Cailee Spaeny em Priscilla

Créditos da imagem: Priscilla/A24/Reprodução

Oscar

Lista

8 filmes que não foram para o Oscar 2024, mas deveriam

Omelete escolhe os melhores filmes de 2023 que foram esnobados pela Academia

Omelete
1 min de leitura
24.01.2024, às 18H29
ATUALIZADA EM 25.01.2024, ÀS 08H01
ATUALIZADA EM 25.01.2024, ÀS 08H01

Todo mundo sabe que, embora ainda seja o prêmio mais importante do cinema estadunidense, o Oscar também é… um pouco míope, para ser bem diplomático. Seja por conta da nacionalidade dos filmes, da temática que eles abordam ou simplesmente por terem sido deixados de lado pelos estúdios, que normalmente gastam milhões em campanhas para fazer suas produções chegarem à premiação, muito cinema de qualidade fica de fora do Oscar todo santo ano - e 2024 não foi diferente! Por isso, a redação do Omelete se juntou para selecionar aqueles filmes do ano passado que merecem ser vistos, mesmo que tenham ficado de fora da premiação.

Priscilla

Desde Encontros e Desencontros, o Oscar nunca mais lembrou de uma das maiores — e melhores — nepobabies de Hollywood. Sofia Coppola tem uma visão única e particularmente romântica sobre o tédio, e se delicia em narrativas de sofrimento dos privilegiados, mas é possível que em toda sua filmografia, ela nunca tenha feito um filme tão tocante, neste sentido, quanto Priscilla. Parte de uma onda de filmes sobre esposas tristes, o seu mais novo longa traz um retrato singelo sobre a vida da esposa de Elvis — e recebê-lo pouco depois do espetáculo do Elvis de Baz Luhrmann nos rendeu um contraste bonito de ver nos cinemas. Priscilla podia ter sido lembrado por seu roteiro — e Cailee Spaeny não ficaria nada deslocada na categoria de Melhor Atriz por sua protagonista. Por Ju Sabbaga

Ferrari

Mesmo com um elenco de peso e uma direção conduzida de forma maestral por Michael Mann, Ferrari acabou completamente esquecido do Oscar 2024. Focado em um dos momentos mais delicados da vida do fundador da Scuderia Ferrari, o longa se aproveita da ânsia de vitória e das crises familiares para traçar a jornada de Enzo Ferrari (Adam Driver) na Mille Miglia de 1957. Recriar os inúmeros acidentes — incluindo aquele que marcou o fim do evento automobilístico, e trazer a sensação de um carro de corrida para as telas mereciam apenas uma menção nas categorias de Som ou Efeitos Visuais. Mas o mais frustrante? A ausência de Penélope Cruz, com uma das performances mais doloridas de sua carreira. No papel de uma mãe enlutada que precisa lidar com uma crise no casamento e também em seu futuro, a atriz emocionou grande parte do público na 47ª Mostra de São Paulo (inclusive eu). O filme estreia nos cinemas brasileiros em 22 de fevereiro. Por Juliana Melguiso

Folhas de Outono

O cineasta finlandês Aki Kaurismäki é conhecido por esnobar o Oscar — ele se recusou a comparecer à cerimônia quando O Homem sem Passado foi indicado em 2003, por sua posição contra a Guerra do Iraque —, mas ainda assim é uma pena que o seu Folhas de Outono tenha ficado de fora do Oscar 2024. O concorrente da Finlândia a filme internacional é a comédia dramática mais acessível de Kaurismäki e uma ótima porta de entrada para seu cinema solidário marcado, sempre de forma muito consistente, pelo humor seco e pela melancolia dos desencontros. Por Marcelo Hessel

Regra 34

Todos os anos, o cinema nacional produz pérolas que reafirmam a nossa excelência técnica e espírito inovador dentro da sétima arte, e Regra 34 certamente é uma delas. A bem da verdade, eu poderia muito bem ter escolhido falar de outras, como Retratos Fantasmas, Medusa ou Pedágio, mas uma das vantagens da pluralidade do cinema brasileiro é que cada espectador pode escolher um favorito a partir de sua subjetividade. Regra 34 falou comigo profundamente ao desvendar paralelos entre desejo e realidade, se apoiando na performance corajosamente complexa de Sol Miranda (minha favorita de 2023 no cinema) para mostrar como a sexualidade se encaixa em um mundo de relações mediadas por um milhão de parâmetros sociais e históricos diferentes. Enfim, a moral da história é não se deixar levar pelos anos de fracassos do Brasil no Oscar — se eles não entendem nossa primazia, cabe a nós mesmos celebrá-la. Por Caio Coletti

Todos Nós Desconhecidos

O filme do diretor Andrew Haigh era reconhecidamente um azarão na temporada de premiações, isso é inegável. Mas é uma pena que nem o ator Andrew Scott tenha cavado uma vaguinha nesse ano com sua performance, uma das mais doces, duras e introspectivas no ano. Vivendo um roteirista preso entre traumas do passado e as possibilidades do futuro, Scott expressa às vezes com um simples olhar uma avalanche de sentimentos, conforme revisita seus pais em um exercício de memória, ora anacrônico, ora apenas incrivelmente revelador. Cheio de nuances, Todos Nós Desconhecidos é daqueles filmes contidos, mas nem por isso pequenos, que vale assistir no cinema — muito embora levar lencinhos seja mais do que recomendável. Todos Nós Desconhecidos estreia em 29 de fevereiro nos cinemas. Por Mariana Canhisares

Tartarugas Ninja: Caos Mutante

Nada contra Elementos, achei o filme extremamente fofo e bem divertido, mas nada lá foi muito diferente do que a Pixar já vem apresentando há anos. Tartarugas Ninja: Caos Mutante, por outro lado, foi pra mim uma das três melhores animações ocidentais do ano, ao lado de Nimona e do novo Aranhaverso, e merecia bem mais essa indicação. O método de animação, os traços bizarros e o retrato adolescente único de Leonardo, Michelangelo, Raphael e Donatello fez do filme a melhor adição à franquia em anos e apagou as desastrosas produções live-action dos anos 2010. Comovente, Caos Mutante dificilmente levaria a estatueta tendo em vista a competição com O Menino e a Garça ou Através do Aranhaverso, mas merecia ter sido lembrado pela Academia, que, mais uma vez, indicou um longa ok da Disney mais pela grife que por sua qualidade. Por Nico Garófalo

Crescendo Juntas

Não há nada mais confortante do que uma história leve e sincera de amadurecimento, e é precisamente isso que Crescendo Juntas entrega. O filme de Kelly Fremon Craig acompanha Margaret (Abby Ryder Fortson), uma pré-adolescente que vê sua vida virar do avesso quando seus pais resolvem se mudar. Passando por todas as questões típicas da fase, a garota se vê obrigada a fazer novas amizades e começa a refletir sobre sua relação com a religião, o que revela novas camadas em suas relações com a mãe, Barbara (Rachel McAdams), e a avó, Sylvia (Kathy Bates). O filme passeia com sensibilidade e bom-humor entre todas as questões, construindo uma história muito cativante. McAdams, em especial, está em seu melhor como uma mãe que precisa revisitar seu passado à medida que a filha começa a fazer perguntas sobre sua família -- e poderia ter cavado uma vaguinha como Melhor Atriz Coadjuvante. O filme está disponível na HBO Max. Por Beatriz Amendola

Suzume

Quando a Academia divulgou a lista de filmes elegíveis para o Oscar 2024, chamou a atenção a presença de alguns longas japoneses, como O Menino e a Garça, Godzilla Minus One e Suzume, o filme mais recente de Makoto Shinkai (Your Name, O Tempo Com Você). Porém, Suzume foi completamente esnobado pela premiação, mas isso não significa que você não deveria assisti-lo. A trama da animação acompanha a personagem-título, uma jovem de 17 anos que encontra uma porta mágica em meio a ruínas na sua pequena cidade no Japão. Ao tentar passar por ela, a jovem percebe que outros portais semelhantes por todo o país também se abriram, causando destruição ao seu redor. Ela, então, decide partir em uma missão para fechar todas as portas, e desvendar o mistério por trás delas. Uma história de amor moderna como apenas Shinkai poderia fazer, Suzume é uma jornada intensa sobre os traumas do Japão e merece ser visto. O filme está disponível na Crunchyroll. Por Pedro Henrique Ribeiro

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