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Créditos da imagem: Outlander/Fox Premium/Divulgação

Séries e TV

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Outlander volta às suas origens ao falar sobre história de amor

5ª temporada mostra história de novos personagens, mas mantém ameaça em segundo plano

Camila Sousa
10.03.2020
15h59

Durante nossa visita ao set da 5ª temporada de Outlander, o showrunner Matthew B. Roberts afirmou que, apesar de se arriscar em outros estilos, a série é acima de tudo sobre amor. E é para esta origem que o episódio “The Company We Keep” se volta.

[Spoilers de “The Company We Keep abaixo]

O capítulo começa com Roger (Richard Rankin) tentando manter a companhia em ordem durante a ausência de Claire (Caitriona Balfe) e Jamie (Sam Heughan). Mas ele é surpreendido quando o pai de uma jovem cobra um dos membros do grupo por ter "desonrado" sua filha e terminado com um noivado que renderia dinheiro e terras para a família.

O desenvolvimento do amor entre Alicia (Anna Burnett) e Isaiah (Jon Tarcy) é rápido, porém convincente. O medo no olhar da jovem ao achar que ele pode se machucar e a amargura dele por, à princípio, não poder ficar com ela, são latentes e fazem o público abraçar o romance rapidamente. Ao fazer isso, a série retorna às suas origens também no que diz respeito à contar histórias novas. Sim, o público adora saber o que está acontecendo com Claire, Brianna (Sophie Skelton) e Fergus (César Domboy), mas o diferencial de Outlander sempre foi mostrar a cultura de sua época pelo olhar de Claire.

É bonito ver, por exemplo, como a protagonista se compadece da jovem quando esta diz que está grávida e ninguém mais irá querê-la. A sororidade entre as duas mulheres é tocante, ao mesmo tempo em que a série faz questão de mostrar como outras julgam Alicia, afinal, para aquela realidade, ela levou vergonha para sua família. Ainda que seja um retrato de época, é curioso entender os paralelos de Outlander com a realidade atual. Muitas mulheres ainda são julgadas quando engravidam fora de casamentos, quando criam seus filhos sozinhas ou ainda quando chegam à maturidade e percebem que não desejam ser mães. A série acerta ao fazer tais paralelos com sutileza e eficiência.

O episódio também mostra a dificuldade de Roger em lidar com os conflitos físicos. Professor em seu próprio tempo, ele fica em dúvida de como reagir e se impôr em um local em que a força física e o poder bélico vencem facilmente uma discussão. O personagem também se sente deixado de lado por Jamie. O pai de Brianna já deixou claro várias vezes que a figura de Roger o incomoda, especialmente por ele não ser a figura de “força” que Jamie imaginou como seu genro. Curiosamente, o personagem de Sam Heughan já se incomodou bastante com as modernidades trazidas por Claire e até ficou com vergonha ao ver uma foto de Brianna na praia no século XX. Mas nada parece o incomodar tanto quanto a postura de Roger. Será interessante se Outlander se aprofundar nisso e, além de falar sobre o papel da mulher naquela sociedade, falar também sobre o homem e as exigências de ser um “líder” e “provedor” de suas famílias.

Aos poucos, Outlander também deixa mais claro qual será o grande antagonista da temporada. Parece batido dizer que a série busca desesperadamente por uma figura tão intensa quanto a de Black Jack Randall (Tobias Menzies), mas isso é verdade e fica claro aqui com o medo sobre a iminente volta de Bonnet (Ed Speleers). Apesar de conseguir fazer suas atividades, Brianna está em um constante pavor pelo retorno de seu agressor e a série deixa claro que ela tem razão ao colocar a câmera atrás de uma árvore, como se alguém observasse a casa e o pequeno Jeremiah. 

Unindo tudo isso, a 5ª temporada de Outlander segue um bom caminho até aqui. Com a aproximação do meio da temporada, a produção precisa agora explorar mais o confronto entre a coroa inglesa e os reguladores e começar a preparar o encontro mais intenso de todos, que será entre Brianna e Bonnet.