Abominável

Créditos da imagem: Abominável/DreamWorks/Reprodução

Filmes

Crítica

Abominável

Apesar de protagonista carismático, nova animação da DreamWorks pena com uma narrativa pouco inspirada

Mariana Canhisares
24.09.2019
17h15

Uma criança aparentemente comum que, de repente, se vê diante de uma criatura fantástica e decide ajudá-la a voltar para casa. A premissa de Abominável lembra E.T.: O Extraterrestre e não é pouco - até mesmo o icônico gesto do personagem-título encontra espaço na animação em uma versão adaptada, distante do universo dos alienígenas. Afinal, no filme da diretora Jill Culton, o extraordinário não está em um ser de outro planeta, mas sim em um yeti.

Everest, como a jovem protagonista Yi o chama, não corresponde exatamente ao estereótipo do chamado “Abominável Homem das Neves”. Embora seja enorme e tenha uma boca avantajada, ele não é lá muito assustador. Pelo contrário. Com a notável similaridade com o Banguela, de Como Treinar o Seu Dragão, o yeti é bem fofo e carismático. Essa personalidade, aliada ao seu surpreendente poder de controlar a natureza, cria momentos encantadores na animação e dá um pouco mais de coração à história que, infelizmente, tem um quê de genérica.

Diferentemente de outros projetos da DreamWorks, falta a Abominável a coragem de ser mais ousado, inclusive visualmente. Ainda que as cenas em que Everest usa sua magia sejam mais caprichadas, o design dos personagens e dos cenários não têm muita textura, nem nada de muito memorável. Mesmo assim, as escolhas estéticas às vezes tímidas são o menor dos problemas. Em última instância, o filme tem um roteiro fraco.

Além da história por si só ser pouco original, as viradas vêm do nada, sustentadas em diálogos explicativos sem muita ligação com o que estava sendo narrado até então. Basta observar a trajetória de um dos vilões, o megalomaníaco Burnish, que vai de um protótipo de Cruella de Vil a defensor dos animais em questão de um flashback. Mas o que esperar de uma produção que faz a escolha óbvia de colocar “Fix You”, do Coldplay, no momento mais emocionante da trama?

O que mantém a narrativa interessante é realmente a amizade inusitada entre Everest e o grupo de jovens humanos liderado por Yi. O humor infantil e gracioso desta relação cria uma dinâmica divertida e ameniza a falta de inspiração em alguns momentos da aventura. Ainda assim, fica a impressão de potencial desperdiçado em Abominável. Ele é bom, mas poderia ser melhor.

Nota do Crítico
Bom