Link Perdido

Créditos da imagem: Laika/divulgação

Filmes

Crítica

Link Perdido

E lá vamos nós mais uma vez atrás de um pé grande

Marcelo Forlani
23.11.2019
09h28

Quando o assunto é animação em stop-motion, há duas empresas que conseguem chamar atenção pela sua produção constante e qualidade: a inglesa Aardman e a americana Laika. E é curioso notar que alguns temas ou épocas acabam se repetindo, mesmo que em histórias completamente diferentes.

Em Piratas Pirados, a Aardman mostrava um Charles Darwin querendo capturar o Dodô que servia de papagaio ao Capitão Pirata sedento por fama. Agora, em Link Perdido (Missing Link, 2019), a Laika está na mesma Londres vitoriana e um Sir Lionel Frost (voz original de Hugh Jackman) quer ser reconhecido em um seleto clube de caçadores. Na sua estante, o esqueleto de um dodô se equilibra entre livros e mapas.

Deste ponto em diante, as aventuras se separam. Sir Lionel viaja ao Oeste americano para sua maior descoberta, o temido e lendário Pé Grande. Mas o que ele acaba encontrando por lá é muito mais do que isso. O último Sasquatch da região se chama Link (voz de Zach Galifianakis), aprendeu a ler, escrever e falar como um humano, mas está cansado de viver escondido e sozinho na floresta e pede ajuda ao nobre caçador para chegar a Shangri-lá, onde, segundo conta a lenda, vivem os seus primos, os abomináveis homens das neves. 

A travessia ao outro lado do mundo vai se mostrar mais cabeluda que o próprio Link, quando um caçador de recompensas (voz de Timothy Olyphant) tenta deter Sir Frost. Para ajudá-los, entra em cena Adelina Fortnight (Zoe Saldana, mas poderia ser Salma Hayek, dada a semelhança física com a atriz mexicana), que já teve seus anos de aventura e agora volta à estrada. 

Com ação, piadas para agradar aos adultos e uma cena mostrando a construção de uma cena pela floresta da Índia a bordo de um elefante, a animação segue à risca a fórmula que deve agradar a fãs de todas as idades. Falta, porém, alguma novidade, ou uma mensagem que fale mais ao coração, como foi no espetacular Kubo, até hoje o melhor longa-metragem da produtora criada por Phil Knight (também criador da Nike). E esta falta de algo novo e repetição de temas se acentua ainda mais quando lembramos que há pouco tempo tivemos PéPequeno, da Warner, e Abominável, da Illumination. Pelo jeito, o que está perdido não é o Pé Grande, mas sim a criatividade, a vontade de pensar em histórias novas, diferentes.

Nota do Crítico
Bom