The Mandalorian, série live-action de Star Wars no Disney+

Créditos da imagem: The Mandalorian/Disney+/Divulgação

Séries e TV

Artigo

Como a televisão é o futuro de Star Wars

Com vários projetos de séries em desenvolvimento, franquia pode triunfar fora das salas de cinema

Arthur Eloi
04.05.2020
15h27

As comemorações do Star Wars Day 2020 são um pouco diferentes dos anos anteriores. Além de não haver muitos detalhes concretos sobre os próximos grandes filmes da franquia, os três últimos títulos a chegarem nas telonas - Han Solo, Os Últimos Jedi e A Ascensão Skywalker - foram bastante controversos. É certo que a Disney planeja mudar sua abordagem ao universo espacial, mas isso não acontecerá nas salas de cinema, mas sim nas telas da televisão.

A expansão midiática de Star Wars é impressionante, mas não é segredo que a TV sempre foi considerada como secundária. As reviravoltas e eventos importantes aconteciam nos livros e nas HQs, mas não nas animações. No entanto, Iisso não impediu que Dave Filoni conquistasse legiões de fãs aos desenvolver boas histórias entre as lacunas dos filmes. Com Clone Wars e Rebels, o produtor e roteirista desenvolveu personagens já conhecidos, como Darth Maul, Anakin e Obi-Wan, e também introduziu novos, como Ahsoka Tano.

O trabalho de Filoni, mesmo sem o prestígio de filmes live-action, foi vital para mostrar à Disney que há muito potencial em séries de qualidade de Star Wars já, que antes da sua chegada, a maior associação da franquia com o meio era um desastroso especial de natal. É aí que entra The Mandalorian.

A criação de Filoni com o diretor Jon Favreau (Homem de Ferro) teve a sorte de chegar com baixas expectativas do público, e bem no momento crítico em que os três filmes já citados despertavam acaloradas discussões na base de fãs. O seriado, que marcou a estreia live-action de Star Wars na TV, foi muito bem recebido ao trazer um tom de faroeste à saga espacial que, ao mesmo tempo, era bastante fiel ao da trilogia original. Após décadas demonstrando a força do modelo episódico, Filoni conseguiu se provar com o primeiro sucesso de peso do Disney+, tão inesperado para a empresa que o streaming até passou a perder assinantes por não ter nada planejado após a primeira temporada do programa.

Com a crítica e espectadores rasgando elogios para The Mandalorian, ao mesmo tempo que A Ascensão Skywalker gerava brigas, a Disney enfim entendeu a mensagem. “A prioridade nos próximos anos está na televisão”, afirmou o presidente Bob Iger sobre o futuro de Star Wars. A decisão não só é animadora, como também faz muito sentido.

A TV pode acertar onde os filmes decepcionaram

Vale observar a infame tríade de Solo, Últimos Jedi e Ascensão Skywalker. Enquanto cada um teve seus altos e baixos, é possível ver alguns problemas em comum entre os três. São filmes que não só tiveram problemas com diretores autorais, que não conseguiram mostrar seu estilo, mas que também sofreram ao tentar experimentar novos rumos com ícones da franquia, ao mesmo tempo que executavam a tarefa de serem blockbusters bombásticos e divertidos.

Duas horas é pouco tempo para revisitar o legado de mais de 40 anos do contrabandista vivido por Harrison Ford. Três horas não é o suficiente para mudar todas as regras conhecidas da Força como fez O Último Jedi, ainda mais sendo o capítulo do meio de uma trilogia. Para decisões arriscadas e maior variação de estética, é preciso de mais tempo, desenvolvimento de personagens e planejamento, características que são base de toda boa série de TV.

Além disso, como produções televisivas geralmente são mais baratas que as de cinema, há menos expectativas do estúdio para que os seriados dialoguem com todo mundo, o que cria arte menos polida e mais autêntica. The Mandalorian tem sim seu apelo universal (o Bebê Yoda), mas não são todos que gostam o ritmo mais arrastado e menos explosivo de um faroeste. Integrar o catálogo de um streaming, como o Disney+, também tira a pressão de performar bem na estreia, já que o programa fica disponível a todo momento.

A televisão é perfeita para Star Wars, já que pode explorar mais períodos do vasto universo, com mais variedade de cineastas por trás das câmeras. Se fosse no cinema, por exemplo, a Disney talvez pensasse muitas vezes antes de aprovar algo sobre o passado de Cassian Andor (Diego Luna), de Rogue One, ou sequer chamaria Leslye Headland (Boneca Russa) para fazer uma obra estrelada apenas por mulheres, ambientada em outro canto da galáxia tão, tão distante. Até mesmo Obi-Wan de Ewan McGregor, que é um personagem querido do público, não teve facilidade para ter um filme aprovado durante todos esses anos (especialmente após o fracasso de Solo).

Ter produções de criadores diversos é benéfico para todos, inclusive para a Disney. Não só há mais conteúdo para vender ao público, como também a empresa pode usar o baixo risco e investimento do meio para “testar” quais cineastas puxar para os grandes filmes. É o caso de Taika Waititi, que dirigiu o finale de The Mandalorian em 2019 e, agora, ganhou as chaves para pilotar um longa da saga.

Por mais que Star Wars seja um marco do cinema, e um excelente evento para reunir os fãs e amigos na frente da telona, o futuro imediato da franquia brilha muito mais forte na televisão. A Disney já entendeu isso, e os próximos anos - e séries - devem deixar isso claro para todos.

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