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Créditos da imagem: Outlander/Fox Premium/Divulgação

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Outlander pausa história principal para mostrar trama densa com pitada de terror

Série se arrisca em outros estilos, mas não deixa de lado a parte dramática

Camila Sousa
03.03.2020
14h28

Quando uma série chega em sua quinta temporada, é interessante ver como os produtores se sentem à vontade para experimentar novos formatos. “Free Will”, terceiro episódio da temporada atual de Outlander, mantém a parte dramática conhecida da produção, mas pausa sua história principal para mostrar uma trama com pitadas de terror.

[Spoilers de “Free Will” abaixo]

O capítulo começa como qualquer outro de Outlander. Jamie (Sam Heughan) volta para Fraser’s Ridge e reencontra sua amada Claire (Caitriona Balfe). Mas a trama sai rapidamente do lar da família e coloca o casal principal na estrada ao lado de Roger (Richard Rankin), enquanto Brianna (Sophie Skelton) fica responsável por cuidar da propriedade. É neste caminho que os dois encontram uma casa assustadora e parcialmente abandonada, que rende os momentos de terror.

Jamie e Claire vasculham a propriedade e encontram uma mulher sozinha e acuada, com o que seria o cadáver de seu marido se deteriorando. Para dar o tom assustador à cena, o seriado corta a trilha sonora e deixa apenas os sons ambientes. O casal anda pelo local ouvindo apenas os barulhos da natureza, até que a trilha sobe com traços de suspense, deixando o clima ainda mais assustador. 

As sequências são interessantes exatamente por essa novidade de mostrar Jamie e Claire em um contexto de terror mais clássico, com momentos e susto que estariam facilmente em um filme típico do gênero. Outlander já teve momentos assustadores antes, mas sempre com outros contextos maiores, como a Batalha de Culloden e a tortura de Jamie nas mãos de Black Jack Randall (Tobias Menzies). 

Após a experimentação, “Free Will” volta aos trilhos do que é conhecido de Outlander, ao mostrar que o maior horror que pode existir não são fantasmas ou monstros, mas sim a realidade do quanto os humanos podem ser cruéis. Claire e Jamie descobrem que o homem, apesar de extremamente debilitado, ainda estava vivo e que sua esposa foi mantida praticamente refém dele por anos, apanhando e sofrendo em suas mãos, motivo pelo qual ela não cuidou dele em sua doença.

O horror da casa e a realidade daquele casal (uma mulher que se tornou cruel pela violência e um homem agonizando em seus últimos momentos de vida) assusta Claire ao extremo e a faz retomar o tema de mandar Brianna e seu neto de volta ao presente. Não que o futuro esteja livre de pessoas cruéis, mas a personagem fica assustada que o mundo no passado seja tão difícil, especialmente para mulheres e crianças. Jamie não quer se afastar da filha, mas não há como não imaginar que a série está dando pistas do que acontecerá no decorrer da temporada.

Apesar de pausar a trama principal, o capítulo faz alguns avanços interessantes neste sentido, como a descoberta de Claire de que Stephen Bonnet (Ed Speleers) ainda está vivo. Assim como já aconteceu anteriormente com Black Jack Randall, a sombra de Bonnet é explorada aos poucos, rendendo duas camadas de medo: a ameaça física e sua influência psicológica nos personagens, que ficam estáticos apenas ao ouvir seu nome. Guardar o perigo físico do vilão para o final é um acerto da produção, que tem muita coisa para explorar até lá.

Focando em seus personagens principais em uma trama interessante de acompanhar, Outlander tem um bom começo de quinta temporada. O próximo capítulo promete explorar mais dos desafios de Roger no passado, algo que deve intensificar ainda mais os argumentos para a já esperada volta ao futuro de parte da família.