ser parte central da conclusão. Há bastante ênfase na sua separação do Dark Army, e é ele que oferece um retorno à vida do crime para Darlene. Assim Mr. Robot segue por novos caminhos, mas sempre com a possibilidade de retornar aos surtos de violência.

Não há previsão de estreia para a quarta temporada de Mr. Robot no Brasil. As três temporadas anteriores estão disponíveis no catálogo do Amazon Prime Video.