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Crítica

A Bela e a Fera | Crítica

Atores e semelhança com original garantem entretenimento, mas versão live action não passa de imitação barata (apesar do orçamento milionário)

Natália Bridi
14.03.2017
18h43
Atualizada em
15.03.2017
04h30
Atualizada em 15.03.2017 às 04h30

A magia Disney não é constante. A história do estúdio é feita de altos e baixos, com seu período atual beneficiado pelo toque de Pixar das mãos de John Lasseter e da leva de remakes dos seus clássicos. A versão live action de A Bela e a Fera, cujo lançamento original, em 1991, também fez parte de uma renascença criativa, era um passo inevitável nessa nova fase “mágica” (e lucrativa).

Ao contrário de Malévola, que repensa uma animação de 1952, de Cinderela, que refaz o clássico de 1950, ou de Mogli - O Menino Lobo, que dá vida aos personagens de 1967, essa nova versão de A Bela e a Fera chega aos cinemas mais apegada às origens, pensando na expectativa de uma geração que cresceu vendo e revendo a mesma história. Com 45 minutos a mais, o longa expande a trama e dá consistência aos seus personagens com uma escalação de elenco certeira. Emma Watson cria uma Belle digna e relacionável, não sendo mera idealização, enquanto Luke Evans faz o retrato perfeito de Gaston ao aproveitar todas as tolices de macho alfa do personagem. Já a tão discutida versão gay de LeFou apenas escancara o que era enrustido em 1991, com ótimos momentos graças ao timing cômico de Josh Gad.

É o talento do elenco que também compensa o grande estorvo do filme: o visual. Bill Condon traduz grosseiramente os traços delicados da animação. Como uma falsificação vendida em camelô, o produto final se parece com, mas não tem a mesma qualidade do original. A mão pesada do diretor para os efeitos visuais (responsável pela horrenda Renesmee de A Saga Crepúsculo: Amanhecer), prejudica os servos/objetos do castelo, que têm personalidade graças aos seus dubladores - Ewan McGregor (Lumière), Ian McKellen (Cogsworth ou Horloge) e Emma Thompson (Mrs. Potts ou Madame Samovar), entre outros - e quase anula a presença de Dan Stevens como Fera. Em nenhum momento é possível ver o ator no papel ou esquecer que aquela mistura de homem e animal foi feita em computação gráfica, perdendo todo o impacto da sua transformação - um falha imperdoável depois das realizações da nova franquia Planeta dos Macacos e de Mogli.

A artificialidade de Condon só é vantagem na hora de comandar as cenas musicais. O quê teatral das sequências de “Belle” e “Gaston” é preciso. “Be Our Guest”, porém, um dos melhores números do original, se torna espalhafatoso e sem encanto, culpa mais uma vez da computação gráfica arcaica. O  trecho, que levou mais de um ano para ficar pronto, é salvo apenas pelo talento musical de McGregor. As músicas no geral se mantêm fiéis às suas primeiras versões, mas Watson ganha uma afinação artificial e Stevens é mais uma vez limitado por um filtro animalesco para seu personagem. Novas canções como "Days in the Sun" e "Evermore", ainda que assinadas por Tim Rice e Alan Menken, surgem apenas para justificar a sua exclusão anterior.

Reproduzindo cenas quadro a quadro, Condon faz uma versão live action para agradar aos fãs, mas não vai além desse “serviço”. Ainda que beneficiado pela habilidade e carisma dos seus atores, é incapaz de tornar o filme especial por si só. Uma fórmula que deixa o encanto em 1991, mas atualiza os lucros para 2017.

Nota do Crítico
Bom