Johnny Depp em Minamata

Créditos da imagem: Divulgação

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Johnny Depp volta a dizer que é vítima da "cultura do cancelamento" em Hollywood

Ator já havia dito que vem sendo boicotado em Hollywood após demissão de Animais Fantásticos

Eduardo Pereira
22.09.2021
16h23

Pouco mais de um mês depois de afirmar que vinha sendo vítima de um boicote em Hollywood, Johnny Depp voltou a falar contra o que chama de "cultura do cancelamento", durante o Festival de Cinema de San Sebastian, na Espanha. O ator recebeu o prêmo honorário Donostia Award, durante a cerimônia, aproveitando o tempo com a imprensa para chamar pessoas a "se levantarem" contra o que afirma ser "injustiça".

"Pode ser visto como um evento na história pelo quanto que está durando, essa cultura do cancelamento; a pressa instantânea para julgar baseado no que é basicamente ar poluído", afirmou Depp. "Está tão fora de controle que eu posso prometer a vocês: ninguém está seguro. Nenhum de vocês. Ninguém da porta para fora. Ninguém está seguro. Basta uma frase e não há mais chão, foi puxado o tapete. Não é só comigo que isso aconteceu, mas para muita gente. Aconteceu a mulheres, homens. Infelizmente, em algum momento começaram a achar que é normal. Ou que é sobre elas. Quando não é", concluiu.

Depp ainda fez o que o Deadline apontou como possível referência ao processo sem sucesso que ele moveu no ano passado contra o tabloide britânico The Sun pelo uso do termo "agressor de esposa" em uma matéria. "Não importa se um julgamento usou uma licença artístca. Quando há injustiça, seja contra você ou alguém que você acredita, levante-se, não fique sentado. Porque precisam de você", disse Depp.

ENTENDA O CASO

Johnny Depp foi inicialmente acusado de agressão pela atriz Amber Heard (Aquaman), sua ex-mulher, em 2016, mesmo ano em que foi anunciado no novo filme do universo de Harry Potter. De lá para cá, o caso foi levado a julgamento, com evidências em áudio e vídeo dos ataques de Depp, e também de agressões por parte de Heard.

Com o passar dos anos, a figura de Johnny Depp se tornou bastante polêmica, especialmente por outros relatos sobre o comportamento agressivo do ator em sets de filmagens. Para não se envolver na polêmica, os estúdios foram cortando Depp de seus projetos. A Disney, por exemplo, planeja um reboot de Piratas do Caribe sem o envolvimento do ator.

Já a produção de Animais Fantásticos, por outro lado, optou inicialmente por continuar a trabalhar com o ator. A decisão de mantê-lo desagradou Amber Heard, que criticou o estúdio, e também Daniel Radcliffe, que viveu o protagonista Harry Potter na saga original.

De qualquer forma, a autora e criadora J.K. Rowling, em dezembro de 2017, defendeu a presença de Depp no derivado, dizendo: “Baseado no nosso entendimento das circunstâncias, os cineastas e eu não estamos apenas confortáveis em manter nosso elenco original, como genuinamente felizes de ter Johnny fazendo um grande personagem nos filmes”. 

A situação de Depp, no entanto, mudou desde o fim de 2020, quando ele perdeu um processo contra o tablóide The Sun, que o chamou de "agressor de esposas". A Justiça britânica entendeu que a publicação provou o conteúdo de seu artigo. Pouco depois, o ator foi demitido de Animais Fantásticos e Onde Habitam, em que interpretava Grindelwald. Mads Mikkelsen assumirá o papel na sequência Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore.

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