Foto de Batwoman

Créditos da imagem: Batwoman/CW/Divulgação

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Batwoman fala de representatividade e Marvel após a Crise nas Infinitas Terras

Série com Ruby Rose continua dependendo muito da vilã Alice, mas encontra espaço para falar de assuntos importantes

Camila Sousa
31.01.2020
20h53
Atualizada em
31.01.2020
21h14
Atualizada em 31.01.2020 às 21h14

A Crise nas Infinitas Terras foi um marco para séries longevas na CW, como Arrow e Flash, mas ela também trouxe mudanças para produções mais recentes, como Batwoman. O seriado protagonizado por Ruby Rose ganhou novos elementos com o evento, apesar de ainda depender muito da vilã Alice (Rachel Skarsten).

[Spoilers de “How Queer Everything Is Today!” abaixo]

O capítulo já começa com uma novidade, que é a questão da representatividade. Claro, desde o começo Kate Kane foi apresentada como uma personagem lésbica e seus relacionamentos foram tratados com uma bonita naturalidade na primeira parte da série. O inédito aqui é falar sobre preconceito e se mostrar como alguém que não é. Kane fica claramente incomodada quando a mídia começa a “shippar” seu relacionamento com um policial. Como paladina da Coragem na Crise nas Infinitas Terras, ela sente que está chegando a hora de falar a verdade ao mundo.

Tal trama é intensificada pela presença de Parker Torres (Malia Pyles), uma jovem lésbica que se vê sem saída quando seus pais não aceitam sua homossexualidade. O encontro entre a Batwoman e a garota é poderoso porque Kane ouve verdades muito difíceis de alguém que está passando por algo que ela conhece bem. Isso leva a Batwoman a revelar na revista CatCo (agora presente na Terra Prime unificada) que ela é sim lésbica e não tem medo de revelar isso ao mundo.

Foto de Batwoman
Batwoman/CW/Divulgação

Ao colocar tal história, a série da CW abre um caminho interessante. Por mais que seja confiante, a própria Batwoman tem receios de revelar quem é para o mundo, mostrando que está tudo bem ter medo. O importante é saber que esse medo não durará para sempre. Isso faz o episódio terminar em uma nota positiva, apesar da já citada constante dependência da vilã Alice.

Não que a personagem de Skarsten seja ruim. O conflito da irmã perdida que retorna como vilã tem pontos interessantes. O problema é que, ao chegar no décimo episódio da temporada, essa trama começa a soar repetitiva: Alice faz alguma coisa, Kate a encontra, mas não tem coragem de fazer nada mais definitivo contra a irmã, que foge até o próximo episódio. O universo de Gotham é vasto e seria muito bom ver mais da Batwoman enfrentando outros conflitos, até para seu crescimento como heroína ser mais completo.

Enquanto a vigilante ainda tem problemas de desenvolvimento, quem não sofre disso é Mary Hamilton, personagem de Nicole Kang. A meia-irmã de Kate é um dos nomes mais interessantes do seriado até aqui. Apesar de vir de uma família rica e ter tudo para ser só uma garota fútil das redes sociais, Mary entende a importância de ajudar aos outros e, com a prisão do pai, a jovem de personalidade forte volta todas as suas forças para provar a inocência de Jacob Kane (Dougray Scott). Kang entrega uma jovem complexa, que ainda sofre com a perda da mãe, mas que não tem medo de correr atrás do que deseja.

Batwoman ainda encontrou tempo no episódio para algumas citações curiosas. Além de falar do seriado Mr. Robot ao chegar em um local, Kate Kane ainda cita o Capitão América e a narração fala de Chris Evans, como se os filmes de Os Vingadores existissem (como ficção) no universo da personagem. As falas, é claro, não passam de referências e não levam a algo concreto, mas é significativo ver uma produção da CW/Warner falando tão claramente sobre uma produção da Marvel. Agora é esperar, mais uma vez, que o canal dê a liberdade narrativa que a heroína tanto precisa.