Apple e Netflix/Divulgação e Reprodução (Montagem)

Créditos da imagem: Apple e Netflix/Divulgação e Reprodução (Montagem)

Séries e TV

Artigo

Emmy 2021: Como a pandemia abriu espaço para surpresas nas indicações

Nomeações deste ano tiveram de lidar com a ausência de campeões do ano anterior e número reduzido de submissões

Flávio Pinto
13.07.2021
19h34
Atualizada em
14.07.2021
20h15
Atualizada em 14.07.2021 às 20h15

Desde o início, era previsto que a lista de indicados à 73.ª edição dos prêmios Emmy seria muito confusa — ou até um desastre total. Para começar, os grandes vencedores da edição anterior (Schitt's Creek, Succession e Watchmen) não estavam elegíveis este ano. Depois, boa parte dos indicados recorrentes ao prêmio (Killing Eve, OzarkMarvelous Mrs. Maisel, Stranger Things e Better Call Saul)  também não ficaram prontos a tempo por conta da pandemia. E com a expansão no número de vagas nas categorias de melhor série, parecia que todos os ingredientes para um desastre estavam devidamente encaminhados. 

Surpreendentemente, não foi bem isso que aconteceu. Nas indicações anunciadas hoje (13), muitas surpresas agradáveis foram vistas - ainda que algumas escolhas estranhas, como sempre, deixem claro a necessidade de mudanças para revigorar de uma vez por todas a forma como os “melhores da televisão” são escolhidos anualmente, ou pelo menos deixar a premiação um pouco mais justa.

O que já era esperado era que The Crown iria dominar a lista de indicados. A quarta temporada da série sobre a Rainha Elizabeth 2ª foi o grande fenômeno desta última temporada de televisão, passando como um trator na última temporada de prêmios. Com o título de série mais indicada do ano, e sendo lembrada em praticamente todas as categoriais disponíveis, como roteiro, direção, todas as de atuação, além de algumas surpresas, como Emerald Fennell (que venceu o Oscar este ano de melhor roteiro original, por Bela Vingança) por interpretar Camilla Parker Bowles, além da Claire Foy, que apareceu por uns 50 segundos em um dos episódios, é chover no molhado afirmar que a série é a favorita para o troféu de melhor drama. 

Netflix/Divulgação
Netflix/Divulgação

Outra surpresa óbvia, que também abocanhou muitos prêmios, Ted Lasso se tornou a comédia estreante mais indicada da história da premiação. A comédia fofa sobre um treinador de um time de futebol britânico, estrelada, criada, produzida e escrita por Jason Sudeikis bateu um bolão e conquistou 20 indicações, praticamente indicando o elenco inteiro, e também deve vencer o prêmio de melhor comédia - merecidamente. Mas, assim como The Crown, vai vencer em uma categoria quase sem concorrência. 

Isso porque, da noite pro dia, Hacks, da HBO Max, a segunda comédia mais indicada do ano, com 15 nomeações, surgiu como a revelação de 2021 e parece ser o único obstáculo da comédia da Apple TV+. Estrelada por Jean Smart, o número de indicações da série sobre uma dupla de humoristas tentando se reinventar surpreendeu (bastante) — aliás, vejam Hacks. Embora previsível, a indicação de Smart foi muito acertada, e ainda bem que lembraram de sua dupla, Hannah Einbinder, pois, sem ela, a série não funcionaria tão bem. 

De qualquer forma, foi divertido ver que, com tão poucas séries elegíveis, mesmo com o cancelamento anunciado, os votantes elegeram Lovecraft Country a 18 troféus - coisa que jamais aconteceria em um ano “tradicional”. Talvez se a HBO, canal que transmite a atração, tivesse a malícia de submeter a produção como minissérie, e só depois anunciar seu cancelamento... Mas, este ano, até que a emissora jogou limpo. Lovecraft Country e a igualmente cancelada We Are Who We Are foram submetidas como séries — embora apenas uma tenha sido indicada. 

Warner Media/Divulgação
Warner Media/Divulgação

The Crown e Ted Lasso são as duas grandes favoritas nas categorias de séries recorrentes, mas o principal duelo deste ano promete ser na categoria de melhor minissérie. Em uma disputa onde O Gambito da Rainha já foi a clara campeã, hoje ela, WandaVision e Mare of Easttown estão de igual para igual. 

Mas, antes de falar sobre qualquer uma dessas três, gostaria de agradecer à Academia por não repetir a mesma palhaçada que o Globo de Ouro fez há alguns meses quando esnobou a belíssima e necessária I May Destroy You em todas as categorias. Obrigado, Academia. Além de não excluir totalmente a série criada, produzida, estrelada, escrita e dirigida por Michaela Coel, ela ainda recebeu um total de 9 indicações, incluindo melhor minissérie e melhor atriz. Houve uma ausência sentida, a de Weruche Opia na categoria de atriz coadjuvante (“seu sangue é meu sangue, sua morte é minha morte”).

Warner Media/Divulgação
Warner Media/Divulgação

Mas retornando às três favoritas. O Gambito da Rainha perdeu muito fôlego de alguns tempos para cá, e Mare of Easttown parece ter crescido bastante justamente próximo ao início do período de votação (o modelo de distribuição semanal de episódios ajudou a produção estrelada por Kate Winslet), enquanto WandaVision, a minissérie mais indicada do ano, foi ajudada pelo fator Disney, e por ser uma série que basicamente presta homenagem a décadas e mais décadas de sitcoms. Hoje é fácil dizer que a rainha não está mais com tanto poder assim. 

The Underground Railroad, o projeto ousado e ambicioso de Barry Jenkins, decepcionou bastante, de acordo com os votantes da Academia. A agoniante e excelente minissérie não recebeu uma única indicação para seus atores - Thuso Mbedu e William Jackson Harper, especialmente, foram ausências sentidas. Apenas o elenco foi lembrando na categoria para ele (melhor elenco, que reconhece o diretor de casting), além de melhor direção para Jenkins e a trilha de Nicholas Britell. Lembranças muito merecidas, aliás. 

Mas nada disso se compara ao absurdo que foram algumas das indicações desse ano, como Emily in Paris, que foi indicada a melhor comédia. E só. Melhor comédia. Nem a insipida Lily Collins foi lembrada na categoria de melhor atriz — não que ela seja uma excelente comediante, o que não é um caso, mas geralmente, quando a sua série vem a ser indicada na categoria máxima, o astro da produção costuma ser lembrado.  

Ethan Hawke, excelente em The Good Lord Bird, produção de alto nível, uma adaptação vencedora do National Book Award for Fiction, que ele mesmo ajudou a roteirizar, também ficou de fora porque a Academia resolveu comprar um Ewan McGregor totalmente estereotipado em HalstonIsso porque me recusarei a comentar as diversas indicações da peça Hamilton, que foi filmada e transmitida pela Disney+

Em resumo, os indicados deste ano ainda mantém um pouco do que a premiação faz anualmente. E também souberam refletir o turbilhão de emoções que foram esses últimos tempos de isolamento social e pandemia. Enquanto ainda estamos lidando com esse "novo normal", nada mais justo que a Academia de Artes e Ciências Televisivas, e os seus membros, façam o mesmo. 

Este ano, a cerimônia oficial do Emmy acontecerá dia 19 de setembro nos Estados Unidos e será transmitida simultaneamente, pela primeira vez, pela rede CBS e pela plataforma de streaming Paramount+Cedric the Entertainer (Uma Turma do Barulho e Be Cool: O Outro Nome do Jogo) será o mestre de cerimônia. No Brasil, a exibição da cerimônia será da TNT.

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