As diferenças entre as séries da Marvel na Netflix e no Disney+

Créditos da imagem: Netflix/Marvel Studios/Disney/Divulgação

Séries e TV

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As diferenças entre as séries da Marvel na Netflix e no Disney+

Diferentemente da gigante do streaming, nova plataforma terá produções diretamente ligadas ao MCU

Nicolaos Garófalo
09.09.2019
21h00
Atualizada em
09.09.2019
20h32
Atualizada em 09.09.2019 às 20h32

Ao anunciar o lançamento de sua própria plataforma de streaming, onde não só disponibilizará quase todo o seu repertório, mas também transmitirá com exclusividade inúmeros conteúdos digitais ligados a suas várias propriedades, a Disney mudou as regras do jogo de transmissão on demand, dando um belo golpe em outros “jogadores” do negócio, especialmente aquele com quem tinha um contrato de parceria. Junto com a Marvel Television, a Netflix produziu seis séries inspiradas em heróis da Casa das Ideias, lançadas entre 2015 e 2019.

Tudo começou com Demolidor. Protagonizado por Charlie Cox, o seriado do Homem Sem Medo foi um sucesso de público e de crítica e, apesar de fazer referências ao Universo Cinematográfico supervisionado por Kevin Feige, destoava da franquia com altas doses de violência, palavrões e uma paleta escura, completamente diferente dos filmes dos Vingadores, mas se encaixando perfeitamente no leque de produções originais que a Netflix estava lançando na época.

Feige gosta de fazer as coisas do seu jeito e isso já custou ao MCU nomes como Joss Whedon, Patty Jenkins, Edward Norton, Edgar Wright e – temporariamente – Natalie Portman. As diferenças entre a Marvel das telonas e a Marvel do streaming claramente não estavam agradando o produtor, que se esforçou para, aos poucos, separar as franquias.

Com o desenvolvimento de novas séries como Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro, os eventos cinematográficos da Marvel passaram a ser cada vez menos frequentes nas atrações. Tendo em vista a linha cronológica oficial da Marvel lançada no livro Marvel Studios: The First 10 Years (via ScreenRant), Thanos (Josh Brolin) teria eliminado metade do universo em 2017. Diferentemente dos filmes, as séries da Netflix sempre se passavam no mesmo ano de seus lançamentos e, apesar de Guerra Infinita só chegar aos cinemas em 2018, é difícil imaginar que o “Estalo” não fosse percebido pelos Defensores de uma das maiores metrópoles do mundo.

Ao mesmo tempo, lembrar que Tony Stark (Robert Downey Jr.) deu preferência a um adolescente de 15 anos ao invés de um gigantesco homem a prova de balas ou uma investigadora com superforça mostra o quanto Feige e a Disney quiseram distanciar os Vingadores de seus heróis mais “pé-no-chão”. Diferentemente das séries da ABC, como Agents of SHIELD e Agent Carter, a Netflix parecia nunca ter permissão para refletir os eventos do cinema, a não ser com pequenas referências.

Pensar que Homem-Aranha (Tom Holland), Demolidor, Luke Cage (Mike Colter) e Jessica Jones (Krysten Ritter) vivem procurando problemas por Manhattan e NUNCA se esbarraram, ou que as Indústrias Stark jamais tentaram se aproveitar da inocência de Danny Rand (Finn Jones) para uma tomada hostil das Empresas Rand deixa apenas a conclusão de que MCU e Marvel Netflix, apesar de começarem como um, sofreram uma cisão, especialmente após o desapontamento que foi a única temporada de Defensores.

Outra grande prova dessa divisão está na reutilização de atores para personagens diferentes. Alfre Woodard, por exemplo, viveu Black Mariah em Luke Cage desde sua primeira temporada, mas apareceu como Miriam Sharpe, mulher que perde o filho no conflito que inicia os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil.

Outro de Luke Cage que está garantido no futuro do MCU é Mahershala Ali. Na série, o ator viveu o vilão Boca de Algodão/Cottonmouth. Agora, o ganhador do Oscar se prepara para interpretar Blade nos cinemas, mostrando que Feige e Disney descartaram de vez o que foi produzido com seus personagens na Netflix.

A chegada do Disney+ e a desvalorização das séries por parte da Marvel Studios levou ao cancelamento repentino de todas as produções que a plataforma tinha em suas mãos. Luke Cage, O Justiceiro e Punho de Ferro terminaram com ganchos que dificilmente serão resolvidos. Cancelada durante as gravações de seu terceiro ano, Jessica Jones se despediu com sua melhor temporada, deixando gosto de quero mais. Melhor série da franquia, Demolidor teve o final mais dolorido, já que produções de super-herói para TV com tanta qualidade e consistência são uma raridade em um mar de mediocridade.

Mas e o Disney+?

Querendo diferenciar o Disney+ de outras plataformas como Hulu e Netflix, a Casa do Mickey não perdeu tempo e anunciou séries exclusivas de suas principais propriedades: Star Wars ganha The Mandalorian e o MCU, por sua vez, é agraciado com as produções WandaVision, Falcão & O Soldado Invernal, Loki e Gavião Arqueiro, todas estrelada por atores já consagrados por seus trabalhos no Marvel Studios. A lista cresceu ainda mais na D23 deste ano, com as adições de Ms. Marvel, Mulher-Hulk e Cavaleiro da Lua.

Além das séries serem produzidas pela própria Disney e não por terceiros, como era o caso da franquia Defensores, elas estarão diretamente ligadas aos longas do MCU e debaixo do guarda-chuva Marvel Studios, tendo, assim, envolvimento direto de Kevin Feige, que garantiu a conexão entre as produções cinematográficas e as do Disney+.

As quatro primeiras séries anunciadas para a ferramenta lidarão com as consequências de Ultimato, enquanto as mais recentes devem afetar o futuro do MCU, especialmente de personagens como Carol Danvers (Brie Larson) e Bruce Banner (Mark Ruffalo). Isso sem contar a animação What If...?, que apresentará universos alternativos para cada um dos filmes da franquia até agora.

Ao contrário do que acontecia na agora rival, o Marvel Studios – e por consequência, Kevin Feige – terá controle absoluto sobre cada decisão tomada, seja na escalação de elenco, rumo da história e até mesmo a classificação indicativa. Por mais atrativo que seja ver o Frank Castle de Jon Bernthal, seu Justiceiro sanguinolento jamais faria parte do mesmo universo do justo T’Chala de Chadwick Boseman.

Não está claro como a Disney ou a Marvel lidará com as propriedades hoje em posse da Netflix. Pelo acordo, os Defensores e outros personagens ligados a eles só poderão ser usados a partir de 2020. Agora, será que o estúdio vai aproveitar o que já foi? Se Ali como Blade for nossa referência, é bom já pensarmos em novos nomes para defender Manhattan.