Rami Malek e Christian Slater em Mr. Robot

Créditos da imagem: Mr. Robot/USA Network/Divulgação

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Mr. Robot | Temporada final começa sombria e imprevisível

Série ensaia sua conclusão mostrando urgência narrativa e muita qualidade visual

Arthur Eloi
08.10.2019
17h53

Mr. Robot pode ter dado uma patinada aqui e ali, mas é facilmente uma das melhores séries da atualidade. Ao longo dos anos, o criador/roteirista/diretor Sam Esmail trabalhou uma trama de hackers em um mundo de guerras cibernéticas e problemas sociais. Agora o programa ensaia uma conclusão. Ao julgar pelo primeiro episódio da quarta e última temporada, o altíssimo padrão de qualidade será mantido.

[Cuidado! Spoilers do primeiro episódio da quarta temporada abaixo]

401 Unauthorized” abre momentos após o intenso fim do ano três, e já estabelece a ameaça de Whiterose (BD Wong) para a temporada ao mostrar o Dark Army executando Angela (Portia Doubleday) quando ela se recusa a cooperar. É uma cena especialmente trágica considerando o tanto que Angela cresceu durante a temporada anterior, passado de interesse romântico de Elliot (Rami Malek) para alguém calculista, disposta a mudar de acordo com a situação para atingir seus grandiosos objetivos. O acontecimento, que poderia muito bem fechar o capítulo, é colocado logo nos primeiro cinco minutos para pontuar que, agora, o seriado não está de brincadeira e as consequências enfim chegaram para todos.

Quando a trama vira para Elliot, o hacker aparece ainda mais frio que o normal, já ciente da morte de sua amiga de infância. Aqui ele está isolado, sem apoio de fsociety, sem amigos ou mesmo uma boa relação com sua irmã Darlene (Carly Chaikin). Para o protagonista só resta seu alter-ego, o Mr. Robot (Christian Slater). Aproveitando essa solidão, a série investe em brincar com a personalidade dividida de Elliot em algo além dos diálogos, criando situações em que ambos colaboram e trocam de lugares constantemente. Um momento, por exemplo, coloca o Mr. Robot - o lado mais ameaçador - para intimidar o advogado Freddy Lomax (Jake Busey, em papel igual ao que fez em Stranger Things 3) a lhe entregar dados sensíveis de seus clientes. Já outro acompanha Elliot e sua versão imaginária revezando para discutir com Darlene. Essas trocas trazem dinâmica e dão espaço para Malek e Slater dividirem a tela mesmo na presença de outros.

Já a estética do programa continua tão afinada quanto se tornou no ano três. Esmail novamente assume a direção, trazendo sua maravilhosa linguagem inusitada e repleta de explorações, mesmo com a narrativa ficando progressivamente mais sombria. O que fecha a atmosfera pesada que a temporada ganha é a ótima trilha de Mac Quayle. Combinados, vários momentos - especialmente quando envolvem a ameaça do Dark Army - soam quase como filmes de suspense.

Mr. Robot voltou com o pé direito. É uma pena que a série tenha perdido o prestígio que teve na sua temporada de estreia mas Sam Esmail parece usar isso como isso a seu favor para entregar algo pensado para surpreender um público menor, mas fiel. O seriado ainda tem bastante cartas na manga, como os avanços do Dark Army, o papel da agente DiPierro (Grace Gummer), a relação de Elliot com Phillip Price (Michael Cristofer), ou então o plano de Tyrell Wellick (Martin Wallstrom). Mesmo com tanto a explorar, é difícil acreditar que a temporada final responderá todas as dúvidas. No fim das contas, esse é o charme de Mr. Robot atualmente: uma completa imprevisibilidade narrativa em uma produção de qualidade garantida.

Não há previsão de estreia para a quarta temporada de Mr. Robot no Brasil. As três temporadas anteriores estão disponíveis no catálogo do Amazon Prime Video.