Entenda como Caleb se tornou o centro do plano de Dolores em Westworld

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Entenda como Caleb se tornou o centro do plano de Dolores em Westworld

Mesmo sem aparecer em episódio recente, personagem de Aaron Paul pode ser a chave do plano de Dolores

Camila Sousa
20.04.2020
01h03
Atualizada em
20.04.2020
01h14
Atualizada em 20.04.2020 às 01h14

Westworld está chegando à conclusão de sua terceira temporada e colocou Caleb (Aaron Paul) como chave do plano futuro de Dolores (Evan Rachel Wood).

[Spoilers de “Decoherence” abaixo]

Curiosamente, o personagem não deu as caras em “Decoherence”, o sexto episódio que foi exibido esta semana, mas os acontecimentos ao seu redor e o teaser do próximo episódio indicam quais são os planos de Dolores para o personagem.

O capítulo mais recente preparou o tabuleiro para o confronto final entre Dolores e Maeve (Thandie Newton). Em uma conversa sincera, a ex-comandante do bordel Mariposa deixa claro que não queria tal disputa, mas não pode deixar para trás a ideia de que Dolores ainda pode representar algum perigo para os anfitriões enviados para o Além do Vale - incluindo sua filha.

Só que, no mundo real, Dolores faz uma jogada certeira contra Maeve, que tinha acabado de reencontrar seu amado Hector (Rodrigo Santoro). Na pele de Charlotte, a protagonista destrói a pérola de Hector, o eliminando para sempre e isso agora representa um perigo para Caleb.

Antes de perder Hector, Maeve implorou para que Dolores não fizesse isso, mas a anfitriã que está no mundo real considerou que precisava acabar com os reforços de sua “inimiga”. A perda para Maeve foi forte e agora ela tem um motivo pessoal para lutar contra Dolores, além de sua “parceria” com Serac (Vincent Cassel). Caleb não é, pelo menos até agora, um interesse amoroso de Dolores, mas é alguém importante em sua vida e não será surpresa se, em sua ânsia de vingança, Maeve for com todas as forças contra ele.

Além disso, há algumas pistas no teaser do próximo episódio sobre como a história de Caleb é importante. Na prévia, cenas do passado do personagem são mostradas, enquanto Maeve parece conversar com Dolores sobre homens de seu passado. Ao fim do vídeo, a protagonista pede que o personagem de Aaron Paul seja um líder e olha melancolicamente para ele, como se passasse o bastão de sua missão. É quase como se Dolores tivesse certeza de sua morte e estivesse preparando Caleb para o “novo mundo” que ela tanto imagina.

William e a crueldade humana

Um dos assuntos mais falados em Westworld é a natureza da humanidade e o que significa, de fato, ser uma pessoa. E isso é trazido no episódio “Passed Pawn” em dois momentos muito intensos. O primeiro é com a figura de William (Ed Harris). Levado para uma instituição que faz testes com seus pacientes, o personagem se vê, literalmente, diante de todas as suas versões.

A sequência é impressionante na parte estética, ao colocar todos os Williams lado a lado em suas diferentes fases, e também em sua essência. Harris faz um trabalho incrível ao mostrar as fragilidades de seu personagem, especialmente quando ele volta à infância para algo que jamais quis admitir: a violência e a raiva são partes de sua natureza desde sempre. Assim como qualquer humano, William reluta e sofre ao ficar frente à frente com a verdade sobre si. Porém, ainda que seja dolorosa, a verdade também é libertadora.

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Sem ter medo de mostrar a violência (até aquela implícita contra uma criança, algo retomado no episódio), Westworld mostra William derrotando todas as versões de seu passado, batendo e acabando com elas fisicamente, incluindo aqui o Homem de Preto, que morreu no dia em que matou a própria filha. Ainda há dúvidas sobre qual William sobrará depois disso. Ele se intitulou como um dos “bonzinhos”, mas resta saber por qual ponto de vista.

O tema da natureza humana é retomado na sequência final, possivelmente uma das mais impactantes da série até aqui. Começando a ter sua própria consciência, Charlotte (Tessa Thompson) ajuda no plano de Dolores até o fim, mas a verdade é que ela quer ter uma vida comum para si própria, ao lado de pessoas reais. Mas isso é tirado dela quando seu carro de fuga é explodido, matando também o ex-companheiro de Charlotte e seu filho (a já citada violência contra criança).

Relembrando o cartaz da temporada, Charlotte sai carbonizada, mas ainda funcionando, do carro e olha para trás sabendo que as duas pessoas com as quais ela se conectou estão mortas. Mostrar um funcionário de Serac ao fundo, possivelmente o responsável pela explosão, traz mais uma vez a dualidade entre os humanos: há aqueles que são bons, como a inocente criança assustada dentro do carro, e há aqueles que não medem consequências. A partir de agora, a Charlotte/Dolores pode tanto se revoltar com sua criadora, a responsável por levá-la a este mundo de sofrimento, ou com os humanos, que lhe tiraram algo tão precioso.

“Decoherence” continua o acerto da semana anterior em Westworld. Apesar de um começo de temporada fora do eixo, a série voltou aos trilhos ao mostrar as fragilidades e acertos de seus personagens em meio à tantas perdas. Com apenas dois episódios para o fim, a produção promete um encerramento grandioso e melancólico.

No Brasil, Westworld é transmitida aos domingos pela HBO, e os episódios inéditos também entram no catálogo do streaming HBO Go.

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