Dark | Entenda passo a passo a série mais complicada da Netflix

Créditos da imagem: Reprodução/ Netflix

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Dark | Entenda passo a passo a série mais complicada da Netflix

Listamos tudo de importante que pode ter passado batido na trama

12.01.2018, às 19H30.
Atualizada em 28.06.2020, ÀS 17H09

Dark, a primeira produção original alemã da Netflix, chegou à plataforma em dezembro de 2017 e, um mês depois das famílias de Winden serem apresentadas ao público, muita gente ainda não entendeu nem a enigmática cena final da trama, nem a sequência de acontecimentos. De fato, Dark não é uma série fácil: ao longo de dez episódios, o espectador é empurrado para uma trama onde linhas temporais distintas convergem e as várias versões dos mesmos personagens ocasionalmente passeiam por elas. Em função disso, montamos um guia para entender tudo o que aconteceu no primeiro ano.

[Cuidado com os spoilers!]

Mikkel Nielsen sumido e o buraco de minhoca

Reprodução/ Netflix

O primeiro mistério apresentado na trama é o que aconteceu, ou para onde foi, o jovem Mikkel Nielsen (Daan Lennard Liebrenz), que desaparece na floresta ainda no primeiro episódio. Mikkel é filho do policial Ulrich Nielsen (Oliver Masucci), um homem que já havia sofrido com o desaparecimento de seu irmão mais novo, Madds, 33 anos antes. Sem maiores enrolações, Mikkel foi parar em 1986 e, como o tempo inicial da série é 2019, ele regrediu 33 anos na linha temporal. Esses 33 anos, aliás, são um tempo recorrente e importante ao longo de toda a trama. Mas como ele foi parar lá?

O principal elemento de Dark é nada menos que um buraco de minhoca, uma das formas que a física já teorizou sobre a possibilidade de viajar pelo espaço-tempo. Quem introduziu a lógica por trás desse tipo de viagem originalmente foi o físico alemão Albert Einstein através da teoria geral da relatividade - ela é muito complexa, mas, para entender a trama, basta saber que se trata resumidamente (muito resumidamente, no caso) de um tubo cuja entrada está em um período do tempo e a saída está em outro.

O buraco de minhoca estar exatamente ali na cidade não é algo gratuito ou aleatório na trama: a existência dele está vinculada à um acidente que aconteceu na usina nuclear que serve como background da trama. Localizadas exatamente embaixo do acidente que criou a distorção no espaço-tempo, as cavernas de Winden, na verdade, conseguem conectar três tempos diferentes: 1953, 1986 e 2019 - todos separados por 33 anos.

Voltando a Mikkel, a trajetória dele na série é bastante curiosa. Em um primeiro momento, é claro que o jovem Mikkel Nielsen tenta retornar para 2019, mas, sem sucesso - ele chega a quebrar a perna no processo -, aparentemente conforma-se com a nova vida. Vivendo no passado, o rapaz é adotado por Ines Kahnwald (Anne Ratte-Polle) sob o nome de Michael e, conforme o tempo vai passando, ele cresce e torna-se um personagem bastante conhecido logo no começo da trama: o marido de Hanna Kahnwald (Maja Schöne) e pai de Jonas Kahnwald (Louis Hofmann) que cometeu suicídio.

Mais crianças desaparecidas e as máquinas do tempo

Reprodução/ Netflix

Como dito anteriormente, Mikkel é só uma das crianças que desapareceram no tempo - há algumas outras na conta. Um deles é Erik Obendorf (Paul Radom), cujo sumiço foi o que motivou o grupo de adolescentes a ir até a caverna acompanhado do jovem Mikkel no dia em que ele próprio some. Outro é Yasin Friese (Vico Mücke), cujo desaparecimento acontece poucos dias após de Erik e Mikkel e, é claro, não dá para esquecer o de Mads Nielsen (Valentin Oppermann), há 33 anos. Ulrich, o policial e pai de Mikkel, é o encarregado do caso de Erik e acaba emendando a busca do adolescente com a do próprio filho - é quando ele encontra o primeiro corpo desses jovens. A questão é que a identidade não é de nenhum dos jovens de 2019, mas o de Mads, seu irmão que sumiu há 33 anos, com a mesma aparência que tinha na época do desaparecimento.

E o que aconteceu com Erik e Yasin? Bem, os dois, assim como Mads, não encontraram um final feliz: o corpo dos dois foi encontrado em uma pilha de areia em 1953, antes mesmo da construção da usina nuclear. Há algumas particularidades tanto nos corpos de Erik e Yasin, quanto no de Mads: todos estão com os tímpanos explodidos e com os olhos queimados. Como foi dito antes, Mikkel foi a única criança a sumir sem acabar assassinada e isso só aconteceu em função do processo dela de viagem no tempo ter acontecido de forma diferente das demais.

Erik, Yasin e Mads também atravessaram o tempo através do buraco de minhoca, mas, ao invés de terem se perdido como Mikkel - ainda que as circunstâncias de sua passagem sejam nebulosas -, os três foram sequestrados para testes. Os nomes por trás disso são Helge Doppler (Peter Schneider) e o misterioso vilão Noah (Mark Waschke), um dos maiores mistérios da trama e sobre quem falaremos mais adiante. Os dois trabalham juntos em 1986 na criação de uma máquina do tempo - na verdade, Helge foi basicamente cooptado por Noah, que dirige tudo como um mentor, mas não coloca a mão na massa - e, para isso, fazem testes com cobaias humanas em um bunker. Como o projeto ainda não é funcional, os meninos sequestrados acabam morrendo um por um nos testes e são desovados em outras décadas para não despertar pistas sobre a dupla de sequestradores. A longo prazo, é claro, as coisas começam a se complicar.

Outros personagens viajando pelo tempo

Reprodução/ Netflix

Há duas viagens no tempo que são determinantes para o que é visto no último episódio. A primeira delas é a de Ulrich, o pai de Mikkel - desaparecido em 2019 - e irmão de Madds - desaparecido em 1986. O policial descobre tudo o que está acontecendo, inclusive que o corpo encontrado na floresta é do seu irmão. Ao longo dos episódios, a investigação dele vai se fortalecendo a ponto dele conseguir voltar para 1953 e tente matar Helge (Tom Philipp) quando ele ainda era criança inocente, evitando dessa forma que, no futuro, seu filho seja capturado por ele e morto - mas o plano dá errado. Não só Helge sobrevive, como Ulrich acaba indo preso em outra década.

A segunda viagem é do próprio Helge (Hermann Beyer). A versão do sequestrador já idosa, em 2019, está em um asilo, arrependido de todo o mal que causou às crianças. Após ser confrontado por Ulrich, ele decide voltar ao passado para tentar convencer sua versão mais jovem dos anos 1980 a interromper toda a ajuda que vem fornecendo a Noah. Mais uma vez, as coisas também não acontecem da melhor maneira e Helge não dá ouvidos à sua versão do futuro. Isso faz com que o Helge mais velho tente assassinar sua versão mais jovem em um acidente de carro - mas, na tentativa fracassada, só o Helge do futuro morre.

Passado, presente e futuro são uma ilusão

Reprodução/ Netflix

Após toda essa confusão de pessoas passeando - vivas e mortas - pelas décadas, há o ponto principal da história: a relação entre Jonas, o filho de Mikkel, e o viajante misterioso. Perto do fim, a série revela que o tal homem enigmático é o próprio Jonas (Andreas Pietschmann), que veio do futuro - ele é, curiosamente, o primeiro elemento cuja origem não está em nenhuma dos três anos-base da trama. Basicamente, o que ele faz é encontrar sua versão mais jovem e dar as diretrizes para que ele próprio consiga ter êxito.

Isso culmina na cena em que o Jonas de 2019 está preso no bunker onde Helge e Noah fazem suas experiências e sua versão do futuro aciona a máquina, abrindo uma fenda no espaço-tempo. Isso conecta o bunker onde o Jonas de 2019 estava preso com o lugar onde o jovem Helge de 1953 estava. Frente a frente, os dois se tocam e o resultado dessa interação é que Helge fica preso no bunker, prestes a se tornar uma experiência de Noah.

A expectativa plantada nesse ponto é clara: com Helge morrendo nas mãos de Noah ainda na infância, muita coisa mudaria tanto em 1986 quanto em 2019 - o próprio Helge não existiria mais e, em tese, as crianças não seriam sequestradas e mortas. O ponto é que, até o dado momento, todas as ações no passado já eram previstas no futuro: ação e reação aconteceram de forma simultânea na série. Não foi preciso que o Mikkel de 2019 tivesse sumido para que o público conhecesse Michael e Jonas no mesmo ano; a prisão de Ulrich em 1953 já estava documentada em 2019 também. O ponto da série parece ser justamente a jornada de Jonas, tanto o de 2019 quanto o do futuro, para conseguir quebrar o ciclo de repetições que operam de 33 em 33 anos.

O próprio Jonas do futuro diz para sua versão mais jovem do bunker, ambos em 1986, que já viveu aquilo, mas, em sua memória, estava do outro lado. Ele completa dizendo que não pode tirar o rapaz do bunker porque isso mudaria o futuro e que, se isso acontecesse, ele próprio não se tornaria o que era naquele momento. Isso leva ao ponto em que o Jonas de 2019 vai parar no fim da série.

O jovem o rapaz cai em uma espécie de futuro pós-apocalíptico onde, aparentemente, houve algum problema com a usina nuclear, vista de longe completamente destruída. Jonas é recebido por uma mulher que o cumprimenta dizendo “bem vindo ao futuro”, como se as viagens temporais fossem algo esperado por aquela civilização. Esse futuro pode ser 2019, completamente modificado por tudo que aconteceu no passado, ou uma época ainda mais à frente - 2052, 33 anos em um novo salto? As duas alternativas são instigantes: caso seja 2019, o futuro foi de fato alterado com as ações dos personagens; caso seja 2052, o público conhecerá o cenário de onde o Jonas do futuro veio.

Guerra pelo controle do tempo

Reprodução/ Netflix

Há ainda várias questões pairando sobre a identidade de Noah. A série introduz que o sequestrador está em uma espécie de batalha com Claudia Tiedemann (Lisa Kreuzer), a ex-chefe da central nuclear de Winden. O próprio Noah diz que ela é sua principal adversária na guerra pelo controle aboluto das viagens do tempo, o que abre espaço para especulações tanto sobre o acidente nuclear que criou o conhecido buraco de minhoca das cavernas quanto para as investidas dela na criação de sua própria forma de viajar no tempo.

Não está claro ainda até que ponto Dark é uma série maniqueísta, onde Noah seria o vilão e Claudia a mocinha. Assim como Noah manipula Helge, a mulher influencia o Jonas do futuro. Em 1986, Claudia (Julika Jenkins) nota que há alguma coisa de muito estranha acontecendo na usina nuclear após ter uma experiência bizarra. Já em 2019, ela está completamente diferente e desempenha um papel importante na jornada de Jonas ao entregar a ele uma espécie de manual para construir um dispositivo capaz de destruir definitivamente o buraco temporal usado na série. Para Noah, contudo, as intenções dela não são as melhores: ele diz que tais ações terão como maior prejudicado justamente o próprio Jonas.

Ainda sobre Noah, a própria identidade dele é um dos maiores mistérios da série. Ele é o único personagem que passeia pelas três épocas e é sempre interpretado pela mesma pessoa - até que se prove o contrário. Outro ponto curioso dele está na tatuagem enorme que ele carrega nas costas: trata-se de um símbolo chamado Tábua de Esmeralda, descrito por Hermes Trismegisto. Há muita especulação sobre Noah ser outro personagem da trama, assim como aconteceu com o caso de Mikkel e Michael: algumas teorias apontam que Noah seria Bartosz Tiedemann (Paul Lux), neto de Claudia e amigo (ou não) de Jonas.

O que se sabe até agora na trama é basicamente isso: Jonas é o ponto que será determinante da trama e tanto Claudia quanto Noah são peças fundamentais em um tabuleiro que conta ainda com nomes importantes como Michael e Ulrich. A primeira temporada introduziu como se manifestam as viagens no tempo utilizando o buraco de minhoca das cavernas e mostrou as demais investidas para controlar a técnica. O novo ano certamente mostrará as consequências de toda a confusão plantada até agora e o quão longe Jonas terá que ir para resolver todo o caos em Winden.

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