MIB: Homens de Preto - Internacional

Créditos da imagem: Sony Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

MIB: Homens de Preto - Internacional

Com potencial para ser o grande retorno da franquia, o longa acerta no humor, mas entrega trama ruim e vazia

Mariana Canhisares
12.06.2019
10h43

Com o sucesso da dinâmica entre Valquíria e Thor no universo Marvel, não era mistério para ninguém que Tessa Thompson e Chris Hemsworth formariam uma dupla divertida em MIB Internacional. Aliada à bagagem trazida pela franquia, que encanta pela esquisitice dos seus aliens e suas armas surpreendentes, o filme tinha tudo para dar certo.

Repetindo a parceria de Thor: Ragnarok com confiança, Thompson e Hemsworth entregam o elemento buddy cop que se espera da franquia, mas se valendo de ingredientes próprios. A relação entre novata e agente experiente ainda existe, é verdade, mas o humor é completamente outro. Mais bobos e, de certa forma, mais fofos, os atores parecem estar a todo momento se provocando e, invariavelmente, entregam a piada de modo certeiro.

A adição do personagem de Kumail Nanjiani, o pequeno alienígena Pawny, só intensifica a força deste núcleo. Trazendo mais sarcasmo e acidez, o alien arremata as situações cômicas, dando uma nova identidade a este capítulo de Homens de Preto e, em última instância, provando que a franquia pode sim sobreviver sem o carisma de Will Smith e Tommy Lee Jones.

Porém, fora o elenco principal e seu potencial cômico, não há muitas razões para torcer por um novo filme. Ao menos, não com um roteiro como esse, tão mal-escrito. A trama, que mais uma vez gira ao redor de uma invasão à Terra, não apenas é pouco criativa, como é confusa. Para criar espaço para a grande reviravolta - que, convenhamos, é bem previsível -, os roteiristas Matt Holloway e Art Marcum criam situações sem sentido, que não se encaixam com o restante da história. Não bastasse isso, a própria direção de F. Gary Gray é pouco inspirada e tem um quê de indecisão. Em determinadas cenas, o cineasta escolhe destacar elementos, dando a entender que virá uma explicação sobre sua importância mais tarde, mas ela nunca vem.

Toda a clareza que se tem para estabelecer quem são os protagonistas e sua ligação com a MIB falta no restante do filme. É sintomático como os personagens mais vilanescos dos Les Twins e da Rebecca Ferguson são descartáveis. Suas intenções são apresentadas tão rapidamente quanto são derrotados para que os agentes M e H lidem com “a grande ameaça”. No fundo, eles não passam de obstáculos intermediários em uma tentativa mal-sucedida de construir uma história esperta. Mesmo os papéis de Emma Thompson e Liam Neeson parecem um desperdício para o que ambos podem oferecer para o filme, sobretudo a atriz britânica. Por isso, é difícil não se questionar sobre a necessidade de resgatar a franquia se falta tanto fôlego e originalidade na trama.

MIB Internacional prometia ser um ótimo blockbuster. A inventividade das parafernalhas tecnológicas e dos novos aliens, inerentes à franquia, está presente; a quantidade de referências aos primeiros filmes é equilibrada, sem tornar a nostalgia uma distração para o público; e a ação, por sua vez, é decente. Mas, por mais divertida que sejam as piadas e a dupla Thompson-Hemsworth, o filme nunca se recupera da sensação de que é vazio. Uma pena, porque se tinha um universo inteiro à disposição para ser explorado.

Nota do Crítico
Regular