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Falcão e o Soldado Invernal aprofunda heróis com ação, drama e traumas

Nova série da Marvel, que chega ao Disney+ nesta sexta (19), retoma os personagens pós-Ultimato

Gabriel Avila
18.03.2021
13h00
Atualizada em
19.03.2021
14h53
Atualizada em 19.03.2021 às 14h53

Com o lançamento de Vingadores: Ultimato, o Marvel Studios teve a oportunidade de encerrar sua primeira grande saga e, ao mesmo tempo, plantar sementes para o futuro do MCU (Universo Cinematográfico Marvel). Foi este um dos propósitos da cena final, quando o Capitão América (Chris Evans) entrega seu escudo para Sam Wilson (Anthony Mackie), enquanto Bucky Barnes (Sebastian Stan) observa de longe. Mais do que uma despedida de velhos amigos, esse momento abriu as portas para o lançamento da série Falcão e o Soldado Invernal, que chega ao Disney+ nesta sexta-feira (19).

Como esperado, Falcão e o Soldado Invernal começa algum tempo após os eventos de Ultimato e mostra os protagonistas tocando suas vidas depois do embate final contra Thanos. Ao longo do primeiro episódio, descobrimos detalhes sobre Sam Wilson e Bucky Barnes que não haviam sido abordados em todos esses anos nas aventuras em que a dupla viveu ao lado de Steve Rogers.

Pela primeira vez, vemos os mundos dos dois heróis ganhando vida. Suas famílias, passados, traumas, elementos que não haviam aparecido além de diálogos expositivos rápidos. Em uma entrevista coletiva virtual da qual o Omelete participou, o ator Anthony Mackie revelou que esse mergulho na história dos personagens se faz necessário agora, “especialmente desde que Kevin Feige matou o Homem de Ferro”, brincou o ator. “Poder voltar às suas origens, sua família e vizinhança apenas torna o personagem melhor para o público. Sabe, estamos em uma posição que queremos que o público conheça esses personagens.”

O episódio inicial decide fazer essa aproximação com foco nos personagens, seja em conversas com entes queridos ou flashbacks dolorosos. Ainda que esse seja um tema recorrente no MCU, desta vez o trauma volta com uma função bem definida. Concordando com Mackie, Sebastian Stan explicou que uma das ligações entre os personagens é o estresse pós-traumático, uma síndrome comum em veteranos de guerras. “É uma das coisas que os unem, e existe um tipo de código de honra entre eles. Mesmo que eles tenham ideias ou opiniões diferentes sobre as coisas. Há um respeito mútuo.”

Foto de Anthony Mackie como Sam Wilson em Falcão e o Soldado Invernal
Divulgação/Marvel

Por outro lado, é curioso que esse episódio esconda o grande trunfo da série: a conturbada relação entre Sam e Bucky. Ainda não conseguimos ver aquele companheirismo/rivalidade que os vários trailers e teasers prometeram. Na entrevista coletiva, o showrunner Malcolm Spellman citou inspiração em obras como Máquina Mortífera e o primeiro filme da franquia Bad Boys, especialmente pela química entre os protagonistas.

Segundo ele, introduzir no MCU o formato de buddy cop (gênero em que duas pessoas de personalidades opostas têm que trabalhar juntas para resolver um crime) “permite que Sebastian e Anthony façam o que eles fazem para criar a magia, mas também amplia o campo criativo, caso você precise abordar um problema do mundo real ou algo mais ‘Marvelico’. É uma narrativa bem atemporal”. Resta então a ansiedade para assistir essa magia ganhar vida nos próximos episódios.

Mas e a ação?

Mesmo que a abertura da série coloque muito coração ao apresentar novas faces do Falcão e do Soldado Invernal, ainda sobra tempo para dedicar bons minutos às cenas de ação. Não que isso seja surpreendente, já que a franquia do Capitão América coleciona alguns dos embates mais memoráveis de todo o MCU. Porém, a quantidade e a qualidade dos confrontos não deixam a desejar em relação ao que já foi visto nos cinemas.

Ainda que sigam coreografias próximas ao que seus personagens já vêm fazendo nos últimos filmes, Anthony Mackie e Sebastian Stan mostram um claro esforço para manter o nível. Desde a cena de abertura, que praticamente nos joga no meio de uma missão de resgate, a produção claramente busca mostrar que esses personagens evoluíram e aprenderam novos truques - isso quando a história não dá uns passos atrás para mostrar que o passado também pode render ação frenética.

De acordo com Kevin Feige, o chefe de conteúdo da Marvel, essa é uma intenção clara desde o início do planejamento. “Sempre dissemos que, se fosse para fazer uma série com Falcão e do Soldado Invernal, precisaríamos pelo menos começar com a melhor ação que já vimos, e vimos muita ação bem feita com eles antes.”

Foto de Sebastian Stan como Bucky Barnes em Falcão e o Soldado Invernal
Divulgação/Marvel

Anthony Mackie não apenas concordou, como revelou com entusiasmo que a equipe de dublês da série é a mesma utilizada nos filmes. Segundo o ator, as lutas são mais “mano a mano”, com mais foco no aspecto físico, e ainda deixou no ar que a porradaria será intensa, já que ele, Sebastian Stan e Wyatt Russell - o Agente Americano - tiveram um treinamento intensivo para poder fazer algumas das cenas sem dublês. “Muitas das coisas que vocês vão ver somos nós. Mas tivemos dublês incríveis para ir lá e detonar por nós.”

As consequências de Ultimato

Inicialmente, Falcão e o Soldado Invernal seria a primeira série da Marvel a estrear no streaming. Porém, com atrasos nas filmagens causados por catástrofes naturais e a pandemia de Covid-19, a produção acabou atrasando e dando a vez para WandaVision, uma jornada quase intimista focada no luto de Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen). É curioso perceber como a jornada de Bucky e Sam tomam a direção oposta ao mergulhar de cabeça nas consequências de Ultimato.

O primeiro episódio aborda diretamente os vários desdobramentos da última batalha dos Vingadores. Mais do que simplesmente citar o estalo de Thanos, o enredo desenvolve como o desaparecimento e o retorno de bilhões de pessoas afetou a Terra, e como os heróis precisam responder a isso. Na entrevista virtual, o showrunner Malcolm Spellman foi enfático ao dizer que “tudo é resultado do estalo”, desde os vilões que acham que na verdade são os mocinhos, até os heróis e seus traumas pessoais. “Esse enredo nasceu de uma coisa única e orgânica, e essa continuidade do que acontece depois de Ultimato choca e afeta todos no planeta ao mesmo tempo”, afirmou.

A pressão em não ser a “primeira porcaria da Marvel”

Suceder a Vingadores: Ultimato certamente não é uma tarefa fácil. Na entrevista, Anthony Mackie definiu o longa como uma “mudança monumental no universo dos heróis”, por conta de sua escala gigantesca. E isso trouxe uma preocupação enorme para a equipe de Falcão e o Soldado Invernal. “Não queríamos ser o primeiro projeto porcaria da Marvel [risos]. Nosso trabalho era carregar o bastão e não fazer uma série ruim. Fico feliz em dizer que Steve Rogers ficaria orgulhoso de que nossa série não é ruim. Então, a próxima série tem um problema, porque se for ruim, vão ser o primeiro projeto porcaria da Marvel em uns 20 anos.”

Com um primeiro episódio que aprofunda seus protagonistas em uma trama que une ação, drama e traumas, Falcão e o Soldado Invernal tem um início promissor para a nova saga do núcleo do Capitão América no MCU. Ainda é cedo para dizer se Anthony Mackie tem razão e a série não é uma porcaria, mas com um cartão de visitas desses fica mais fácil de acreditar na palavra do novo dono do escudo.

Falcão e o Soldado Invernal estreia no Disney+ em 19 de março. Acompanhe a cobertura completa no site, canal do YouTube e redes sociais do Omelete.

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