Homelander em The Boys, na TV, e nos quadrinhos

Créditos da imagem: Prime Video/Divulgação; Dynamite Entertainment/Reprodução

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The Boys e o Herogasm: Como a orgia de heróis mudou das HQs para a TV

Adaptação conduzida por Eric Kripke diminuiu escala, mas aumentou a tensão do evento

Omelete
2 min de leitura
Eduardo Pereira
30.06.2022, às 14H07

[O texto abaixo traz spoilers da terceira temporada de The Boys]

Depois de muito hype, The Boys finalmente revelou sua versão da orgia de heróis Herogasm, no sexto episódio da sua terceira temporada: uma festa sexual para “supers” de segunda linha, organizada pelos Gêmeos TNT (Kristin Booth e Jack Doolan), ex-membros da superequipe Payback. Além de servir como um convite para o showrunner Eric Kripke e toda a equipe criativa da produção criarem um sem número de situações constrangedoras, o libidinoso evento cumpriu o papel de pano de fundo para o fechamento de muitas promessas antigas da série — desta mesma temporada ou até mais velhas — e preparou o terreno para o que prometem ser dois episódios de encerramento bombásticos.

Apesar de bem conduzida, essa sinergia entre o fan service e o progresso narrativo tentada pela série do Prime Video não foi o bastante para agradar todo o público; especialmente a parcela de fãs que esperava ver em tela algo mais próximo do material de origem. Publicada em 2009, Herogasm foi uma minissérie em quadrinhos composta por seis edições e assinada por Garth Ennis, John McCrea e Keith Burns. Pensada como um derivado da revista principal de The Boys, ela trazia mais uma das conspirações políticas da Vought Internacional colocando o grupo de Billy Bruto em colisão com o devasso evento.

ESCALA MUITO MAIOR

Painel de Herogasm
Dynamite Entertainment/Divulgação

A principal diferença entre o Herogasm da TV e o das páginas fica evidente já no primeiro painel da HQ. A edição inicial da minissérie abre com um discurso solene do Capitão Pátria, onde o herói explica que o retorno da temida raça alienígena Maith'Rai prontificou uma resposta emergencial de união de todos os Supers da Terra (incluindo até alguns vilões), os invocando para uma grande batalha espacial e os tirando do planeta por tempo indeterminado. Em seguida, é revelado por imagens de uma isolada ilha nas Bahamas que todo o grupo estava apenas indo de encontro a centenas de profissionais do sexo, para uma longa semana de orgias e outros excessos — tudo bancado pela Vought.

Conforme os Supers chegam e, bem, “se acomodam”, rostos familiares começam a dar as caras na festa. Conversando com Maeve, Luz Estrela descobre que o Herogasm acontece anualmente: sempre que todos os heróis anunciam publicamente que irão se reunir para enfrentar uma grande ameaça, eles na realidade escapam para os deleites e delírios da super-orgia. A mentira, como a heroína veterana explica, é mais um dos muitos artifícios de Relações Públicas da Vought, porque "as pessoas ficam loucas quando nos reunimos, é como o Oscar".

CAPITÃO PÁTRIA E SOLDIER BOY

Painel de Herogasm
Dynamite Entertainment/Divulgação

O papel do Capitão Pátria no material-fonte também não poderia ser mais diferente. Na HQ, o principal herói da Vought é promotor e também a maior autoridade entre todos os foliões do Herogasm, supervisionando a farra como um policial festeiro e tirando o maior proveito do domínio que exerce sobre seus iguais. Grande sinalizador dessa diferença é o que ele faz com Soldier Boy. Bem diferente do que vemos na série, onde ambos invadem a reunião e se enfrentam, aqui eles não só participam dela desde o início como também transam em uma suíte presidencial do hotel de luxo que a abriga. Ainda assim, o Capitão Pátria não sai muito feliz: aparentemente, o colega de capa não dá conta do recado.

Logo, é revelado que o propósito da transa é mais objetivo do que puro tesão. Cansado do supergrupo Payback (ou Revanche), Soldier Boy quer uma vaga nos Sete, mas anualmente o Capitão Pátria o obriga a satisfazê-lo como um teste de admissão, no qual ele sempre é reprovado. Bem diferente do que foi visto na série, o Payback dos quadrinhos não é um antecessor do grupo de Pátria, mas um concorrente por popularidade. Com Stormfront (aqui, um homem, mas ainda nazista) disputando o poder com Soldier Boy (muito mais fraco e menos respeitado que na TV), o supergrupo parece em crise — algo que a chefia da Vought quer explorar na luta contra o grupo liberado por Billy Bruto.

JAMES STILLWELL

Painel de Herogasm
Dynamite Entertainment/Divulgação

Reimaginado como Madeleine Stillwell (Elizabeth Shue) para a série de TV, James Stillwell é um dos principais executivos da Vought e o grande representante da empresa, na trama da HQ. Com um comportamento muito similar ao de Stan Edgar (Giancarlo Esposito), é ele quem move os fios nos bastidores que não só sustentam o Herogasm, mas também o instrumentalizam em uma conspiração para aumentar o poderio da companhia junto ao governo dos Estados Unidos. É justamente essa tramoia que faz com que Billy Bruto, Hughie, Leitinho da Mamãe, Francês e A Fêmea (Kimiko, vivida por Karen Fukuhara, na série de TV) também deem as caras no Herogasm; eles querem entender o que está acontecendo.

Tudo gira em torno do vice-presidente dos Estados Unidos, Victor Neuman; secretamente, o CEO da Vought. Muito diferente da personagem ardilosa, poderosa e manipuladora que Claudia Doumit interpreta na série, ele é um enorme imbecil desprovido de poderes, totalmente manipulado pela diretoria da empresa que apenas teoricamente comanda. Convidado a participar do Herogasm como forma de dourar a pílula, antes que Stillwell o recrute para seu mais novo plano, ele é o grande foco da investigação de Bruto e seus colegas, e um enorme incômodo para os Supers que só querem furunfar na tranquilidade.

BIZARRICES

Painel de Herogasm
Dynamite Entertainment/Divulgação

Além dessa trama bem diferente da vista na telinha, o Herogasm das páginas também traz bizarrices que divergem da salsicha do amor, do leitinho para o Leitinho (Laz Alonso) e até do Profundo (Chace Crawford) e seu amor por criaturas marinhas. Supers fumando fetos secos em pó, injetando drogas misturadas com muco genital, Black Noir estuprando Hughie com o polegar e zoofilia são alguns dos excessos inadaptáveis para a TV que vemos na HQ. Além disso, há também bastante morte, já que Capitão Pátria destrói sem nenhum motivo aparente um boeing cheio de gente, usando sua visão de calor. Ao menos a ideia do herói Cupim entrar nas cavidades das pessoas aparece nas duas mídias (na TV, inclusive, isso aconteceu tanto no Herogasm,quanto na estreia da terceira temporada).

O que é totalmente exclusivo às páginas é o divertido “Supies”; basicamente, a versão da Vought Internacional de um Oscar para Supers. Em meio a discursos chatos (e ocasionalmente racistas) de mascarados veteranos com problemas na bexiga, o evento-dentro-de-um-evento oferece um palco que o Capitão Pátria tenta usar para instigar mais heróis a mergulharem no mesmo caminho de degradação mental e psicológica que ele começa a percorrer. Se ainda não existe na série, esse momento ao menos inspirou algumas das vezes em que o personagem vivido por Antony Starr falou diretamente com o público americano, deixando claras sua noção de superioridade e sua instabilidade mental.

Criada por Eric Kripke, The Boys atualmente está em sua terceira temporada, composta por 8 episódios, com atualizações todas as sextas-feiras. A primeira temporada de The Boys: Diabolical, derivado de animação, também já está disponível na plataforma.

Vale lembrar também que o Prime Video já oficializou a renovação da série para sua 4ª temporada.

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