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Flash | O que o retorno do Batman de Michael Keaton significa para o DCEU

Como o Batman clássico pode unir as pontas dos sucessos e fracassos da DC no cinema

Gabriel Avila
22.06.2020
19h04
Atualizada em
26.06.2020
18h04
Atualizada em 26.06.2020 às 18h04

Os fãs da DC foram pegos de surpresa com a notícia de que Michael Keaton está em negociação para reprisar seu papel como Batman no filme do Flash. Mas a euforia com o possível retorno do ator que viveu o Homem-Morcego nas décadas de 80 e 90 vai além de simplesmente vê-lo novamente vestindo o capuz. Como o longa do Velocista Escarlate é inspirado numa história que reiniciou o universo da editora nos quadrinhos, a escalação cria interessantes possibilidades para o futuro do Universo Cinematográfico da DC.

É um fato que o chamado DCEU está uma bagunça. A empreitada, que começou em 2013 com o lançamento de Homem de Aço, dividiu público e crítica, além de colecionar bilheterias instáveis. Se há sucessos estrondosos como Aquaman, que levantou mais de US$ 1 bilhão, houve arrecadações modestas, que ficaram abaixo do esperado pela Warner, como é o caso de Liga da Justiça.

Não é de se espantar que problemas do mundo real, como as crises pessoais vividas por Zack Snyder e Ben Affleck, tornam o universo desses filmes igualmente conturbado. Talvez seja por isso que filmes solo como os de Aquaman e Mulher-Maravilha tenham tido desempenho bem melhor do que aqueles que tentaram reunir os heróis, como Batman vs Superman ou Liga.

Capa da HQ Flashpoint Ponto de Ignição
Divulgação/DC Comics

Para muitos, então, a solução seria dar um reboot completo - e por que não fazer isso acontecer no filme do Flash? O diretor Andy Muschietti já revelou que a produção será uma adaptação de Ponto de Ignição (Flashpoint, no original), história que imagina como seria o mundo se Barry Allen usasse seus poderes para voltar no tempo e impedir que sua mãe fosse assassinada. O resultado é um enorme efeito borboleta que cria uma realidade alternativa bem diferente da sua, muito mais cruel e pessimista. A conclusão da HQ levou a DC Comics a reiniciar todas as suas revistas do zero, recontando a origem de seus heróis clássicos. O que parece simples no papel se mostra muito mais complexo na realidade.

Voltemos ao momento presente do Universo Cinematográfico da DC. Atualmente, a Warner prepara continuações de franquias que deram certo (Mulher-Maravilha, Aquaman e Shazam!), derivados (Adão Negro e O Fosso), um reboot (The Batman) e até o novo Esquadrão Suicida, que por hora não se enquadra em nenhuma dessas categorias.

Sendo assim, um reboot em todo esse universo - já descontando o outro reinicio para o Batman - parece bem improvável, já que seria necessária uma mudança radical em projetos que já estão em andamento. E é aí que Flash pode se tornar o ponto-chave para a unir o que já deu certo com as novidades que estão prestes a ser apresentadas.

Michael Keaton como Batman
Divulgação/Warner Bros.

Reboot parcial

Se Muschietti pretende colocar o Barry Allen de Ezra Miller para reescrever a própria história, não seria de se estranhar que o herói fizesse modificações ao retornar. Ao entrar em contato com uma realidade paralela em que um dos poucos sobreviventes do efeito borboleta é um velho e amargurado Bruce Wayne interpretado por Michael Keaton, o velocista poderia retornar para um mundo novo. Enquanto Gal Gadot e Jason Momoa seguem como Mulher-Maravilha e Aquaman, o Batman agora pode ser um jovem Robert Pattinson que conheceu o Superman de forma mais amigável. O Esquadrão Suicida de David Ayer poderia ser completamente substituído pelo de James Gunn e até mesmo o isolado Shazam poderia interagir mais com os outros heróis.

Esse reboot parcial poderia criar a possibilidade de até mesmo reimaginar a Liga da Justiça, que exige uma nova versão tanto pela qualidade de sua versão final, quanto pelas limitações do Snyder Cut (visto que Ben Affleck dificilmente voltaria a viver o Cavaleiro das Trevas). Porém, o DCEU pode tomar uma decisão ainda mais corajosa e fazer algo que nem a Marvel tentou ainda: investir em um multiverso.

Oportunidades nas Infinitas Terras

Um conceito bastante celebrado nas produções da DC, seja nas HQs, desenhos animados e até séries de TV é o seu famoso multiverso. A ideia de que há infinitas terras coexistindo com diferentes versões dos personagens é fonte de histórias e correções de percurso desde a apresentação do conceito em 1961 - que curiosamente aconteceu na história Flash de Dois Mundos. Em seu filme solo, o Velocista Escarlate poderia passear por diversas realidades, encontrando diferentes versões de heróis e vilões, que funcionariam de forma totalmente independente, unidas apenas pela possibilidade de serem visitadas por ele.

Mais do que retornar ao universo dos filmes do Batman de Michael Keaton, a Warner poderia usar o conceito de diferentes mundos coexistindo para explicar que existe uma Terra em que o Batman sempre teve o rosto de Robert Pattinson, por exemplo. Ou até mesmo ser ainda mais ousada e apostar mais em projetos que existam de forma absolutamente isolada como Coringa. Ainda que seja necessário um cuidado para que não se torne outra bagunça, o multiverso é uma aposta viável caso o estúdio queira evitar a última e mais chocante hipótese para o seu futuro: o fim do DCEU.

A morte do DCEU (como conhecemos)

A Warner poderia ser ainda mais ousada e extinguir o DCEU como é agora. Nesse caso, não estaríamos falando simplesmente de cancelar os filmes e nunca mais tocar em super-heróis, mas sim de encerrar a necessidade de conectar seus projetos. A presença de Michael Keaton e até outros possíveis universos pode servir para meramente apresentar a ideia de que essas versões coexistem sem a necessidade de se encontrarem. Nesse sentido, é possível replicar o que a CW fez no crossover Crise nas Infinitas Terras em que meramente acenou para outros mundos enquanto focou naquele que abriga as séries do Arrowverso.

Além de celebrar todo o legado de seus heróis nos cinemas, esse encerramento seria libertador para que os projetos possam ter a cara de seus autores, seja a galhofa de Shazam! ou a frieza de Coringa. O que seria benéfico não apenas para projetos vindouros, como para sequências e derivados, que não precisariam necessariamente se manter amarrados em uma cronologia estabelecida em filmes anteriores.

Montagem com fotos de Shazam! e Coringa
Divulgação/Warner Bros.

Independente do rumo que tome, o filme do Flash certamente será um divisor de águas para a DC nos cinemas. O longa, que marcará a primeira aventura solo do Velocista Escarlate, carrega possibilidades mais do que animadoras para os fãs de heróis, gênero que caminha para a saturação e que mais do que nunca precisa de novas ideias.

Com ou sem Michael Keaton, Flash tem estreia marcada para em 3 de junho de 2022.

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