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Cursed | A versão de Frank Miller para as lendas do Rei Arthur

Confira nossa entrevista com o elenco a equipe da série da Netflix

Gabriel Avila
18.07.2020
18h30
Atualizada em
18.07.2020
18h46
Atualizada em 18.07.2020 às 18h46

Cursed - A Lenda do Lago é a nova grande aposta da Netflix. Protagonizado por Katherine Langford e Gustaf Skarsgard e inspirada na obra de Frank Miller e Thomas Wheeler, o seriado reconta os mitos do Rei Arthur pela ótica de outros personagens. A trama tem muito do DNA de Miller, um artista que ajudou a redefinir os quadrinhos e muito da cultura pop. Mas antes de falar sobre Cursed, vamos relembrar alguns pontos importantes das lendas arthurianas.

A jornada do Rei Arthur é uma das principais lendas da história da humanidade, contada e recontada desde sua criação, em meados do século XII. De lá para cá, as histórias foram evoluindo até os moldes que conhecemos hoje, que é basicamente sobre como o jovem Arthur Pendragon retirou a famosa espada Excalibur de uma pedra e se tornou o Rei que comandou a Grã-Bretanha no início da Idade Média. Cada versão trouxe suas próprias particularidades, mas essa história é tão universal e marcante que não demorou muito para ganhar espaço em outras mídias. No cinema, por exemplo, existem registros de curtas inspirados nas lendas desde o início do século XX.

As lendas foram revisitadas de formas muito diferentes, que vão desde clássicos como Camelot e Excalibur, a Espada do Poder, passando por animações como A Espada Era a Lei e ganhando até paródias como Monty Python em Busca do Cálice Sagrado. Só que, por mais que Hollywood insista em contar essa história, as versões mais recentes passam longe de ser marcantes. Rei Arthur, com Clive Owen, Rei Arthur: A Lenda da Espada e até O Menino Que Queria Ser Rei fracassaram entre público e crítica, deixando bem claro que as lendas arthurianas se tornaram no mínimo arriscadas de se adaptar.

O que fez a Netflix apostar em algo tão incerto é Frank Miller. Nascido em 1957, Miller cresceu amando as HQs, especialmente o universo Marvel. Adulto, ele foi para Nova York seguindo o sonho de viver como artista e chegou a desenhar histórias para títulos menores, tendo seu primeiro trabalho de expressão na revista Spectacular Spider-Man, que tinha como coadjuvante o Demolidor, um herói meio obscuro que chamou bastante sua atenção. Algum tempo depois, quando a revista desse tal de Demolidor ficou sem desenhista, Frank Miller se tornou primeiro o artista da HQ e depois ficou responsável também por escrever as histórias que desenhava. A partir daí, ele simplesmente consolidou uma carreira brilhante que mudou para sempre a história não dos quadrinhos, mas da Cultura Pop como um todo. Miller criou muito do que conhecemos hoje no entretenimento. Quer alguns exemplos?

Sabe a série do Demolidor na Netflix? Que tem um clima dramático e pesado, que começa com o herói vestindo roupas urbanas, tem o Tentáculo, a Elektra, o Stick, etc? Tudo criação de Frank Miller. E ele não parou na Marvel. Sabe Batman vs Superman: a Origem da Justiça, que mostra um Batman aposentado e amargurado que sai na mão com o Superman? Frank Miller. E Batman Begins, que recontou a origem do Batman de uma forma mais moderna e pé no chão? Muito inspirado em Frank Miller. O homem é tão influente que até Samurai Jack, aquele desenho do Cartoon que você certamente amava na infância, foi inspirado numa HQ dele. Neste caso é Ronin, gibi que acompanha um samurai que vai pra um futuro cyberpunk em busca de vingança. 

Já citamos várias obras de Miller, e nem chegamos em adaptações que foram grandes sucessos no cinema, como 300 e Sin City, filmes dirigidos por Zack Snyder e Robert Rodriguez, que foram elogiados justamente por seguirem os quadrinhos escritos e desenhados pelo artista de forma quase literal.

Com esse currículo invejável e em uma fase mais tranquila de sua carreira, ele embarcou em um projeto novo: ilustrar um romance. Mas, não era qualquer romance, e sim Cursed - A Lenda do Lago, livro de Thomas Wheeler que se dispôs a recontar as Lendas do Rei Arthur. Miller já tinha trabalhado com história antes em 300, mas o que as lendas arthurianas tem de tão interessante para atrair o quadrinista? Confira nossa entrevista com ele e a equipe da série no vídeo acima.