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O que há de errado com os “live-actions” da Disney?

De Malévola a O Rei Leão, comentamos sobre as novas versões dos clássicos

A cozinha
19.08.2019
12h00
Atualizada em
19.08.2019
11h58
Atualizada em 19.08.2019 às 11h58

Com US$ 1,351 bilhão arrecadados mundialmente, O Rei Leão é a maior bilheteria entre os remakes das animações clássicas da Disney e a 10ª maior arrecadação da história. Ainda assim, o filme não impressionou a crítica, que reclamou principalmente da falta de criatividade na hora de traduzir a clássica animação de 1994 para uma nova linguagem, além da falta de expressividade dos personagens realistas. 

A Disney começou a trabalhar em versões live-action dos seus clássicos animados em 1996, quando lançou 101 Dálmatas. Com Glenn Close como Cruella,o filme foi um sucesso, arrecadando US$ 320,689 milhões mundialmente para um orçamento US$ 75 milhões. Marca que não se repetiu com 102 Dálmatas (2000). Foram US$ 183,611 milhões somados mundialmente para um orçamento de US$ 85 milhões, decepção que adiou em 10 anos o lançamento de um novo filme baseado nas animações clássicas do estúdio. 

Com a assinatura de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas (2010) conquistou as bilheterias com uma soma mundial de US$ 1,025 bilhão. Ainda que longe da viagem lisérgica da animação de 1951, o filme conquistou o público pelo uso da computação gráfica e da marca de Burton, que trouxe Johnny Depp no papel do Chapeleiro Maluco. O impacto, porém, não foi longo e a continuação de 2016, Alice Através do Espelho, amargou uma bilheteria de US$ 299,457 milhões para um orçamento US$ 170 milhões (arrecadando apenas US$ 77 milhões nos EUA). 

Com uma nova proposta, mais distante da animação original, Malévola chegou aos cinemas em 2014 prometendo uma versão de A Bela Adormecida pelos olhos da sua vilã. Não foi bem assim. Ainda que Angelina Jolie estivesse perfeitamente caracterizada como a personagem-título, o longa pouco manteve da vilania que carrega até no nome, com o verdadeiro objetivo sendo atualizar o conto de fadas para uma nova geração que não acredita mais em contos de fada. O público comprou a história da vilã boa e do "amor de madrasta", com a bilheteria mundial de US$ 758,539 milhões levando a encomenda de uma continuação - que tem estreia marcada 17 de outubro deste ano

Depois de Malévola foi a vez de Cinderela (2015). Com direção de Kenneth Branagh, o filme equilibrou melhor a aura clássica com a atualização da história de “amor à primeira vista”. O sucesso porém, não foi o mesmo que o do longa de Jolie, arrecadando US$ 543,514 milhões mundialmente, sem encomenda para uma sequência. 

O grande acerto do estúdio viria com o remake de Mogli, o Menino Lobo, em 2016. Com US$ 966,550 milhões arrecadados mundialmente, o filme baseado na animação de 1967 impressionou pelo uso da computação gráfica para recriar os animais, contando com um único ator no set, o jovem Neel Sethi. Vencedor do Oscar de Efeitos Visuais, o longa recebeu a encomenda de uma continuação e levou seu diretor, Jon Favreau, para o comando de outra versão que precisaria de muitos animais em computação gráfica: O Rei Leão

Com US$ 1,263 bilhão, a Disney teve outro sucesso de público com A Bela e a Fera. Dirigido por Bill Condon, o longa também recebeu boas críticas, apesar de algumas ressalvas sobre o uso da computação gráfica, principalmente na criação da Fera, e no uso de filtros de voz nas músicas cantadas por Emma Watson. Como se manteve fiel à animação, o filme também foi criticado por não oferecer algo novo para o público: por que ver uma imitação?

Em 2019, além do aguardado O Rei Leão, a Disney levou outros dois remakes das suas animações para os cinemas. Dumbo, lançado em março, passou quase despercebido. Dirigido por Tim Burton, o filme fez  US$ 352,996 milhões mundialmente para um orçamento de US$ 170 milhões, com grande parte das críticas apontando que a nova versão não trazia a mesma emoção do longa original. Já Aladdin se saiu melhor, conquistando uma bilheteria mundial de US$ 1,035 bilhão. Ainda que não seja unanimidade entre a crítica, o filme de Guy Ritchie seguiu o exemplo de Cinderela, atualizando a história, mas mantendo-se fiel ao espírito da animação de 1992. Com Will Smith como Gênio, Aladdin também foi capaz de dar uma nova voz ao lendário papel de Robin Williams. Com o sucesso, rumores de uma continuação já começaram a circular

Live-action, remake, versão ou remasterização?

O termo “live-action”, que já não fazia muito sentido com Mogli, O Menino Lobo, perdeu completamente a razão de ser com O Rei Leão, que foi feito 99% em computação gráfica. Porém, é difícil encontrar um termo que defina essa linha de filmes da Disney, que ora são praticamente cópias do material original (como A Bela e a Fera), ora o transformam completamente (como no caso de Malévola). Mais do que remake, talvez remasterização seja a palavra correta, já que o grande objetivo não é criar uma nova versão, mas atualizar as propriedades do estúdio, seja traduzindo O Rei Leão para uma linguagem realista, mais próxima do público atual, ou adaptando um conto de fadas como A Bela Adormecida para quem não acredita mais em princesas frágeis, vilãs unidimensionais e príncipes encantados. 

Fato é que com 11 filmes lançados e com muitos outros planejados, há muito a se falar sobre os novos clássicos da Disney. Há quem simplesmente ame por se tratar de filmes dos seus personagens favoritos do estúdio, há quem critique a falta de criatividade na hora de relançar essas histórias, há quem questione a empreitada como um todo e também quem a aplauda pela perspicácia econômica. No OmeleTV acima, falamos mais sobre o tema, com muito espaço para o ame ou odeie despertado por esses filmes. Uma discussão que certamente está apenas começando.