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Música

Lista

Melhores álbuns de rock da última década

Confira as escolhas da redação do Omelete

A cozinha
08.07.2020
10h57

O rock é um estilo musical que está passando por diversas transformações. Se antes o gênero era sinônimo de rebeldia adolescente, hoje há outros estilos que ocupam esse posto, deixando o rock em uma crise de identidade entre o passado e o futuro. 

Ainda assim, o rock segue se reiventando e integrando subgêneros, como o emo, por exemplo, altamente zoado nos anos 2000 (embora já existisse muito antes), mas que hoje ocupa um posto importante como a expressão de uma geração. Dessa forma, o gênero segue vivo e marcando o coração dos fãs.

Para celebrar o Mês do Rock, o Omelete elege abaixo os melhores álbuns de rock da última década, segundo a redação. Confira!

Camila Sousa: The Killers - Battle Born (2012)

Costumo dizer que o The Killers é uma banda que acompanha várias fases da minha vida. Nas épocas de Hot Fuss e Sam’s Town (pulei Day & Age), aquelas músicas faziam sentido pra mim. E isso continuou em 2012, com o lançamento de Battle Born.

O The Killers amadureceu ao lançar um álbum dançante e, ao mesmo tempo, melancólico sobre relacionamentos, algo que conversou (e ainda conversa muito) com uma Camila mais madura. Brandon Flowers canta sobre o amor de uma forma única em músicas como “Runaways”, “Here With Me” e a incrível “Miss Atomic Bomb” e também fala de outras relações - dessa vez as familiares - com “Deadlines And Commitments”. A sonoridade do The Killers não agrada a todos, mas não há como negar que a banda segue como uma das mais sólidas do rock atualmente.

Julia Sabbaga: Ghost - Infestissumam (2013)

Quando pensamos em fazer essa lista do melhores álbuns de rock da década, meu pensamento foi rapidamente para o Ghost, para mim a melhor banda do gênero que apareceu nos últimos anos. Agora a questão era escolher o melhor do grupo e a tarefa não foi fácil. Eu tenho a sensação de que Ghost fica melhor a cada álbum, mas no fim das contas, quando precisa escolher um só para a década inteira, vou com o disco que me fez me apaixonar por eles, Infestissumam.

Lembro de assistir o clipe de "Monstrance Clock" (a melhor música de rock da década será?) abismada com a qualidade de tudo aquilo, e ir atrás do álbum, me apaixonando não só pelo maravilhoso single "Year Zero" como por cada uma das faixas (com um amor especial por "Jigolo Har Meggido"). Ghost deu uma refrescada necessária no rock, com uma ousadia que não se via há tempos e uma sonoridade totalmente única, porque é impossível ouvir uma música do Ghost e não perceber que é Ghost.

Mariana Canhisares: The Black Keys - El Camino (2011)

O sétimo álbum de estúdio do Black Keys - e meu primeiro contato com a banda - certamente foi um dos discos que eu mais ouvi na última década. No início, Dan Auerbach e Patrick Carney me ganharam na dançante "Lonely Boy". Depois, pela melancolia inicial de "Little Black Submarines" e sua empolgante virada no meio da faixa. Eventualmente, todas as músicas conquistaram um espaço no meu coração e, agora, não consigo deixar de acompanhar a trajetória do duo.

Por causa do El Camino, fui atrás da discografia da banda e me apaixonei por Brothers e Turn Blue, ambos lançamentos dessa década que valem a pena conhecer. A única consequência negativa é que até hoje não consegui superar que não os vi ao vivo no Lollapalooza. Quem sabe um dia?

Gabriel Ávila: Dead Fish - Ponto Cego (2019)

Não é de hoje que o Dead Fish atingiu o patamar de uma das mais importantes bandas do rock brasileiro, e muito se deve à forma crua com que o grupo retrata a realidade do país em suas letras. Não é de se espantar então que Ponto Cego, seu oitavo álbum de estúdio, tenha se inspirado no crescente clima de tensão instaurado no país nos últimos anos. Ao longo de 14 canções, o disco trata de temas como fake news, privilégios, opressão e fascismo em canções acompanhadas de um elogiado instrumental característico da banda.

A diversidade encontrada em canções como “Pobres Cachorros”, “Sombras da Caverna”, “Messias” e “Descendo as Escadas” mostra uma evolução na trajetória da banda capixaba que já somava 28 anos de carreira quando Ponto Cego chegou às plataformas.

Fã de longa data da banda, eu meio que sabia o que esperar do disco, mas poucas vezes fui fisgado tão rápido quanto nesse aqui. Passando mensagens necessárias de forma pouco óbvia, o álbum renovou meu fascínio pela banda e a esperança de que esse momento caótico não vai durar para sempre. É triste que o Brasil ainda inspire denúncias como essas, mas é bom ter o Dead Fish para cantá-las.

Nicolaos Garófalo: Foo Fighters - Wasting Light (2011)

Meu disco favorito do Foo Fighters e um dos poucos álbuns que eu ouço sem pular nenhuma faixa, Wasting Light é praticamente sem defeitos. As músicas passam por vários sub-gêneros diferentes, como grunge em de "Arlandria" e o metal de "White Limo", e estabelecem de vez Dave Grohl como o principal hit-maker do rock dos últimos 20 anos.

Juliana Melguiso: Fall Out Boy - American Beauty/American Psycho (2015)

American Beauty/American Psycho é um álbum bem audacioso para uma banda que marcou toda uma "geração emo". Bem diferente de seu início de carreira, a banda mistura o lado "emotivo" do pop-punk com músicas mais dançantes, o que pode desagradar os fãs mais nostálgicos.

Ainda assim, o Fall Out Boy mostra que mudanças são bem-vindas se não perder a sua essência, abrindo espaço para uma nova geração de fãs e nos conquistando mais uma vez com a voz marcante de Patrick Stump. (Mas From Under the Cork Tree, de 2005, ainda é muito melhor...)

Marcelo Hessel: St. Vincent - St. Vincent (2014)

Votado por diversos prêmios como o melhor álbum daquele ano, o disco que leva o nome artístico da cantora Anne Erin Clark é até hoje seu trabalho mais bem acabado e colocou de fato St. Vincent no epicentro das tendências do rock na última década. Como Fiona Apple, ela traz a força das letras e dos vocais rasgados. Como o Arcade Fire ou sua ex-banda Polyphonic Spree, sabe fazer um som quase religioso de coro e catarse de arena. E a exemplo de Nick Cave, The National e outros nomes fortes deste século, St. Vincent faz sua guitarra chorar como ninguém em variações muito seguras entre melodia e fúria para a lista dos albuns do ano!