Homens de Preto

Créditos da imagem: Sony Pictures/Divulgação

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MIB: Homens de Preto - Internacional | 11 ingredientes para renovar a franquia

Visitamos o set do filme em Londres

Natália Bridi
13.06.2019
10h00
Atualizada em
14.06.2019
11h50
Atualizada em 14.06.2019 às 11h50

Durante a passagem do Omelete pelas filmagens de MIB: Homens de Preto - Internacional, outros três filmes estavam sendo rodados nos estúdios Leavesden, no Reino Unido: Mulher-Maravilha 1984, Star Wars: A Ascensão Skywalker e Homem-Aranha: Longe de Casa. Apesar do novo Homens de Preto não competir em segredos com os seus vizinhos de bastidores, uma aura intrigante acompanhava a produção, que contava com um set extremamente organizado e com uma equipe claramente disposta a se divertir enquanto dava vida a um mundo de agentes secretos e alienígenas.

A seguir,  listamos algumas das nossas descobertas sobre MIB: Homens de Preto - Internacional, filme que promete renovar a franquia lançada em 1997, mas se manter fiel ao que fez a fama da primeira trilogia:

Mistura de gêneros

Sony Pictures/Divulgação

Isso começou há tanto tempo para mim e Laurie [MacDonald[, não sabíamos o que esperar, muito menos sucesso”, conta o produtor Walter F. Parkes sobre o nascimento de Homens de Preto, “Foi o primeiro filme que eu e minha esposa produzimos juntos e me lembraram agora que foi lançado há 21 anos. Sempre senti que era uma ideia forte quando compramos os direitos de adaptação - havia seis edições de uma série em quadrinhos malsucedida. Não tinha realmente uma história, mas tinha a ideia básica de policiais humanos que tomam conta de alienígenas escondidos na Terra. E de cara achei isso interessante porque, ao contrário de muitos filmes de super-heróis, que são fantásticos, podíamos ter personagens humanos como protagonistas. Então era mais sobre observar essa vida alienígena do que retratá-la, situada na Terra e na nossa realidade, isso era fascinante para nós. Achamos interessante que era uma comédia, que poderíamos levar na direção do humor. E também a mistura. É engraçado, o gênero das duplas policiais e da ficção científica não são fáceis de encaixar, pois quando você pensa em um filme policial, grande parte é sobre detalhes concretos. De quem é aquela impressão digital? Mas em uma boa ficção científica você realmente não pergunta o porquê. Por que o E.T. respira oxigênio? A ficção científica tende a ser sobre grande saltos de imaginação, com pouca atenção a certos detalhes, enquanto filmes policiais, procedurais, são sobre esses detalhes. Então fundir essas coisas não é fácil, mas é muito satisfatório quando funciona”.

Respeito pelo passado, olho no futuro

Sony Pictures/Divulgação

Tessa Thompson e Chris Hemsworth tinham 14 anos quando o primeiro Homens de Preto foi lançado em 1997 (sendo a segunda maior arrecadação nos EUA naquele ano, perdendo apenas para Titanic). “Fiquei bastante impactada pelo primeiro filme”, conta Thompson, “Há uma verdadeira aura cool nele. Will [Smith] foi a grande descoberta, mas não foi uma descoberta para mim porque cresci obcecada com ele em Fresh Prince of Bel Air. Mas ver esse cara que eu já amava em um mundo alienígena e ser o peixe fora d'água foi muito, muito empolgante. E também a dupla [com Tommy Lee Jones] , esse 'estranho casal' em que cada um tinha algo para aprender com o outro e como esses mistérios sobre os dois foram sendo revelados ao longo desses três filmes”.

Estou bem empolgado de fazer parte disso”, garante Hemsworth, “Sempre fui um grande fã da franquia e há sempre pressão quando se trata de dar continuidade a algo tão amado. Não é tão diferente de trabalhar no mundo dos quadrinhos, que também é cheio de fãs entusiasmados. Mas o empolgante para mim foi a oportunidade de realmente fazer algo diferente. Toda vez que parecia um pouco familiar com o que foi feito antes, fizemos um esforço consciente de cavar um pouco mais fundo e pensar fora da caixinha para que o filme parecesse novo e único”. Isso não significa ignorar o passado, segundo o ator: “Não queremos repetir nada do que foi feito antes, mas obviamente queremos continuidade. Então foi um processo colaborativo, com Walter F. Parkes e Laurie MacDonald [produtores de todos os filmes da franquia] nos lembrando constantemente das coisas que poderíamos fazer referência e no que deveríamos prestar atenção”.

Que regras precisam ser estabelecidas? Quais são os valores básicos dos Homens de Preto? Como você sustenta e apoia isso?”, questiona Parkes sobre o que precisava ser mantido nessa renovação de MIB, “Não é nem pela base de fãs, mas porque você quer identificar a sua franquia como única. Por outro lado, você não quer algemar artistas interessantes e atores que querem deixar a sua própria marca, então algumas dessas regras podem não ser tão importantes. Esse é um dos desafios mais interessantes desse filme em particular, que é identificar o que é cânone, o que é sagrado, e o que você não precisa se preocupar”.

Novo diretor

F. Gary Gray/Homens de Preto
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Barry Sonnenfeld, que comandou os três filmes da trilogia original de MIB, assina a produção-executiva de MIB: Homens de Preto - Internacional, deixando o posto de diretor para F. Gary Gray, cineasta veterano e conhecido pela filmografia eclética. “Para nova história fazia sentido para trazer novos talentos”, explica o produtor Walter F. Parkes, “F. Gary Gray é um diretor muito interessante. Esse é um homem que teve sucesso em quatro gêneros diferentes. Começando lá atrás com comédias como Sexta-Feira em Apuros (1995) e, claro, Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (2015), um dos melhores filmes da última década, e filmes gigantes como Velozes & Furiosos 8 (2017). Mas para mim, o filme que de certa forma tem mais a ver com Homens de Preto é algo que ele fez 15 anos atrás chamado Uma Saída de Mestre (2003), que é um longa muito estiloso, elegante, que quase lembra aqueles filmes feitos na década de 1970. Foi uma combinação de todas essas coisas que nos fez sentir que Gary seria ótimo em um trabalho como esse”.

Segundo Tessa Thompson, a experiência de Gray com gêneros diferentes o ajuda a encontrar equilíbrio ao trabalhar em uma franquia tão específica quanto MIB: “Fazemos cenas em que interpretamos bem sérios e então ele nos dá uma tomada em que podemos pirar e depois nos pede para modular isso. Acho que muito do tom vai ser decidido na sala de edição. Sinto que foi isso que aconteceu nos filmes originais também”.

Uma nova dupla

Homens de Preto
Sony Pictures/Divulgação

“Acho que eles são como Mulder e Scully. Acho que há um elemento das duplas clássicas de Hollywood. Eles desafiam um ao outro, o que cria um tipo de química. Por ser um homem e uma mulher é uma dinâmica diferente dos filmes originais”, conta Tessa Thompson, que na pele da Agente M retoma a sua parceria da Marvel com Chris Hemsworth, que interpreta o Agente H.

Aqui sempre temos a oportunidade de improvisar”, conta Hemsworth sobre a dinâmica da dupla, “E acho que é aí que damos ritmo para coisa. Não é que você reinventa toda a cena, são apenas pequenos toques entre os diálogos ou pequenas palavras entre os espaços que começam a preencher tudo e adicionam textura e cor. Tessa e eu gostamos disso. Acho que trabalhar com Taika Waititi foi bastante encorajador e deu uma energia diferente. Então é bom levar isso adiante e uma das primeiras coisa que conversei com F. Gary Gray foi sobre improviso. Ele queria que fossemos bem livres em relação a isso, então tem sido ótimo”.

Escala Global

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Uma das ideias é dar continuidade para franquia [com o novo filme] e também dar uma escala global”, explica Tessa Thompson, “Há quartéis generais da MIB pelo mundo e, por acaso, nos filmes originais vimos apenas a sede de Nova York. Então uma das funções desse filme é nos levar para outro lugar, outro quartel general da MIB. O que acontece é que a Agente M descobre a sede de Nova York e é mandada como estagiária para trabalhar em um caso em Londres e acontece dela se sair muito bem. Então ela continua por lá e a história se move por diferentes locações. A escala é internacional”. Além de EUA e Reino Unido, o filme passará por Marrocos, Itália e França. E, segundo o produtor-executivo E. Bennett Walsh, apesar do novo filme mostrar apenas as sedes do MIB americano e britânico, os roteiristas já imaginam como seriam os quartéis-generias de outros países. 

Novo neutralizador e outros equipamentos

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Segundo o produtor-executivo E. Bennett Walsh, o famoso neutralizador - o equipamento que apaga a memória de qualquer um que teve contato com alienígenas - foi atualizado para ficar mais britânico. “Não sei o que vai acabar no filme ou não, mas fiz muitos usos indevidos [do neutralizador]. Meu personagem usa quando acha apropriado, o que muitas vezes é inapropriado”, brinca Chris Hemsworth.

Além do equipamento clássico, o filme vai apresentar outras formas de “limpeza”, como um caminhão que cria um “campo de normalidade” para disfarçar a destruição deixada por um ataque alienígena e “aspiradores” que reconstroem os danos.

Ação com propósito e humor

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Tomamos bastante cuidado para não fazer ação apenas pela ação, do contrário seria apenas mais um filme puramente comercial. Nossa ação precisa ter o senso de humor dos Homens de Preto e também ter propósito”, explica o produtor-executivo E. Bennett Walsh. Um bom exemplo dessas intenções está no carro do Agente H (Chris Hemsworth). O veículo esconde diversas armas, que vão sendo reveladas conforme a necessidade por poder de fogo da missão. O momento rende uma cena de ação fiel à assinatura da franquia, tanto pelo uso criativo das armas como por sua importância narrativa, já que é um momento em que a novata Agente M (Tessa Thompson) participa de todas as descobertas com o público.

As armas são incríveis. São de todos os tamanhos e é divertido ficar fazendo perguntas”, conta Thompson, “tivemos uma discussão animada sobre se armas alienígenas dão “coice” ou não. E o divertido em um mundo como esse é que você pode criar, é o que você quiser que seja”.

Estilo

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Em outro filme que produzi, Minority Report, trouxe um grupo de futuristas para criar o futuro do filme, para pensar como o mundo seria. E honestamente, pegamos isso emprestado para Homens de Preto”, conta o produtor Walter F. Parkes, “Tivemos uma reunião com um grupo de pesquisas avançadas da Sony, porque há laboratórios em Tóquio onde coisas extraordinárias estão sendo criadas, tablets e coisas assim. Então buscamos inspiração para isso, mas Homens de Preto é mais sobre encontrar o lado cômico do que prever o futuro, então o processo de pesquisa não é tão pesado como em outros filmes”. Porém, ainda que a franquia não tenha compromisso com a “realidade”, o design das armas, acessórios e cenários precisava manter o estilo que fez a fama da trilogia original: Os primeiros três Homens de Preto tinham um estilo Americano Moderno, modernismo do início dos anos 1960. Nesse filme, passa a ser a Era de Ouro do Art déco britânico. Em outras palavras, em Homens de Preto precisamos ser estilosos. Tivemos muita sorte que [estilista britânico] Paul Smith desenhou os novos ternos, então os filmes precisam ser estilosos, precisamos ser fiéis a isso”, conclui Parkes.

Além dos trajes “profissionais” assinados por Smith, a figurinista Penny Rose (Piratas do Caribe) vestiu todas os alienígenas que habitam o longa, colaborando de perto com o design de criaturas para ampliar ainda mais os pequenos universos que são revelados para o público. A cenas na sede da MIB britânica devem ser o ponto de encontro da vocação estilosa da franquia, reunindo a inspiração futurista retrô nos cenários, a elegância dos Homens de Preto e, claro, todas as cores e formas dos extraterrestres.

Alienígenas, muitos alienígenas

Sony Pictures/Divulgação

Fiel ao legado deixado por Rick Baker na trilogia original,  MIB: Homens de Preto - Internacional deve contar com cerca de 100 criaturas diferentes. O processo incluiu aproximadamente 600 desenhos até que se chegasse nos alienígenas que estarão no filme e a grande maioria será uma combinação entre maquiagem, figurino e efeitos visuais, com a computação gráfica entrando na hora de adicionar detalhes. Outras criaturas, como Pawny (Kumail Nanjiani), serão completamente em CGI.

Efeitos Práticos

Sony Pictures/Divulgação

Quando entrei no projeto, uma das primeiras perguntas que fizemos foi se o alienígenas seriam em computação gráfica. A resposta foi não, porque as pessoas gostam dos prostéticos. Aí nos perguntamos se isso estaria datado. Se você pegar A Forma da Água, que é basicamente prostético com 30% em computação gráfica, isso nos dá bastante espaço para brincar. (...) É fácil chegar em uma solução em computação gráfica, então estamos sempre tentando fazer a escolha certa em quando devemos usar e sempre que podemos optamos pelo efeito prático”, garante o produtor-executivo E. Bennett Walsh.

Os cenários construídos nos estúdios em Londres e a quantidade de figurantes maquiados vistos pelos corredores provam que a defesa por efeitos práticos não é só papo de produtor. “Temos um trabalho incrível de prostéticos, figurino e maquiagem aqui”, elogia Chris Hemsworth, “E presumo que digitalmente vão levar ainda mais além. Para nós como atores é um bônus incrível poder entrar nisso, torna muito mais fácil interagir, você não está só em uma tela verde gigante sem nada. Com esse aspecto físico - os sets incríveis que construímos, além dos figurinos e dos prostéticos - é muito mais físico. Fiz tantos filmes em que interagia com uma bola de tênis e descobri qual era o visual do monstro só depois que o filme estava pronto…”.

Mensagem

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Uma coisa bonita que todos os filmes originais fazem e que fazemos nesse filme também, é a ideia de que alienígenas e humanos coabitam. Para mim, especialmente no momento em que estamos, há essa ideia global de temermos uns aos outros. É bom introduzir novamente essa ideia de que podemos conviver e, mesmo sendo muito diferentes, podemos entender uns aos outros. Podemos construir relações, nos importar uns com os outros, podemos confiar uns nos outros”, conclui Tessa Thompson sobre a mensagem deixada nas entrelinhas da comédia sci-fi. “Os Homens de Preto protegem a Terra e seus habitantes - e isso não quer dizer que são todos humanos. O [novo] filme tem toda uma subtrama disso. Acabamos de filmar a cena em que aparece esse belo quadro que criamos que se chama ‘vista da primeira grande imigração alienígena’, que se passa em um portal, onde buracos de minhoca trouxeram essa onda de imigrantes em 1880 e parece com os imigrantes na ilha Ellis, só que são alienígenas. (...) De uma forma sutil, o filme sugere que ao proteger a Terra você não está só protegendo terráqueos, mas aqueles que escolheram viver nesse planeta”, completa o produtor Walter F. Parkes.