The Boys (Prime Video/Divulgação)

Créditos da imagem: The Boys (Prime Video/Divulgação)

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Herogasm foi só contexto para o episódio mais explosivo de The Boys

Em capítulo recheado de confrontos e expectativas, terceira temporada bagunça o tabuleiro de personagens

Omelete
4 min de leitura
Julia Sabbaga
23.06.2022, às 23H30
ATUALIZADA EM 24.06.2022, ÀS 10H30
ATUALIZADA EM 24.06.2022, ÀS 10H30

Foram meses de expectativa para o que viria no sexto episódio da terceira temporada de The Boys, o prometido capítulo que entregaria a “cena mais absurda” da TV: o herogasm, conhecido também como a orgia de heróis. Retirada das páginas de Garth Ennis - mas de forma bem diferente das HQs - o evento retratado no capítulo “Herogasm” finalmente entregou o que o criador Eric Kripke prometeu, mas no fim das contas a orgia era só um pano de fundo para o que foi o maior episódio da temporada. 

Isso é porque o herogasm pode ter sido divulgado, prometido e anunciado como “a cena mais louca” de The Boys, mas essa conversa começou pouco mais de um ano atrás, quando a produção divulgou a inclusão da orgia no novo ano da série. Acontece que neste mesmo episódio alguns dos maiores acontecimentos de The Boys também se desenvolvem, em movimentos que retomam até assuntos não resolvidos desde o primeiro episódio da série. Entre encontros de Trem-Bala e Hughie, jogos abertos de Victoria Neuman e um discurso importante do Capitão Pátria consigo mesmo, The Boys fez do sexto episódio da temporada o que o penúltimo do segundo ano havia feito - preparou para o fim com embates explosivos. 

Começando com a melhor das tiradas com o mundo real - o vídeo à la Gal Gadot do Profundo - o mais novo episódio parte da descoberta dos Sete de que Soldier Boy está de volta, surpresa que faz com que Capitão Pátria se sinta ameaçado e conte com o apoio de Black Noir. Aqui a terceira temporada faz mais um movimento de se inclinar em Diabolical, coleção de animações que nos forneceu uma das primeiras histórias “heróicas” de Pátria, e sua parceria com Noir. O misterioso membro dos Sete, no entanto, têm intenções misteriosas, e parte para uma missão individual. 

É nesse contexto que Antony Starr tem sua chance de brilhar mais. Em um movimento cada vez mais intenso de testar os limites do Capitão Pátria, a terceira temporada tem entregado mais espaço para a interpretação do ator, e no sexto episódio sua prova final vem em um formato clássico. Se apoiando mais em sua vulnerabilidade do que em seu “olhar de mau”, Starr entra na lista que inclui nomes como Gollum e o Duende Verde, entregando mais uma cena icônica de um vilão que conversa consigo mesmo. O momento poderia ser o destaque principal do episódio, se “Herogasm” não continuasse em uma jornada intensa durante todos seus 59 minutos. 

Enquanto Luz-Estrela e Leitinho se unem como os membros mais íntegros - e Marvin finalmente revela seu passado e trauma com Soldier Boy -, Francês e Kimiko sofrem como capturados pelo time de Nina, e o personagem de Jensen Ackles se revela completamente pela primeira vez, entendendo a modernidade e se relacionando com Hughie enquanto espera sua missão. Aqui, The Boys segue na esperta insistência de inserir Hughie como o maior exemplo do tema da terceira temporada: a fragilidade masculina, refletida em todo o seu arco com Annie.

Luz-Estrela, inclusive, tem uma das cenas mais surpreendentes do episódio, em uma conversa reveladora com Victoria Neuman. A interação, que abre o jogo mas leva a poucos lugares (pelo menos até agora), serve para empurrar a heroína ainda mais para seu caminho por justiça. Na torre da Vought, ao mesmo tempo, Trem-Bala também sofre sua reviravolta, finalmente pedindo por reparações pelo escândalo racista de Blue Hawk e recebendo um grande não de resposta da Ashley. Em outra vertente do episódio, Kimiko e Francês passam por um sufoco que quase leva Fêmea de nós. 

O ápice do episódio, no entanto, chega no que foi prometido como embate desde o começo, e quando digo isso não falo apenas da terceira temporada. O herogasm foi sim a orgia de heróis prometida (talvez, no entanto, prejudicada pelo hype absurdo criado pela produção), mas sua relevância está menos em cenas explícitas de sexo e fluidos e mais em embates paralelos. Este é o terreno para o confronto entre Bruto e Homelander, e Soldier Boy e o líder dos sete, além de trazer momentos históricos para Hughie e sua principal motivação em ir atrás dos supers. Enquanto grande parte de tudo isso é muscular, o principal efeito nos nossos rapazes é a quebra de confiança que é causada na relação entre Marvin e Billy. 

São algumas mortes e diversos confrontos que levam ao final mais arrebatador de episódio da terceira temporada. “Herogasm” termina com uma reviravolta que chacoalha completamente o tabuleiro que até agora se formava. E com novas parcerias promissoras e conflitos ainda sem possibilidade de resolução, The Boys parte para a reta final de temporada com uma imprevisibilidade sem precedentes. 

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