Elizabeth Olsen e Paul Bettany em WandaVision

Créditos da imagem: WandaVision/Disney+/Reprodução

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WandaVision | Conheça as sitcoms que inspiraram a nova série da Marvel

Produção usa clássicos da TV americana como molde para o novo, esquisito e divertido capítulo do romance entre Feiticeira Escarlate e Visão

Nicolaos Garófalo e Mariana Canhisares
19.02.2021
16h44

O primeiro encontro entre os Vingadores e Thanos em Guerra Infinita botou um fim prematuro à história de amor entre Wanda e Visão. Ainda assim, em WandaVision, nova série do MCU (Universo Cinematográfico Marvel) para o Disney+, os pombinhos estão inexplicavelmente juntos novamente, vivendo um casamento “perfeito” como se nada tivesse acontecido. A resposta para isso passa pelos poderes da Feiticeira Escarlate, e quadrinhos como Dinastia M dão pistas interessantes de como a heroína contornou o destino trágico do amado e criou esta realidade ideal.

Mas, para levar isso às telas, a Casa de Ideias tomou uma decisão peculiar. Deixando para trás a fórmula que consagrou seu universo cinematográfico, o seriado retrata esse novo capítulo do romance entre os heróis a partir de releituras de sitcoms clássicas da TV americana. Afinal, desde os anos 1950, estas produções ajudaram a moldar a ideia do que seria uma família feliz, justamente o que a Feiticeira Escarlate queria ter ao lado do seu querido androide.

No entanto, nem todos os títulos são familiares ao público brasileiro e, portanto, algumas referências nos episódios de WandaVision podem passar despercebidas. Para que você não perca nenhum detalhe, confira a seguir um pouco sobre as principais sitcoms usadas como base para cada episódio da nova série da Marvel:

Ep. 1: The Dick Van Dyke Show e I Love Lucy

A inspiração de WandaVision retirada de produções do final dos anos 1950 e início dos anos 1960 nunca foi um segredo. O primeiro material apresentado da série, uma espécie de teaser exibido na D23, já apontava como The Dick Van Dyke Show moldaria não apenas a estética, como o formato que a série da Marvel seguiria, fato que se comprovou nesta sexta-feira (15), no episódio de estreia. Como as sitcoms daquela época, o capítulo foi gravado em preto e branco e diante de uma plateia - sim, as risadas não foram adicionadas na pós-produção, foi tudo ao vivo. Além disso, os poderes da Feiticeira Escarlate não foram demonstrados por meio de computação gráfica, mas usando efeitos práticos para dar a impressão de que os utensílios domésticos realmente estão voando.

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Lançada em 1961, The Dick Van Dyke Show retratava a vida doméstica e o trabalho de seu protagonista, Rob Petrie. O personagem, interpretado por Dick Van Dyke, conhecido também por viver Bert em Mary Poppins, era o principal roteirista de uma série e, por isso, a sitcom se dedicava a mostrar um pouco dos bastidores da TV. Além disso, o seriado mostrava sua convivência com a mulher e o filho, assim como a amizade do casal com seus sempre presentes vizinhos. Te soa minimamente familiar?

Como se observa nas sitcoms ainda hoje, The Dick Van Dyke Show tinha episódios de 20 e poucos minutos. No total, foram cinco temporadas, 158 episódios e um especial de reencontro do elenco. Além do ator que dá título à série, o elenco ainda contava com Mary Tyler Moore, Morey Amsterdam e Larry Mathews.

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Mas esta não é a única referência presente no primeiro episódio de WandaVision. I Love Lucy, um dos principais títulos responsáveis pela popularização das sitcoms nos Estados Unidos, também é uma das fontes de inspiração. Estrelada por Lucille Ball, a série foca na mulher de um músico que quer porque quer ser uma estrela. No entanto, sua ambição não é exatamente acompanhada de talento, e por isso ela acaba se colocando - e arrastando o marido e a melhor amiga também - em situações delicadas. I Love Lucy foi exibida entre 1951 e 1957, quando os episódios de 24 minutos viraram especiais de uma hora. Nesse formato, ficou no ar até 1960.

Ep. 2: A Feiticeira e Jeannie É um Gênio

Você ficou com a impressão de que já viu a abertura do segundo episódio de WandaVision em algum lugar? Essa sensação não é à toa. Uma das grandes inspirações para esse capítulo é A Feiticeira, que começava justamente com uma sequência de animação. Relembre:

Por muitos anos, A Feiticeira foi exibida na TV aberta no Brasil, então talvez você se recorde da sua premissa. Protagonizada por Elizabeth Montgomery, a série acompanhava uma feiticeira que, ao se casar com um homem comum, tenta de todas as maneiras levar uma vida ordinária de dona de casa. Quer dizer, esta não poderia ser uma referência mais adequada para WandaVision.

Mas os acenos à A Feiticeira não param por aí. O jeito atrapalhado de Visão bebe justamente na personalidade do marido de Samantha Stephens, James Stephens - personagem que foi interpretado por Dick York e Dick Sargent em fases diferentes da sitcom. E, como Wanda, Samantha acaba usando seus poderes para facilitar a vida deles. A série ficou no ar entre 1964 e 1972 na TV americana, somando 254 episódios e muitas indicações a grandes premiações.

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Outro conhecido relacionamento pauta este episódio de WandaVision: o romance entre Jeannie (Barbara Eden) e o astronauta Anthony (Larry Hagman) de Jeannie É um Gênio. A sitcom, que acompanhava o casal desde seu inusitado primeiro encontro até o casamento, teve cinco temporadas, exibidas entre 1965 e 1970, e 139 episódios.

Ep. 3: The Brady Bunch e Mork & Mindy

O preto e branco das décadas de 1950 e 1960 ficam para trás no terceiro episódio de WandaVision. Entrando nos anos 1970, a sala de estar dos heróis ganha cores e uma nova decoração, que imediatamente remetem a The Brady Bunch. Mas, além de elementos como a escada, a sitcom aparece no capítulo na própria maneira como Wanda age, como se fosse uma releitura de Marcia Brady, a personagem de Maureen McCormick na comédia.

Elenco de The Brady Bunch
ABC/Divulgação

Lançada em 1969, The Brady Bunch acompanhava a história de uma divertida família, encabeçada por Mike Brady (Robert Reed) e Carol Martin (Florence Henderson). Viúvos do primeiro casamento, cada um teve três filhos antes de juntar as escovas de dente novamente - Mike três meninos, e Carol três meninas, dentre elas Marcia. A reconfiguração dos Bradys, claro, trouxe muitas confusões, desde desavenças sobre as acomodações até competição entre irmãos e outros tantos dramas da adolescência. Não à toa, a série teve cinco temporadas, além de filmes para a TV e um derivado nos anos 1990. Como uma produção da ABC, não é de se surpreender que ela seja homenageada em WandaVision, afinal a Disney é dona da emissora agora.

Robin Williams e Pam Dawber em Mork and Mindy
ABC/Divulgação

Embora The Brady Bunch seja a referência principal para o episódio, outra sitcom se destaca no episódio: Mork & Mindy. Para começar, a série que apresentou Robin Williams tem uma premissa que faz muito sentido com a temática de WandaVision. Lançada em 1978 como um derivado de Happy Days, outra comédia de sucesso da TV americana, a série contava a história de um extraterrestre que tentava, sem muito êxito, entender o comportamento dos humanos - inadequação que se aplica tanto à Feiticeira Escarlate, quanto ao Visão na produção do Disney+, não é? Logo que chega nesse planeta, Mork conhece Mindy, uma jovem bastante chateada com seu namorado. De cara, eles se tornam amigos e, eventualmente, se casam e têm filhos.

Além de premissas semelhantes, a abertura desse terceiro capítulo lembra ao menos parte da abertura de Mork & Mindy - o trecho mais cotidiano, que mostra a vida na cidadezinha de Mindy, e não a viagem de Mork até a Terra. A série ficou no ar até 1982, tendo quatro temporadas no total.

Ep. 5: Três É Demais, Caras & Caretas e Roseanne

ABC

Sabendo da conexão de Elizabeth Olsen e sua família com Três É Demais, era de se esperar que WandaVision se apoiasse na série lançada em 1987 quando ela fosse passar pelos anos 1980. O visual, a sequência de abertura e até mesmo a relação de Wanda e Visão com os gêmeos Tommy e Billy são bem próximos ao que era mostrado na séria estrelada por Bob SagetJohn StamosDave Coulier - e que lançou as então pequeninas gêmeas Mary-Kate Ashley Olsen ao estrelato.

NBC

Outra série que também foi referenciada em "Em Um Episódio Muito Especial..." foi Caras & Caretas, sitcom da NBC que lançou Michael J. Fox. Na produção, um casal ex-hippie precisa aprender a conviver com Alex, seu filho conservador e de opiniões políticas fortes. Os embates entre Wanda e Visão no capítulo trazem semelhanças com os que a família Keaton tinha entre 1982 e 1989.

ABC

Já a vida agitada dos pais vivendo no subúrbio americano tem seus pés em Roseanne, que mostrava um casal enfrentando os desafios de criar os filhos ao mesmo tempo em que trabalhavam duro para sustentar a vida que levavam. Mas a conexão mais interessante da comédia com WandaVision, no entanto, está justamente na mudança repentina de elenco. Assim como aconteceu com o personagem que deu as caras em "Em Um Episódio Muito Esppecial...", a jovem Becky foi vivida por duas atrizes: primeiro por Lecy Goranson e depois por Sarah Chalke. A fala de Darcy sobre a mudança de atores ao final do episódio recria o choque que o público fiel de Roseanne teve ao ver que a filha da personagem titular havia mudado.

EP. 6: MALCOLM IN THE MIDDLE

20th Century Fox Television/Divulgação

“Um Halloween Assustadoramente Inédito” não deixa a menor ponta de dúvida de qual é a inspiração de WandaVision para a semana. Logo de cara, Feiticeira Escarlate, Visão, os gêmeos e até o tio Pietro fazem sua própria versão da abertura de Malcolm in the Middle, revelando que dessa vez Billy e Tommy terão em alguma medida o protagonismo da história.

Lançada em 2000, a comédia acompanhava as peripécias de Malcolm, um adolescente genial e filho do meio de uma família disfuncional. O personagem era interpretado por Frankie Muniz, um dos rostos mais marcantes dos filmes infanto-juvenis do início da década, estrelando O Grande Mentiroso, Dr. Dolittle 2 e O Agente Teen. No entanto, ele não é o único astro de destaque no elenco. Muito antes de Walter White, Bryan Cranston interpretou o patriarca da família de Malcolm, Hal. O elenco ainda contava com Christopher Masterson, Jane Kaczmarek, Erik Per Sullivan e Justin Berfield.

Malcolm in the Middle ficou no ar até 2006, somando sete temporadas e 151 episódios. No Brasil, a série foi exibida pela FOX e, na TV aberta, na Band e na Record.

EP. 7: MODERN FAMILY, THE OFFICE, FAMÍLIA ADDAMS E MAIS!

No sétimo episódio, “Derrubando a Quarta Parede”, WandaVision se aproxima agora de produções mais familiares da nossa época. Essa mudança não é à toa. Com a Feiticeira Escarlate admitindo que sua família é, na realidade, bastante disfuncional, nenhuma série poderia ser mais adequada para servir como referência do que Modern Family.

Julia Bowen em Modern Family
Modern Family/ABC/Reprodução

Lançada em 2009, a comédia acompanha a rotina e as situações curiosas enfrentadas por três núcleos de uma mesma família - dentre os quais um casal homossexual e, por isso, o uso do "moderna" no título. Como referência para WandaVision, o mais importante deles é o centrado em Claire, personagem de Julie Bowen que, como a Vingadora nessa produção, foge do estereótipo da mãe perfeita dos anos 1950 e, olha só, é obcecada por controle.

Além da semelhança com a matriarca da família Dunphy, vale notar como a sala e a cozinha neste episódio de WandaVision são reproduções muito próximas dos cenários da série da ABC e, mais importante ainda, o uso do formato do falso documentário para narrar a trama.

O elenco de Modern Family ainda conta com ótimos nomes, como Ty Burrell, Sofía Vergara e Eric Stonestreet. A série se encerrou no ano passado, após 11 temporadas e 250 episódios.

The Office
NBC/Divulgação

Outra série referenciada em “Derrubando a Quarta Parede” foi The Office, mas de modo mais sutil. Ainda que o letreiro final seja uma reprodução do logo de Modern Family - entre outros easter eggs, como o aceno ao filme Um Peixe Chamado Wanda -, a abertura do episódio imita, em alguma medida, a música-tema da comédia estrelada por Steve Carell.

The Office foi criada em 2005 por Greg Daniels, como um remake americano da sitcom britânica assinada por Ricky Gervais e Stephen Merchant. Com um elenco divertidíssimo, que contava com Rainn Wilson, John Krasinski e Mindy Kaling, a série usava também o formato do falso documentário, dessa vez para acompanhar o dia a dia de um escritório que vende papel. A produção teve nove temporadas, somando 188 episódios, e como Modern Family venceu um Globo de Ouro.

A revelação sobre a identidade da vizinha Agnes, por sua vez, rendeu outras referências, a começar pela Família Addams. Clássico dos anos 1960, a comédia protagonizada por John Astin e Carolyn Jones acompanhava as desventuras de uma família macabra e amorosa, encabeçada por Mortícia e Gomez. A produção teve duas temporadas e 64 episódios - além, é claro, de servir de base para o filme mais tarde lançado nos anos 1990.

Na cena sobre as peripécias de Agatha Harkness, há ainda um aceno a The Munsters que, como A Família Addams, ficou no ar entre 1964 e 1966. A comédia criada por Ed Haas e Norm Liebmann também focava na história de uma família monstruosa e seus mal-entendidos ao se encontrar com pessoas "normais". No total, foram duas temporadas e 72 episódios.

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