6 animes com animação "ruim" de acordo com os fãs

Créditos da imagem: Record of Ragnarok/Divulgação

Mangás e Animes

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6 animes com animação "ruim" de acordo com os fãs

Relembrando alguns animes que acabaram sendo bem "desanimados"

21.07.2021, às 16H58.

Roteiro, trilha sonora e dublagem são elementos importantes para os animes, mas uma parcela dos fãs parece se importar mesmo é com uma animação bem feita. Uma luta bem coreografada e uma animação de tirar o fôlego são capazes de transformar até mesmo uma história mediana em um clássico absoluto, então muitos estúdios se esforçam para criar cenas memoráveis para seus animes.

Esses trechos dos animes com qualidade excepcional de produção ganharam até um nome específico, “sakuga”, que define aqueles momentos no qual o anime dá um salto de qualidade, passando a mostrar uma animação elaborada e uma movimentação fora de série. Esses segundos de animação incrível são os favoritos dos fãs de anime, mas o objetivo desta lista aqui é falar do completo oposto: os inimigos das sakugas.

Sabe aqueles animes quase estáticos e com pouquíssima animação? Aqueles personagens mexendo apenas a boca e com cabelo parado? Pois vamos relembrar alguns animes criticados pelos fãs por causa de suas animações mais humildes, seja por estilo ou porque o estúdio trabalhava com o orçamento equivalente ao de uma coxinha mordida. Vamos à lista!

Record of Ragnarok

No que se refere à animação, Record of Ragnarok foi uma grande decepção para o público. Se no mangá havia um foco em combates intensos e muito bem coreografados, a equipe de produção deste anime da Netflix precisou adaptar muita coisa para pior. Acredite: às vezes o mangá consegue ser mais animado que a própria versão em desenho animado.

Record of Ragnarok (contamos a história desse anime aqui) apresentou um elevado número de cenas estáticas deslizando pela tela, personagens imóveis no meio da ação e momentos que pareciam ter sido animados dentro de uma apresentação do Powerpoint. Como era de se esperar, as melhores cenas foram usadas no trailer e as demais, menos empolgantes, acabaram sendo espalhadas por toda a primeira temporada.

O carisma da história, assim como a dublagem competente, até segura um pouco a barra de Record of Ragnarok, mas este acabou sendo uma das mais recentes decepções do público. Os otakus até queriam um novo Demon Slayer, mas acabaram encontrando algo bem mais paradinho.

Kare Kano

Talvez o otaku mais novo não conheça, mas Kareshi Kanojo no Jijou (ou Kare Kano para os íntimos) é uma das melhores comédias românticas dos anos 1990. Nele vemos a vida de Yukino Miyazawa, uma garota que se esforça muito para ser a melhor aluna de sua escola, mesmo sendo muito relaxada em casa. Mas seu reinado de popularidade chega ao fim quando Soichiro Arima, um aluno ainda melhor que ela, se matricula na escola. E o pior: ele descobre o lado relaxado de Yukino e passa a chantageá-la.

O anime de Kare Kano foi produzido pelo Gainax logo após o estúdio produzir aquele final controverso de Neon Genesis Evangelion, ou seja, a expectativa era grande. Porém, a animação da comédia romântica acabou sendo prejudicada por usar muitos trechos estáticos e quase rascunhados. Em um episódio o estúdio usou bonequinhos de papel em vez de animação tradicional.

Só que enquanto um Record of Ragnarok foi detonado pelos fãs por não entregar um patamar aceitável de animação, a genialidade dos diretores Hideaki Anno e Hiroki Sato conseguiu disfarçar bem a falta de movimento, e Kare Kano ficou na memória como um anime repleto de cenas poéticas. Acabou virando o conceito.

Gokushufudou Tatsu Imortal

Outro anime recente com animação bastante criticada pela internet foi Gokushufudou Tatsu Imortal, série exclusiva da Netflix. O mangá original é um sucesso e todos estavam ansiosos para ver como seria o anime do ex-membro da Yakuza que abandonou a vida de crimes para se tornar um marido cuidando de casa, mas aí os trailers jogaram água no chope dos fãs.

Gokushufudou Tatsu Imortal usa um estilo de animação que o faz ser um “mangá dublado”: o anime é praticamente estático, com poucos elementos animados, e as cenas foram transpostas como se recortassem e pintassem os trechos equivalentes do mangá. Embora o timing cômico seja impecável e o estilo escolhido case bem com a proposta de pequenas esquetes de humor, os fãs queriam um pouquinho mais de movimento.

A diretora Chiaki Kon (a "salvadora" de Sailor Moon Crystal na terceira temporada) precisou vir a público justificar a decisão artística de Gokushufudou Tatsu Imortal, e explicou ter sido uma decisão do produtor Susumu Yamakawa. Coincidentemente, Susumu também é a pessoa por trás do próximo anime "desanimado" dessa nossa lista. Gokushufudou Tatsu Imortal ainda é um anime divertido e até o autor amou a adaptação, mas está longe de ser “bem animado”.

Back Street Girls: Gokudols

Também produzida por Susumu Yamakawa e dirigida por Chiaki Kon, Back Street Girls: Gokudols é mais uma série de comédia usando o recurso das imagens estáticas para dar um toque de humor à produção.

A história dessa vez envolve três membros da Yazuka que se metem em uma confusão e são punidos pelo líder do grupo. No lugar de escolher uma tortura ou coisa do gênero, o líder ordena que os três sejam enviados para a Tailândia, façam uma operação de mudança de sexo e que voltem ao Japão como um grupo de idols cantoras.

A temática é bastante controversa, no mínimo, e foi aí que Susumu e Chiaki experimentaram pela primeira vez a arte de transpor um mangá ao anime de forma quase fiel, se valendo do traço da autora Jasmine Gyuh. O anime está presente no catálogo da Netflix no Brasil.

Junji Ito Collection

Animes de terror atraem bastante a simpatia do público, então imagine a alegria que foi o anúncio de uma série inteira adaptando várias histórias curtas de Junji Ito, um dos mestres do gênero. Junji Ito Collection estreou em janeiro de 2018 e até conseguiu assustar, mas não agradou os fãs de uma boa animação.

Junji Ito Collection é bastante econômico com a movimentação dos personagens em seus episódios, e a produção optou por focar os recursos na dublagem e na ambientação da cena. Em alguns trechos as cenas são totalmente estáticas, com apenas uma boca ou um olho alternando entre dois frames, bem pouco natural.

Se o anime se encontra com uma avaliação mediana por parte dos fãs em sites de ranking, isso se deve à qualidade das histórias de Junji Ito (um dos mangakás mais publicados no Brasil) e ao clima de terror. Se dependesse da animação... o Studio Deen estaria em maus lençóis.

Thermae Romae

Thermae Romae, o grande sucesso de Mari Yamazaki, saiu em 2008 e foi lançado até mesmo aqui no Brasil. A série é uma comédia protagonizada pelo arquiteto romano Lucius Modestus, uma pessoa capaz de viajar no tempo até o Japão do presente com o intuito de aprender sobre as tecnologias modernas em banhos termais. A proposta da autora era mostrar que tanto a Roma antiga quanto o Japão estavam unidos por um mesmo hábito: o banho.

Séries de comédia precisam de um timing exato e boa qualidade dos atores de voz, então é comum a animação ser deixada de lado (embora animes como Asobi Asobase preencham todos os itens de qualidade com maestria). Thermae Romae ganhou um anime em 2012 e... bem... era uma dessas animações bem "desanimadas". Os personagens eram bem estáticos e às vezes se moviam como se fossem animados pelo extinto Adobe Flash. Nada disso afetou o humor de Thermae Romae, mas teve quem rejeitasse o anime por parecer uma produção de baixo orçamento.

Como curiosidade, Mari Yamazaki tem um outro quadrinho com proposta bem parecida, o Olympa Kyklos. Desta vez o protagonista é um grego que viaja ao Japão e conhece as olimpíadas modernas, e ele até leva algumas ideias para o passado. A versão animada também é diferentona, mas dessa vez um pouco mais experimental: Extra Olympia Kyklos é uma mistura de stop-motion com desenhos estáticos movidos por computação. É uma loucura, mas uma loucura divertidíssima, tem até um Bentô falando sobre ele! Este anime está disponível no Brasil pela Crunchyroll.

Vale mencionar também que Thermae Romae em breve ganhará um novo anime, exclusivo para a Netflix. Com o nome de Thermae Romae Novae, até o momento só foi divulgada uma ilustração do projeto, ou seja, não sabemos se seguirá o estilo do anime de 2012 ou se terá um pouco mais de quadros de movimento.

Menção Honrosa: Berserk

Essa matéria é sobre animação tradicional em 2D, mas reza a lenda que um otaku raivoso aparece na porta da sua casa se Berserk de 2016 não for incluído em uma lista de animações ruins. Ao contrário da série de 1997, um clássico da animação japonesa e cultuada no mundo todo, a versão mais recente de Berserk rendeu piadas por causa de sua animação limitada.

Um dos pontos positivos de se usar animação em 3D é uma maior quantidade de movimentos possível, mas Berserk surpreendeu ao fazer o oposto: o protagonista parece ter tanta mobilidade quanto um vaso de argila. Virou até meme uma cena na qual Guts anda em direção à tela e o movimento é parecido com o de uma criança fazendo um boneco não-articulado dar pulinhos para simular uma caminhada.

Há muitas animações em 3D competentes no mundo dos animes (alô, Houseki no Kuni), mas Berserk não é uma delas.

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