Ruby Rose como Batwoman/CW

Créditos da imagem: CW/Divulgação

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Batwoman tem seu melhor episódio até agora

Kate esbarra nas dificuldades de manter uma vida dupla

Nicolaos Garófalo
30.10.2019
18h55

É difícil imaginar um cenário melhor para Batwoman do que o apresentado nestas primeiras quatro semanas de transmissão. Apesar de não ter uma audiência espetacular, a série tem apresentado números consistentes o bastante para convencer a CW a encomendar uma temporada completa. E, mesmo que alguns críticos mais puristas reclamem do quanto a nova produção do Arrowverse tem se apoiado na mitologia do Batman, não se pode negar que a história de Kate Kane (Ruby Rose) tem resultado em episódios sólidos, muito graças à qualidade de seu roteiro. O quarto capítulo da série, “Who are you?”, usa a química entre os protagonistas para avançar a trama de quase todos os personagens sem tirar o foco da heroína.

[Spoilers de “Batwoman – Who are you?” a seguir]

Apesar de terem a melhor dinâmica da série até agora, Kate e Alice (Rachel Skarsten) não se encontram em “Who are you?”. Essa distância entre as irmãs ajuda não só a desenvolver a relação da protagonista com Luke (Camrus Johnson) - que vai ganhando mais profundidade e deixa de ser só “o cara dos equipamentos” - mas também descansa um pouco a vilã, que, vez ou outra, roubava demais o foco da personagem-título.

A vilã passageira da semana do episódio é Magpie (Rachel Matthews), uma ladra de joias que usa explosivos para entrar e sair de museus. Apesar de, à primeira vista, parecer apenas uma imitação barata da Mulher-Gato, a criminosa serve bem à trama, mostrando as dificuldades de Kate em seus primeiros passos como a nova vigilante de Gotham – a cena do batarang passando reto pela mão da Batwoman é impagável. Outro problema da protagonista, além da falta de experiência, é a administração de sua nova vida dupla, retratada no capítulo por Reagan (Brianne Howey).

Apesar do relacionamento entre Kate e a bartender parecer um mar de rosas, a heroína precisa constantemente arranjar desculpas para seus sumiços repentinos, disfarçados por mentiras cada vez mais absurdas. Rose finalmente se destaca de verdade no papel principal, mostrando o quanto está dividida entre sua nova missão e a possibilidade de uma conexão mais próxima com Reagan.

A atriz também parece mais a vontade dentro do uniforme da Batwoman. Apesar de a cena em que defende os cidadãos de pequenas pérolas explosivas lembrar um pouco o tom absurdo de Batman & Robin, com efeitos e coreografia risíveis, os demais momentos em que a heroína aparece, seja lutando contra Magpie ou tendo uma conversa com Mary (Nicole Kang, outra que recebe um merecido descanso após elevar todos os episódios anteriores), mostram que Rose entendeu sua personagem, que se torna mais carismática e intensa a cada novo capítulo.

Ainda que seja vista como uma substituta para Arrow, que deixará as telas após sua oitava temporada, Batwoman não passa pelo mesmo problema para encontrar o equilíbrio entre o tom sombrio e a diversão. Aproveitando a experiência das outras quatro séries do Arrowverse, a produção sabe quando pode ou não rir de si mesma, sem esquecer que está no mundo escuro do Batman. A troca de farpas entre Kate e Luke, por exemplo, em nada afeta o peso do confronto entre Alice e Catherine (Elizabeth Anweis), que se vê obrigada a admitir ao marido, Jacob (Dougray Scott), ter falsificado os documentos que comprovavam a morte de sua filha.

Ao mesmo tempo, falta um pouco de tensão em “Who are you?”. Enquanto Tommy/Silêncio (Gabriel Mann) trouxe uma ameaça real à vida dos entes queridos de Kate na semana passada, a mera presença de Magpie não dá a mesma sensação de urgência ou suspense ao novo episódio, por mais útil que tenha sido à trama. Não ter uma ameaça iminente ou um vilão que apresente um risco real diminui bastante o investimento emocional na trama, que poderia se beneficiar com um pouco mais de suspense.

Já livre das amarras de apresentar cada um de seus personagens, Batwoman vai tendo liberdade para focar nas relações que menos desenvolvidas em sua primeira trinca episódios. Confortável consigo mesma e com a história que quer contar, a série continua a apresentar uma forte primeira temporada, com “Who are you?” sendo seu melhor episódio até agora. Agora resta torcer para que a qualidade se mantenha pelos dezoito episódios restantes do primeiro ano.