PéPqueno

Créditos da imagem: Warner Bros./Divulgação

Filmes

Crítica

PéPequeno

Quando um Pé Grande descobre um Pé Pequeno, tudo em que acreditava é colocado em xeque

Marcelo Forlani
03.10.2018
18h23
Atualizada em
03.10.2018
18h52
Atualizada em 03.10.2018 às 18h52

A premissa de PéPequeno (Smallfoot, 2018) é muito boa: uma vila de "pés-grandes", também conhecidos como Yetis, funciona em total harmonia. Eles têm comida, neve, transporte em teleféricos, neve e, além de mais neve, um monte de regras e verdades, que ficam expostas em forma de um casacão de pedras no corpo do seu líder, o Guardião das Pedras. O número musical do começo é quase um “Tudo é Incrível”, mas trocando o mundo de LEGO pelo nada-abominável mundo das neves.

Porém, em mais um dia de muita… (acertou!) neve, uma “ave de metal” (que nós humanos conhecemos como avião) surge no céu pegando fogo e cospe uma coisa… um PéPequeno! E o que era apenas uma lenda para o protagonista Migo (voz original de Chaning Tatum), vira um pesadelo, quando seu mundo, suas crenças, suas verdades todas são colocas em xeque. Ele descobre, então, que existe uma sociedade secreta que também questiona não apenas a existência dos PésPequenos, mas também as outras regras escritas nas pedras. Banido da sua vila, Migo usa a ajuda de seus novos companheiros para partir em uma viagem em busca da sua redenção, provando que ele não está mentindo, nem é louco.

Troca de papéis

A animação dirigida por Karey Kirkpatrick (Os Sem-Floresta) mostra essa inversão de papéis de forma divertida e é recheada de boas piadas, que vão do humor mais físico, digno de um Papa-Léguas, a outras que ficam ali no roteiro, escondidas para serem achadas e digeridas como uma trufa. Talvez a comparação não seja ideal, afinal, o longa tem apelo popular e deve agradar em cheio as crianças famintas por pipoca, números musicais e algumas portadas na cara. Aos pais e demais adultos que vão ao cinema, sobram o conforto em ver uma história que ensina a não acreditar cegamente nas regras sem ao menos questioná-las e, claro, a busca pelo convívio harmonioso. 

Em tempos de adoração religiosa sendo adotada para fazer política, questionar o que está escrito em pedras sagradas pode ser bastante útil.

Nota do Crítico
Bom