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Crítica

Kubo e as Cordas Mágicas | Crítica

Estúdio de Coraline e BoxTrolls cria sua animação mais completa

Marcelo Forlani
20.10.2016
12h30
Atualizada em
15.02.2017
20h46
Atualizada em 15.02.2017 às 20h46

Que os temas orientais rendem ótimos filmes, Hollywood já sabe desde antes de adaptar Os Sete Samurais para o faroeste Sete Homens e um Destino pela primeira vez, em 1960. Suas metáforas, seus temas, seus cenários já haviam trazido recentemente a ótima série animada Kung Fu Panda, que une ação, comédia e um visual incrível. Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings, 2016) é uma versão meio hipster da mesma fórmula, que troca a animação em computação gráfica pelo stop-motion, a China pelo Japão e os lutadores antropomórficos pela magia.

Desde o começo do longa-metragem vemos que há algo de especial no menino Kubo. O protagonista era apenas um bebê quando seu pai, um grandioso samurai chamado Hanso, é morto pelo Rei Lua e suas duas filhas. Na batalha, o menino perde seu olho esquerdo. Quem salva Kubo é sua mãe, também filha do Rei Lua e dona de poderes mágicos que seu filho acaba herdando.

É usando este dote familiar e o dom de contar histórias que Kubo ganha a vida durante o dia. Enquanto há sol, ele corre até a vila mais próxima e toca seu shamisen (espécie de banjo de três cordas), fazendo com que pedaços de papel virem origamis de samurais, espadas e tudo mais que uma grande aventura precisa. Ao soar do sino do pôr do sol, ele volta correndo para a caverna onde está sua adoecida e desmemoriada mãe, que não se cansa de lembrá-lo de que ele não deve sair à noite, pois suas tias e seu avô estão à sua procura, para arrancar-lhe o outro olho.

Os motivos deste drama familiar serão contados com a ajuda de um macaco, um samurai-besouro gigante e muito bom humor, que vem para balancear o tom mais sombrio que pode chegar a assustar as crianças menores que se aventurarem ao cinema. Há nesta nova animação do estúdio Laika um equilíbrio de conteúdo infantil e adulto que eles ainda não haviam conseguido mostrar em suas produções anteriores, como Coraline, ParaNorman e BoxTrolls.

Os japoneses mais puristas podem vir a reclamar que há uma ocidentalização muito grande na trama - o que é verdade -, mas é inegável o respeito do diretor Travis Knight pelo tema. Os cenários, os figurinos e a trilha sonora homenageiam o tempo todo a cultura nipônica, tornando Kubo uma bela mistura entre o que há de melhor na animação hoje em dia. Para ficar perfeito, só faltou colocar uma protagonista feminina, como já faz o mestre Hayao Miyazaki há muito tempo.

Nota do Crítico
Ótimo