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Ray Fisher diz que racismo levou a mudanças em Liga da Justiça

Ator acusou Joss Whedon e Geoff Johns de deliberadamente apagar personagens não-brancos do filme

Nicolaos Garófalo
29.10.2020
21h20
Atualizada em
02.11.2020
20h10
Atualizada em 02.11.2020 às 20h10

Após mais de um mês após Ray Fisher pedir pela troca do investigador que analisa suas acusações contra o ambiente tóxico durante as refilmagens de Liga da Justiça, o ator voltou a comentar sobre o caso. Em longa entrevista à Forbes, o intérprete do Ciborgue afirmou que muitas das mudanças feitas por Joss Whedon aconteceram após conversas racistas entre os produtores Geoff Johns e Jon Berg e Tobby Emmerich, presidente da Warner Bros.

Antes das refilmagens de Liga da Justiça, conversas abertamente racistas aconteceram – em várias ocasiões – entre antigos e atuais executivos da Warner”, afirmou Fisher. “Percebi que as orientações que recebi de Johns durante as refilmagens eram apenas uma versão codificada das coisas racistas que ele dizia atrás de portas fechadas a outros executivos”. O ator disse que ficou sabendo das conversas por uma pessoa que estava presente durante as discussões, mas que só foi informado após ter denunciado o comportamento de Johns, Berg e Whedon. “Eu sempre suspeitei que raça foi um fator determinante na maneira como as coisas aconteceram, mas só pude provar [no meio de 2020]”.

Um representante de Whedon afirmou que as mudanças apontadas por Fisher, que incluem a diminuição de seu próprio papel e de Joe Morton, que viveu Silas Stone, e a remoção completa das cenas de Zheng Kai, Kiersey Clemons e Karen Bryson já haviam sido decididas antes da chegada do diretor, que substituiu Zack Snyder. “O indivíduo que ofereceu esse depoimento reconheceu que ficou sabendo de algo por outra pessoa e aceitou como uma verdade, enquanto uma simples pesquisa mostrará que isso é mentira”, disse Whedon por meio de sua equipe.

Fisher ainda afirmou que o elenco e a equipe de Liga da Justiça foram instruídos pelo estúdio a elogiar Whedon durante a San Diego Comic-Con de 2017. De acordo com o ator, a Warner disse a todos que Snyder escolheu o diretor de Os Vingadores a dedo para substituí-lo e disse que só ficou sabendo que esse não era o caso um ano depois. “Zack se afastou para ficar com sua família e nós queríamos dar espaço para ele”.

O intérprete do Ciborgue disse ainda que confia no novo investigador contratado para cuidar do caso. De acordo com Fisher, o novo contratado foi responsável pela investigação que levou à saída do ex-presidente da Warner Kevin Tsujihara, acusado de usar sua influência no estúdio para beneficiar a atriz Charlotte Kirk.

Entenda o caso

O diretor Joss Whedon foi acusado de postura abusiva no set de Liga da Justiça, filme da DC de 2017 no qual entrou para o posto de diretor após a saída de Zack Snyder. Segundo as primeiras falas de Fisher, "o tratamento que Joss Whedon deu ao elenco e à equipe no set de Liga da Justiça foi nojento, abusivo, antiprofissional e completamente inaceitável.

Mais tarde, o diretor Kevin Smith afirmou ter ouvido relatos que dão força ao argumento de Fisher. Depois, dublês de Buffy, A Caça-Vampiros - série criada por Whedon - acusaram o criador de ser egomaníaco.

Joss Whedon assumiu as filmagens de Liga da Justiça depois da saída de Zack Snyder da direção por problemas familiares. A reação negativa em torno do filme estimulou pedidos pela versão original do longa, já que muito material planejado pelo Snyder não entrou na versão final. Após muito tempo, a Warner confirmou o lançamento do Snyder Cut para 2021 no HBO Max, streaming do grupo Time Warner.

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