Jujutsu Kaisen

Créditos da imagem: Jujutsu Kaisen/Divulgação

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Será Jujutsu Kaisen o novo Naruto?

Novo shonen de luta da Jump faz sucesso, mas poderá essa nova série alcançar Naruto?

Fábio Garcia
27.01.2021
09h00
Atualizada em
27.01.2021
10h38
Atualizada em 27.01.2021 às 10h38

A série Jujutsu Kaisen tem gerado muitas notícias nos últimos tempos: é recorde na venda de volumes impressos do mangá, é o anime mais visto da Crunchyroll no Brasil em 2020 e por aí vai.

O título já é um sucesso e muitas pessoas esperam toda semana para ver o desenrolar da trama do jovem Yuji Itadori em sua busca pelos dedos amaldiçoados de Sukuna, mas será que Jujutsu Kaisen será um fenômeno? Conseguirá ele ser o sucessor espiritual do legado do ninja loiro Naruto? Antes de afirmar isso, precisamos entender o que é Jujutsu Kaisen e analisar como um shonen de luta se comporta.

O começo de Jujutsu

Shonen Jump
Shonen Jump/Shueisha/Reprodução

Jujutsu Kaisen nasceu na mente de Gege Akutami e é publicado desde 2018 na Shonen Jump, uma das mais populares revistas de mangá no Japão. A história está longe de inventar a roda e mostra Yuji Itadori, um rapaz que ingressa no clube do oculto em sua escola com o objetivo de ter uma agenda mais livre, afinal ele costuma visitar o avô internado em um hospital.

O tal clube do oculto consegue um artefato estranho, uma espécie de dedo enrolado com uma fita, e isso atrai algumas entidades sobrenaturais para a escola. Em um momento de desespero, encurralado por maldições manifestadas como monstros, Yuji engole (!) o tal dedo ancestral e, a partir daí, passa a dividir o corpo com a poderosa maldição Sukuna. Com um poder transbordando pelos poros, Yuji é visado pela Escola Jujutsu, uma instituição que ensina pessoas com poderes amaldiçoados, cujo interesse oculto é manter o Sukuna por perto.

Assim, Yuji Itadori precisa então formar um time com pessoas excêntricas, ganha um tutor que lhe ensinará a arte das maldições e ainda recebe um objetivo a longo prazo: não precisa só encontrar todos os dedos da maldição, mas também aumentar sua força para impedir que Sukuna controle seu corpo.

O fato de o mangá de Jujutsu Kaisen ser publicado semanalmente nas páginas da revista Shonen Jump traz uma responsabilidade enorme ao título. Naquelas mesmas páginas de papel reciclado os japoneses já acompanharam obras como Dragon Ball, One Piece, My Hero Academia e, claro, Naruto. Embora a Shonen Jump seja mundialmente conhecida como casa dos mais famosos "shonens de lutinha", emplacar uma série desse gênero na antologia é um desafio muito grande, principalmente pelo histórico de sucessos da publicação.

Jujutsu Kaisen
Jujutsu Kaisen/Shueisha/Reprodução

Como se não bastasse a competição com o "legado", Jujutsu Kaisen ainda precisou competir com mangás de peso do presente durante o começo de sua publicação na Shonen Jump. Na mesma época que o mangá de Gege Akutami estava engatinhando na trama, a revista da Shueisha trazia sucessos como Haikyuu, Dr. Stone, My Hero Academia, Food Wars, Gintama e um certo Demon Slayer - Kimetsu no Yaiba que ainda não havia estourado. Mesmo assim, Jujutsu Kaisen se manteve firme, forte e ainda conseguiu um anime anunciado pouco mais de um ano e meio depois da estreia. E a grande chance de todo shonen de luta é ter um anime para chamar de seu.

O estouro de Jujutsu Kaisen

Muitos enxergam o anime como a principal fonte de lucro de uma série, mas a animação é quase como uma "propaganda" do mangá (e do merchandising, lógico). Um exemplo é Demon Slayer, cujas vendas eram bem normais até a exibição do anime; a partir daí, a popularidade da série estourou e, atualmente, Demon Slayer entrou na lista dos mangás mais vendidos de todos os tempos, batendo recorde atrás de recorde. Ou seja, o anime pode ser muito importante para o sucesso de um mangá.

A animação de Jujutsu Kaisen é produzida pelo Mappa, o que já tranquilizou os fãs. O estúdio é muito competente em séries com luta e ação, basta ver a qualidade de The God of High School e a temporada final de Attack on Titan, isso sem falar na habilidade da equipe com animação feita em computação gráfica, como vimos em Dorohedoro. Ou seja, havia um bom histórico e altas chances do anime de Jujutsu Kaisen ser bem produzido.

Jujutsu Kaisen
Jujutsu Kaisen/Mappa/Divulgação

Após a estreia do anime no final de 2020, qualquer receio a respeito de uma possível adaptação mediana ficou para trás. A produção de Jujutsu Kaisen é uma das mais belas animações para televisão feitas nesses últimos tempos, com cenas de luta muito bem coreografadas e mesclando com êxito a animação tradicional e alguns efeitos especiais computadorizados nos golpes dos personagens. Quando Yuji incorpora seu poder nos punhos, um efeito luminoso circula suas extremidades com uma beleza encantadora.

O Mappa imprimiu ao anime de Jujutsu Kaisen um "filtro dark de Instagram", brincando com sombras e tons mais escuros, ao contrário do mangá que, por limitações monocromáticas, é bem mais claro e limpo (principalmente nos cenários). O anime acabou com uma aparência mais sombria, embora a história seja um típico shonen de lutinha destinado ao público alvo de 15 anos de idade. A mistura acabou agradando tanto o público mais velho, que foi atraído pela bela animação, quanto os mais novos, encantados pela história e lutas.

Jujutsu Kaisen atraiu público até por métodos pouco convencionais: a vinheta de encerramento do anime, com os personagens pintados de uma forma estilosa e dançando ao som da música "Lost in Paradise" (do AKLO), viralizou nas redes sociais e plantou a sementinha do interesse em pessoas que haviam deixado Jujutsu Kaisen de lado por algum motivo.

No final, o anime teve um saldo positivo. As vendas do mangá de Jujutsu Kaisen explodiram no Japão e a série já conta com 25 milhões de volumes encadernados em circulação no país. A lista de vendas feita pela Oricon na metade de janeiro mostrou o impacto da animação: dos 15 mangás mais vendidos no Japão, 14 eram edições de Jujutsu Kaisen (somente o primeiro lugar ficou com outro título, o mais recente volume de Attack on Titan).

Mas com números tão impressionantes, já podemos colocar um selo de fenômeno em Jujutsu Kaisen e compará-lo com o sucesso de Naruto nas últimas décadas? Bem, é preciso um pouco de calma aí.

A construção do fenômeno

Jujutsu Kaisen guarda muitas semelhanças com Naruto em sua história, e é até possível descrever a sinopse das duas tramas da mesma forma. Duvida? "Este mangá mostra um protagonista que carrega um poderoso demônio dentro de si, formando um time com um rival pouco sociável e uma garota de personalidade forte, todos tutelados por um professor de cabelos brancos estiloso em uma escola com poderes".

Jujutsu Kaisen
Jujutsu Kaisen/Mappa/Reprodução

Nada na história de Jujutsu Kaisen é inédito nos mangás, e cada pequeno pedaço das aventuras de Yuji Itadori pode ser encontrado em outras séries. Assim como é possível associar Yuji a Naruto ou o professor Satoru Gojo ao Kakashi-sensei, essas mesmas características já existiam muito antes de Naruto existir. A estrutura de um shonen de lutinha típico é sempre a mesma, reaproveitando elementos de obras anteriores. A batalha de intercâmbio de Jujutsu Kaisen não difere muito do exame Chunin de Naruto, que por sua vez é bastante parecido com o exame de seleção de Hunter x Hunter e por aí vai. O grande desafio de um autor de mangá desse gênero é saber pegar estruturas já conhecidas e colocar um tempero especial que converse e gere identificação com o público da época.

Há dezenas de mangás com torneios de luta, mas Dragon Ball e Yu Yu Hakusho conseguiram se destacar por apresentar o clichê com um gostinho diferente. Ou o que dizer do famoso arco em que um personagem precisa atravessar uma localidade para realizar um salvamento no final, como as doze casas de Os Cavaleiros do Zodíaco, ou Ennies Lobby em One Piece? E vamos lembrar que o público alvo do mangá não necessariamente leu essas obras anteriores, então eles estão sendo apresentados aos clichês por meio dos atuais shonen de luta.

Jujutsu Kaisen
Jujutsu Kaisen/MAPPA/Reprodução

O mangá de Jujutsu Kaisen é o arroz com feijão bem temperado, e a animação tem funcionado como um cardápio ilustrado com uma foto valorizando o prato. Tem seus defeitos na narrativa, algumas vezes o autor parece não saber começar ou encerrar histórias de forma clara, mas é um anime com mais qualidades do que defeitos. E o principal: funciona como entretenimento, vai distrair o espectador que busca apenas ver umas lutas com poderes sem se preocupar muito.

Ainda é cedo para definir se a história tem pique para se tornar um fenômeno como Naruto, até porque o próprio conceito de fenômeno parece diferente hoje em dia, se compararmos com o mercado da animação de 15 anos atrás, quando Naruto estourou. Podemos apenas afirmar que Jujutsu Kaisen já é um dos principais pilares da Shonen Jump na atualidade, ao lado de One Piece e My Hero Academia.

Jujutsu Kaisen está disponível no Brasil na Crunchyroll, com episódios inéditos sendo lançados todas as sextas-feiras. É possível também assistir ao anime com dublagem em português, também na Crunchyroll. Para quem busca o mangá, ele é publicado no Brasil pela editora Panini com o nome Jujutsu Kaisen - Batalha de Feiticeiros.

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