Cena de Batwoman/CW/Divulgação

Créditos da imagem: CW/Divulgação

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Jogos psicológicos cercam primeira aparição de Batwoman

Episódio tenso continua bom desenvolvimento de personagens

Nicolaos Garófalo
22.10.2019
21h15

Um dos pontos fortes de Batwoman até agora neste começo de série é a tranquilidade e o tempo tomado pelos roteiristas para desenvolver suas personagens. Nos primeiros dois episódios da produção, as relações de Kate (Ruby Rose) com sua família foram tão ou mais importantes que sua transformação na heroína-título, assim como a exploração das motivações de Alice (Rachel Skarsten) e Jacob (Dougray Scott). O terceiro capítulo da primeira temporada, “Down, Down, Down”, continua a construção tranquila de seus personagens ao mesmo tempo que, enfim, traz a tão esperada “estreia” da Batwoman.

[Spoilers de “Batwoman – Down, Down, Down” à frente]

Assim como na semana passada, Kate continua tentando, em vão, se reconectar com a irmã. Alice, por sua vez, repreende a protagonista por ter se disfarçado de Batman e dado esperanças a Gotham, garantindo que Kate, pelo menos por enquanto, desista de vestir o capuz do Cavaleiro das Trevas. Ao mesmo tempo, o retorno de Tommy Elliot (Gabriel Mann) cria uma insegurança na heroína, já que o amigo de Bruce dá a entender que sabe que o bilionário é o Batman e tenta usar sua prima como forma de atraí-lo para uma armadilha.

Esse tom de desconfiança permeia todo o episódio, criando uma atmosfera tensa na já escura série do Arrowverse. Mesmo as relações de casais como Sophie (Megan Tandy) e Tyler (Greyston Holt) e Jacob e Catherine (Elizabeth Anweis) são afetadas pela paranoia criada pelos ataques de Alice e de Tommy, expondo algumas feridas em relacionamentos aparentemente perfeitos.

Mary (Nicole Kang), irmã adotiva de Kate, continua sendo a melhor coisa da série até aqui. Sua vida dupla como socialite que “estuda apenas para encontrar um futuro marido” e a dona de um hospital clandestino reflete as dificuldades da própria Batwoman, mas, ao contrário da irmã, sempre questionando se está ou não fazendo o certo, a estudante traz consigo uma leveza e um alívio cômico sutil, extremamente bem-vindos em um episódio cujos inimigos são duas bombas-relógio imprevisíveis.

Alice também rouba as cenas em que aparece. Seja na maneira como Skarsten entrega suas falas ou movimenta seu corpo, a vilã mostra que resta muito pouco do carinho que sentia por sua família quando ainda se identificava como Beth. Mesmo na cena em que ela salva a Batwoman de um Tommy maníaco, espera-se que, a qualquer momento, Alice se aproveite do momento para esfaquear a irmã. As ameaças e olhares vidrados da personagem criam uma antagonista que, se bem aproveitada, pode servir como a grande nêmesis de Kate, como o Coringa é para Bruce Wayne.

O momento mais esperado, porém, era a estreia definitiva da nova heroína de Gotham. Assim como nas últimas semanas, os roteiristas resistiram até os últimos minutos antes de vestir Ruby Rose no traje da Batwoman, solidificando a base que faria com que Kate decidisse assumir sua própria identidade como defensora da cidade. As motivações por trás da decisão, que vão de proteger a cidade de sua irmã psicopata a impedir que inimigos antigos do Batman decidam voltar à ativa, a criação desse novo símbolo chega à sua conclusão de forma natural ao final do terceiro episódio. A formação de Kate como uma heroína, por outro lado, passará por diversas provações, assim como seus colegas de Arrowverse.

Melhor episódio nesse começo de série, “Down, Down, Down” conclui o primeiro arco de Batwoman – o surgimento da heroína – de maneira competente e abre espaço para que novas tramas ocupem o vácuo deixado. Se os personagens continuarem tendo espaço para crescer e a audiência der uma chance, a série pode se tornar uma das mais divertidas e importantes propriedades da DC na CW.