Teyonah Parris em WandaVision

Créditos da imagem: Marvel Studios/Divulgação

Séries e TV

Artigo

Abandonando as sitcoms, WandaVision mergulha no MCU e responde algumas perguntas

Além de explicar a participação de Monica Rambeau, episódio introduz personagens que podem ser decisivos para a série

Mariana Canhisares
29.01.2021
12h13
Atualizada em
29.01.2021
17h17
Atualizada em 29.01.2021 às 17h17

Depois de três episódios introdutórios, WandaVision precisava avançar alguns passos na trama para garantir aos fãs do MCU (Universo Cinematográfico Marvel) que a série seria mais do que uma fofa aventura autorreferencial. Afinal, em razão das mudanças no calendário provocadas pela pandemia, a produção do Disney+ acabou com a responsabilidade de dar o pontapé na misteriosa fase 4 do universo compartilhado - e, ainda que todos queiram ver o casal principal vivendo seu “felizes para sempre”, isso não é suficiente para atender as demandas de um mundo pós-Thanos.

O quarto capítulo, lançado nesta sexta-feira (29) no streaming, até retoma o estilo que consagrou as produções da Casa de Ideias, mas não exatamente atende essa expectativa. Em vez de efetivamente desenvolver os conflitos do casal de protagonistas, o seriado passa os 30 minutos de duração preenchendo algumas lacunas deixadas até aqui e adiando para a semana que vem o início do embate entre os desejos da Feiticeira Escarlate e a realidade como ela é.

Pela primeira vez, WandaVision remove o filtro das sitcoms e revela o que está acontecendo no mundo lá fora enquanto a mutante dirige sua própria versão do american way of life, isto é, mostra como ficou o mundo depois dos Vingadores reverterem o que ficou conhecido como blip (o estalar de dedos do Titã Louco) em Ultimato (2019). Para Monica Rambeau (Teyonah Parris), por exemplo, esse momento é sinônimo de voltar do pó e ter que encarar a difícil notícia de que sua mãe, Maria Rambeau (vivida por Lashana Lynch em Capitã Marvel), morreu por causa de um câncer no período em que ela ficou desaparecida. Já para a S.W.O.R.D. (E.S.P.A.D.A., no Brasil), a subdivisão espacial da S.H.I.E.L.D., isso significa mudar seu foco de atuação. Deixando de lado o treinamento de agentes para missões no espaço, como era a intenção de Maria Rambeau (apelidada de Photon) quando criou a agência, a S.W.O.R.D. agora mira nas áreas de robótica e inteligência artificial.

Teyonah Parris e Randall Park em WandaVision
Marvel Studios/Divulgação

Monica descobre essa nova diretriz ao encontrar o diretor interino da agência, Tyler Hayward (Josh Stamberg), e não encara com bons olhos a decisão de ter que permanecer na Terra para um período de adaptação. É essa medida, no entanto, que a insere no centro do caos criado por Wanda. Solicitada pelo FBI para ajudar num caso de desaparecimento, a capitã da S.W.O.R.D. entende da maneira mais difícil o que a Feiticeira Escarlate está fazendo em uma cidadezinha do estado de Nova Jersey. Ao encontrar com o agente Jimmy Woo (Randall Park) na entrada da cidade fictícia de Westview, Monica percebe que há um campo energético, semelhante aos pixels de uma TV, que os separa do que quer que esteja acontecendo do lado de lá. Mas, ao tentar se aproximar para entender como quase 4.000 pessoas desapareceram - ou, talvez, tenham virado vítimas de uma estranha amnésia -, ela é absorvida. Ou, melhor, escalada para interpretar a estranha forasteira Geraldine na sitcom dos heróis apaixonados.

Diante desse sumiço inexplicável, o agente Woo e profissionais de diferentes áreas do governo e da ciência se unem para encontrar Rambeau e solucionar o caso. Entre especialistas de biologia nuclear e I.A., está a dra. Lewis, mais conhecida como Darcy (Kat Dennings), a antiga estagiária de Jane Foster (Natalie Portman) nos primeiros filmes do Thor. Sua presença, embora possa pegar alguns fãs de surpresa, foi anunciada na D23 em setembro de 2019, e faz bastante sentido com o contexto por trás de WandaVision. A agora cientista consagrada teve no mínimo uma experiência prévia interessante com manipulações de realidade no MCU , na batalha contra Malekith e os elfos negros em O Mundo Sombrio (2013). Anos depois, nada mais justo que sua perspicácia, já bastante notável na observação de inconsistências que passavam despercebidas até pela sua então chefe, tenha só crescido.

É Darcy, portanto, quem descobre que no meio de toda aquela radiação cósmica de fundo em micro-ondas (RCFM) estão ondas mais longas, semelhantes a uma transmissão televisiva. Com um aparelho de TV antigo e pipoca em mãos, a cientista começa a formular o que todos nós já sabíamos: Wanda está por trás de tudo isso. Aos poucos, ela e Jimmy Woo desvendam a identidade dos “atores” escalados pela heroína para povoar sua nova e melhorada realidade. Com essa revelação, fica claro que os nomes escolhidos para cada um dos personagens não são aleatórios. Abhilash Tandon, provavelmente um civil bastante comum, por exemplo, encarnou o colega de trabalho de Visão, Norm. Em The Vision and the Scarlet Witch, de 1985, esse é o nome do agente imobiliário que consegue a casa para os heróis tentarem recomeçar como um casal normal, após o sintozóide ficar preso em uma instalação do governo, sob investigação. Assim, uma minuciosa pesquisa pelas HQs pode revelar quem são Jones, Beverly e Herb.

Entretanto, uma ausência salta aos olhos nesse casting call: Agnes (Kathryn Hahn). Não deve ser à toa que a S.W.O.R.D. não é capaz de identificá-la, aquecendo ainda mais as teorias de que ela, na verdade, é a bruxa Agatha Harkness. Outro ponto importante a ser ressaltado nessa investigação são algumas perguntas deixadas no quadro do agente Woo. Ainda que saibamos algumas respostas, como por que sitcoms, e se Visão está de fato morto (uma cena nesse episódio mostra o sintozóide sem a Joia da Mente, como Thanos o deixou ao final de Guerra Infinita), há duas interrogações intrigantes. A primeira é por que o campo de energia criado por Wanda tem uma forma hexagonal como estrutura. A segunda, por sua vez, indaga se os skrulls podem estar por trás disso.

Vale notar que a forma hexagonal já apareceu antes na série, na abertura do segundo episódio - ao redor da lua que abre a animação, vê-se seis estrelas brilhando. Especula-se que possa ser uma referência às Joias do Infinito, mas ainda não há evidências suficientes para cravar essa teoria. Há, porém, uma associação possível ainda mais intrigante, já que essa forma geométrica está muito ligada a A.I.M. (I.M.A., no Brasil), organização criminosa dos quadrinhos formada por cientistas obcecados por poder. Seu criador é ninguém menos que o Barão von Strucker, justamente o vilão que deu poderes a Wanda e seu irmão Pietro por meio de experimentos em Vingadores: Era de Ultron (2015). Com uma ligação tão óbvia com o passado traumático da Feiticeira Escarlate, essa ideia ganha mais força considerando a propaganda do segundo episódio. Seria alguém ligado ao Barão von Strucker o grande vilão, em vez de Mephisto?

Já a respeito dos skrulls, está mais do que claro que eles estão entre nós - na cena pós-créditos de Homem-Aranha: Longe de Casa, revela-se que Talos (Ben Mendelsohn) substituiu Nick Fury (Samuel L. Jackson) durante toda a aventura. Logo, não se pode descartar que os alienígenas tenham sim um papel importante nessa história. Senão diretamente, ao menos para lançar outra série do Disney+, Invasão Secreta.

Após tantas descobertas e pistas do que vem aí, WandaVision se despede com um diálogo tenso entre o casal de protagonistas, que novamente promete um desenrolar complicado nos próximos episódios. Diante da sugestão do Visão de deixar Westview para trás, a Feiticeira Escarlate diz com todas as letras: “não, não podemos [ir]. Esse é nosso lar. Não se preocupe, querido. Tenho tudo sob controle”. Uma coisa é certa: está mais do que na hora da Wanda perder esse controle e a Marvel dizer a que veio.

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