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Crítica

Piratas Pirados! | Crítica

Longa mostra que Aardman continua empenhada nas animações de massinha, mas não na sua melhor forma

Marcelo Forlani
10.05.2012
18h54
Atualizada em
29.06.2018
02h44
Atualizada em 29.06.2018 às 02h44

A Aardman é um estúdio de animação inglês sediado em Bristol e que tem como principal cartão de visitas os curtas da série  Wallace & Gromit, exibidos por lá na BBC e que acabaram também ganhando um longa-metragem em 2005. De lá para cá, eles lançaram o "fracasso" Por Água Abaixo (Flushed Away) e voltaram ano passado (de "casa" nova, ao lado da Sony Pictures), com o natalino Operação Presente (Arthur Christmas). Piratas Pirados! (Pirates! Band of Misfits) é o segundo longa-metragem desta nova safra.

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Mais uma vez feito em stop-motion (fotografado quadro a quadro, com personagens e cenários de massinha) e a ajuda da computação gráfica quando necessário, a animação mostra um grupo de piratas que tem como ápice de seu cotidiano, o Dia do Presunto. Suas pilhagens são quase sempre fracassadas, seu navio está em frangalhos, eles possuem um albino, uma mulher (mal disfarçada) e um papagaio gordo a bordo, e seu comandante, o Capitão Pirata (voz original de Hugh Grant), é motivo de piada entre seus pares e nunca conseguiu chegar perto do prêmio de "Pirata do Ano", sua maior ambição.

Neste ambiente de fracassados que só não perdem o bom humor e a animação de continuar se divertindo mesmo nas marés mais baixas, o roteiro mira na importância da amizade e lealdade. O texto é uma adaptação de Gideon Defoe para os seus próprios livros, inéditos por aqui. A mensagem é batida e já foi bastante explorada nos mais variados gêneros, mas continua importantíssima e bem-vinda nas produções voltadas ao público infantil. De quebra os pequenos ainda são apresentados a figuras históricas (Rainha Vitória, Charles Darwin, Jane Austen) e conhecem o dodô, ave que as pessoas acreditavam estar extinta.

Há no filme várias piadas voltadas aos adultos, principalmente tendo o evolucionista Charles Darwin (David Tennant) como ponto de partida. Aliás, seu "chimpanman", o Sr. Bobo, é um ladrão de cenas. Com seu raciocínio avantajado, ele é o Gromit da vez, mais astuto do que seu criador. Outro ponto alto da trama (pelo menos para quem é fã da série de TV Flight of the Conchords) é a ótima canção "I'm not crying", interpretada por Bret e Gemaine - lembrando que o primeiro ganhou este ano o Oscar de Melhor Canção por "I'm a Muppet", desbancando os brasileiros Carlinhos Brown e Sergio Mendes.

Falando de aspectos técnicos, esta primeira animação em stop-motion 3D da Aardman não chama atenção o suficiente para fazer valer a pena o preço extra da projeção nestas salas especiais. O resultado é apenas bom, não chegando ao requinte de Coraline e o Mundo Secreto. Este é, aliás, um bom resumo para o resultado final do projeto: bom, mas aquém do que já foi feito anteriormente. Até mesmo dentro da própria Aardman, que mantém uma ótima média, mas já nos mostrou que é capaz de mais. E é este "mais" que nós sempre queremos e esperamos de quem já fez algo tão genial quanto Fuga das Galinhas, que consegue levar a um galinheiro no interior da Inglaterra a situação de um campo de concentração nazista.

Nota do Crítico
Bom