Carly Chaikin como Darlene e Rami Malek como Elliot em Mr. Robot

Créditos da imagem: Mr. Robot/USA Network/Divulgação

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Mr. Robot | Episódio 5 da temporada final conduz ação intensa sem diálogos

Para mostrar invasão hacker, série novamente abraça a experimentação de alto nível

Arthur Eloi
06.11.2019
13h13

Tá tudo bem, cara”, Darlene (Carly Chaikin) diz à Elliot (Rami Malek) ao buscá-lo na beira da estrada, logo nos momentos iniciais do quinto episódio da temporada final de Mr. Robot. “Nós não precisamos conversar”. Como a série anda bastante experimental, a fala da personagem serve como explicação da abordagem da vez: o diálogo é um dos dois únicos falados durante todo o capítulo.

[Cuidado! Spoilers do S04E05 de Mr. Robot]

405 Method Not Allowed” foca sua trama principal no ataque dos irmãos aos servidores da Virtual Realty. A trama desacelera um pouco para extrair o máximo de tensão do evento. Indo desde a preparação, até a invasão e a intensa fuga, o episódio triunfa na ação momento-a-momento e também no desenvolvimento de personagem através de suas ações e expressões físicas. É um desafio e tanto criar narrativa sem diálogo (tanto Buffy, a Caçadora de Vampiros e BoJack Horseman são dos poucos que tiraram de letra no passado), mas Mr. Robot alcança isso com enorme confiança, boa linguagem corporal dos atores e espetacular direção de fotografia, todos constantes nesta temporada.

Essa inventividade soa bastante como a de “eps3.4_runtime-err0r.r00”, do ano três, em que um ataque hacker é conduzido em um incrível plano-sequência. Mas aqui o truque - de realizar tudo sem comunicação - é um pouco menos chamativo, mas igualmente impactante e cheio de momentos de tirar o fôlego. O que faz tudo funcionar tão bem são as soluções que Elliot e Darlene encontram para acessar os servidores, que servem como lembrete que de ‘hackear’ vai além da parte tecnológica - a engenharia social também tem participação importante. Essa abordagem traz realismo ao apresentar as técnicas, ao ponto de existir colunas onde hackers comentam os episódios, e também reforça a tensão, já que pede que os personagens realmente usem a cabeça para solucionar problemas, ao invés de resolver tudo com apertos de botões.

A sequência final, em que Elliot foge a pé da polícia, é um pouco questionável, tanto pela capacidade física do personagem quanto pela inutilidade de seus oponentes, mas pouco incomoda em um episódio experimental de alto nível. Cuidando tanto da direção quanto do roteiro, Sam Esmail tem controle quase cirúrgico de como guiar o espectador através do caos, e o silêncio só ajuda a exaltar a ótima trilha eletrônica de Mac Quayle. O único custo disso tudo caí nos demais arcos, que perdem espaço para que a técnica funcione, mas também abrem mão de seus diálogos para manter a consistência estética. Os avanços são pequenos, como Dominique DiPierro (Grace Gummer) forçada a trabalhar para o Dark Army e, sob ameaça, hackeando uma delegacia para atrapalhar uma investigação em andamento. Krista (Gloria Reuben), por sua vez, é intimidada por Fernando Vera (Elliot Villar), que quer chegar em Elliot através da psiquiatra. Curiosamente, é aqui que a outra única linha de diálogo é falada, amarrando a imagem do episódio: após intimidar Krista com uma capanga, o traficante finalmente se aproxima e, com um sorriso no rosto, solta: “Acho que precisamos conversar”.

Não há previsão de estreia para a quarta temporada de Mr. Robot no Brasil. As três temporadas anteriores estão disponíveis no catálogo do Amazon Prime Video.