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Outlander entrega episódio intrigante que pode ter várias pistas para o futuro

Apostando em flashbacks, “Perpetual Adoration” é o tipo de capítulo que fará mais sentido depois

Camila Sousa
18.03.2020
12h06

Não é de hoje que Outlander está apostando em novos formatos. Se aproximando do meio de sua 5ª temporada, a série entregou um episódio intrigante, que pode não fazer muito sentido agora, mas tem várias pistas para o futuro.

[Spoilers de “Perpetual Adoration” abaixo]

Após se aprofundar em mostrar Claire (Caitriona Balfe) e Jamie (Sam Heughan) se estabelecendo em Fraser’s Ridge, Outlander surpreendeu ao começar o capítulo mostrando a médica no seu presente, falando de fé e sobre como a vida é imprevisível. Em paralelo à isso, a Claire do passado percebe que conseguiu fazer penicilina, o que lhe permitirá cuidar muito melhor de todos, inclusive do jovem Keziah (Paul Gorman).

Esses paralelos entre acontecimentos do presente e passado permeiam todo o episódio, que termina sem explicar muito bem os motivos de fazer isso. No presente, Claire se apega ao paciente Graham Menzies (Stephen McCole), um escocês que lhe traz boas lembranças do passado. E essa identificação é o que torna a morte de Graham algo tão marcante para Claire, que muda de vida depois do incidente. Ela resolve passar tempo a mais com Brianna (Sophie Skelton) na viagem que resulta em seu retorno definitivo ao passado para reencontrar Jamie.

Ao voltar tanto em sua própria história, Outlander mostra que ações aparentemente insignificantes podem mudar a vida de uma pessoa para sempre, mesmo que ela não saiba disso na hora. “Perpetual Adoration” tem vários pequenos diálogos e ações que, em um primeiro momento, não fazem muito sentido. É quase como se o episódio fosse um filler, mas não será surpresa se os pequenos acontecimentos aqui resultarem em grandes coisas no futuro.

Jamie, por exemplo, é descoberto pelo Tenente Knox (Michael D. Xavier), que fica sabendo sobre seu parentesco com Murtagh (Duncan Lacroix). Para se proteger, o protagonista mata Knox e cria uma cena de crime perfeita, que jamais o incriminaria. Quando o trecho termina, é fácil se perguntar: se isso não tem consequência nenhuma, porque a série tomou tempo para mostrar todos os passos de Jamie para encobrir o crime? A resposta é que tal morte com certeza voltará em algum momento e o protagonista pode ser severamente cobrado.

O episódio também reserva um tempo para mostrar os problemas no relacionamento entre Brianna e Roger (Richard Rankin). Ainda com a sombra de Bonnet (Edward Speleers) sobre eles, os dois brigam sobre segredos e mágoas não resolvidas. Há um certo incômodo, no entanto, no fato de que a série dá mais ênfase para os sentimentos de Roger. Claro que ele tem motivos para ficar chateado e temer a volta de Bonnet, mas quem sofreu a violência foi Brianna.

É negativo quando a briga acontece e o episódio mostra o quanto Roger está triste com a situação e pensando em um modo de voltar ao presente. O justo, e até mais interessante narrativamente, seria dar esse espaço para Brianna mostrar seus sentimentos, seu conflito interno entre ficar em um passado perigoso, mas ao lado da família, ou ir para um lugar seguro, mas solitário. O arco da personagem é extremamente mais interessante do que o de Roger e a produção só teria a ganhar dando mais espaço a ela.

Ao escolher não explicar ainda os pontos mostrados no capítulo, Outlander entrega um de seus episódios mais contemplativos. Falando sobre fé e as ironias causadas pelo tempo, “Perpetual Adoration” acaba com foco na Claire do presente, quase como um prenúncio de que os tempos de paz estão prestes a ficar para trás e os protagonistas serão, mais uma vez, testados pela vida.