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Morte de diretora provoca debate sobre o uso de armas cenográficas em sets

Halyna Hutchins foi atingida por um disparo acidental durante as gravações de Rust

Mariana Canhisares
22.10.2021, às 12:02

O trágico incidente no set de Rust que tirou a vida da diretora de fotografia Halyna Hutchins na última quinta-feira (21) levantou um debate sobre o uso de armas cenográficas em produções da TV e do cinema. De acordo com o diretor Craig Zobel, que recentemente comandou o set da premiada Mare of Easttown, não há porquê manter essa prática.

"Deveria ser completamente ilegal. Há computadores agora. Os tiros em Mare of Easttown são todos digitais. Você provavelmente consegue notar, mas quem se importa? É um risco desnecessário".

O roteirista David Slack, que assina séries como Law & Order e Magnum PI, faz eco ao argumento de Zobel. "Armas cenográficas são armas. Os cartuchos têm pólvora de verdade neles. Eles podem machucar e matar -- e eles fizeram isso. Se você um dia estiver em um set que uma arma cenográfica for tratada sem o devido cuidado e segurança, vá embora".

Como destacou Slack, armas cenográficas são armas. A expressão é bastante genérica e pode se referir tanto a armas não-funcionais, quanto a instrumentos adaptados para disparar cartuchos modificados. Vale notar que esses cartuchos contém, sim, pólvora. A diferença para um de verdade é a ausência do projétil, isto é, a ponta do cartucho. Esse é um recurso para garantir autenticidade à cena, já que o som, a luz e o coice da arma é o mesmo.

Não à toa, Hutchins não foi a primeira vítima de um incidente desse tipo. Um caso emblemático é do ator Brandon Lee, que morreu nos anos 1990 depois de um acidente nas gravações de O Corvo. Na ocasião, a equipe de filmagens não percebeu que havia uma bala de verdade presa no tambor da arma cenográfica disparada pelo ator Michael Massee. Lee tinha apenas 28 anos. 

Ainda assim, a indústria americana amanheceu em choque diante da notícia e, entre homenagens e lamentações, houve quem tenha feito um voto para nunca mais usar armas desse tipo, como foi o caso do produtor Jarett Furst. Veja: 

"Não consigo acreditar na notícia que recebi hoje, saber que você se foi. Isso me chocou profundamente. Você foi uma artista e uma pessoa incrível. Você se importava tanto com cada projeto e sempre foi um rosto sorridente amigável quando nos encontrávamos em eventos. Você sempre deu muito apoio a todos à sua volta e colocava seu coração na tela, é perceptível. Nunca mais usarei outra arma no set até o final da minha vida, é uma verdadeira tragédia e sentiremos muito sua falta. Por favor, descanse em paz ainda que seja MUITO cedo... Vou sentir saudades".

O incidente que matou Hutchins e feriu o diretor Joel Souza está em investigação e, até o momento, nenhuma acusação formal ou prisão foi feita. Souza já recebeu alta do hospital.

Hutchins se formou no Instituto de Cinema Americano em 2015 e tinha trabalhado em diversos curta-metragens antes de trabalhar em Archenemy (2020), com Joe Manganiello. Em 2019, ela foi considerada uma "estrela em ascenção" pela revista American Cinematographer.

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