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Outlander se aprofunda em tramas políticas e cita regras sobre viagem no tempo

Quinta temporada coloca protagonistas em lugares separados para desenvolver tramas distintas

Camila Sousa
25.02.2020
21h04

O segundo episódio da quinta temporada de Outlander segue um caminho já feito em outros anos. O seriado colocou os protagonistas Jamie (Sam Heughan) e Claire (Caitriona Balfe) em lugares diferentes para desenvolver tramas distintas e tornar o capítulo mais dinâmico possível.

[Spoilers de “Between Two Fires” abaixo]

Pelo lado de Jamie, o aprofundamento é na trama política da temporada, que traz várias questões. Em prol da causa dos reguladores, Murtagh (Duncan Lacroix) e seus homens atacam uma vila inglesa e torturam os responsáveis por coletar os impostos do povo. Ainda que as quantias exigidas pelos ingleses sejam exorbitantes e prejudiquem muito as pessoas, os métodos utilizados pelo grupo de Murtagh assustam até mesmo Jamie. 

Sem medo de ter cenas gráficas de violência e sangue, Outlander traz à tona a discussão sobre até que ponto uma causa tem razão com o uso de ações violentas. Será que os reguladores foram longe demais ao torturar os ingleses? Estes, por sua vez, reagem aos atos com ainda mais violência, criando um ciclo difícil de ser quebrado, a não ser que uma das partes dê o braço a torcer. A forma como a série faz discute a questão também passa longe do puritanismo. É pelo olhar de Jamie que o tema é mostrado, dando ênfase em como ele desacredita que o padrinho faça parte de tamanha crueldade. Além disso, o protagonista teme que os ânimos acirrados levem à um conflito direto, no qual ele não poderá manter seu jogo duplo. 

Aliás, a trama política do episódio ressalta mais uma vez como Jamie é bom em fazer política. Seu ar maduro e confiante nas palavras faz com que as pessoas ao seu redor acreditem no que está falando. Não é a primeira vez que ele age de tal forma para proteger aqueles que ama e trazer isso de volta remete à bons momentos de temporadas anteriores do seriado.

Ao mesmo tempo, Claire está em Fraser’s Ridge e continua com um dilema antigo: seu deslocamento em ser uma mulher do futuro que vive no passado. Ao invés de sentir falta de confortos como a energia elétrica, a tristeza de Claire vem do fato de que ela não pode curar as pessoas como gostaria. É difícil para qualquer médico perder um paciente na mesa, mas o sentimento se torna ainda mais intenso quando a protagonista vê a morte acontecer por uma doença simples, que teria cura certa no futuro.

Mas é claro que Claire não ficaria apenas triste e se lamentando. Rapidamente a médica começa um plano para criar uma versão próxima do que seria a penicilina, antibiótico capaz de curar diversas infecções. É esta ação que traz um conceito pouco discutido em Outlander, apesar de estar sempre presente: será que a linha do tempo pode ser alterada e “bagunçada”? O questionamento vem de Brianna (Sophie Skelton), que acha perigoso a mãe tentar criar um medicamento que só será descoberto em 100 anos. 

Ainda que a viagem no tempo seja o tema central de Outlander, a série nunca teve o objetivo de discutir cientificamente ou literalmente as possíveis implicações disso. O foco sempre foi nos sentimentos dos personagens e como suas vidas são alteradas por algo tão difícil de explicar. Talvez isso incomode algum espectador de primeira viagem, que pode considerar um absurdo o seriado não tratar de temas como linha do tempo, etc. No entanto, para a base de fãs da série, está tudo bem. O diálogo de Claire para Brianna, inclusive, para ser uma resposta para quem se incomoda: “que se dane a história”. É uma resolução simples e romântica, é claro, mas que funciona no contexto de Outlander.

O término do episódio acontece com a revelação de mais perigo, talvez um que muitos fãs não consideraram até agora. Desde que Stephen Bonnet (Ed Speleers) escapou da morte na temporada anterior, há um receio por parte de todos de que ele faça mal a Brianna novamente, ataque os Fraser, coloque as vidas de Jamie e Roger em risco, etc. Mas a ameaça o que o vilão representa se torna maior do que tudo isso quando ele afirma que agora é pai, indicando que pode ir atrás de Brianna não por ela, mas sim por seu filho. Desde que foi estuprada por Bonnet e descobriu sua gravidez, a jovem encontrou forças para seguir em frente (ainda que com traumas, é claro) por conta da criança, pelo desejo de que aquela nova vida fosse diferente da violência que poderia ser sua origem. Uma ameaça à Jeremiah é uma das piores coisas que pode acontecer com Brianna e todos os Fraser.

Ao apresentar tudo isso, o segundo capítulo da temporada muda totalmente o tom essencialmente positivo do primeiro, que teve como destaque o casamento de Brianna e Roger (Richard Rankin) Como já aconteceu anteriormente, todos os personagens estão à um passo de um grande perigo e risco de morte, algo que torna Outlander uma série instigante, que vai muito além de sua história de amor central.