Johnny Cage em Mortal Kombat 11

Créditos da imagem: Mortal Kombat 11/NetherRealm/Divulgação

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Mortal Kombat | Afinal, por que Johnny Cage não está no novo filme?

No set, produtor garantiu ao Omelete que o personagem existe no universo do longa e explicou o processo de escolher quais lutadores darão as caras na telona

Arthur Eloi
10.03.2021
15h00

Pela ação intensa e pelo visual fiel aos jogos, o primeiro trailer de Mortal Kombat foi colírio para os olhos cansados de décadas de adaptações de games feitas nas coxas. Mas a euforia inicial foi passando e logo uma questão surgiu na mente dos fãs: por que raios Johnny Cage, um dos mais marcantes personagens da franquia, não está no filme?

Há quase dois anos, em 2019, a mesma questão era colocada pelo Omelete e pelos demais jornalistas convidados pela Warner Bros. para visitar os bastidores da produção em Adelaide, na Austrália. Ainda que nomes como Sub-Zero e Scorpion tenham deixado uma marca maior na indústria dos games, Johnny Cage é literalmente a razão pela qual Mortal Kombat existe, visto que, nos anos 1990, a ideia da Midway era fazer um jogo de luta estrelado por Jean-Claude Van Damme. Quando as negociações falharam, os desenvolvedores simplesmente refizeram o projeto, no que viria a se tornar o clássico dos arcades. O primeiro lutador foi Cage, um ator de Hollywood com visual e golpes muito parecidos com Van Damme em Kickboxer - O Desafio do Dragão (1989) - com direito a espacate e até mesmo soco nas partes íntimas.

Ao longo dos anos, Johnny Cage só cresceu em popularidade. No filme de 1995, dirigido por Paul W.S. Anderson, ganhou personalidade de um ator mimado e bastante fanfarrão, com carisma que influenciou até sua encarnação nos games. Já a partir de 2011, com o novo jogo da franquia, o personagem foi elevado ao patamar dos protagonista, e passou a ser parte central da narrativa, especialmente por seu romance com Sonya Blade e, no caso de Mortal Kombat X (2015), a adição da filha do casal, Cassie Cage.

Considerando que a visita ao set ocorreu em 2019, meses após o lançamento de Mortal Kombat 11, em que Cage é o protagonista da jornada, sua ausência no longa não fazia sentido. Sem respostas aparentes, uma teoria que começou a correr entre os jornalistas era de que o estúdio temia repercussões negativas. A personalidade inflamada de Cage, que fala sem filtro, faz piadas com tudo e é um egomaníaco, poderia soar um pouco complicada se executada sem cuidado. Falando com o produtor Todd Garner, porém, ficou claro que a ausência do personagem se dá pelo tom desejado pelos cineastas, e o público-alvo da adaptação.

Sentado na tenda do diretor entre takes de uma cena de ação, Garner tocou o papo com muito carisma, bom humor e honestidade. O produtor deixa claro que um dos maiores desafios de Mortal Kombat é agradar os fãs sem se render ao excesso de referências, algo que pode alienar o público novato. Foi isso que motivou a criação de Cole Young (Lewis Tan) que, nas palavras de Garner, serve como os olhos do público que nunca encostou nos jogos antes, e também ajudou a definir quais personagens estarão no projeto. “Queríamos um protagonista neutro, que deixasse possibilidades em aberto para conhecer o resto do elenco. É impossível ter os lutadores favoritos de todo mundo. Tentamos encontrar os personagens certos de forma inteligente. Nosso processo de escolha foi descobrir se eles realmente se encaixam no filme, ou se seriam apenas aparições gratuitas."

Essa busca pelo elenco correto de lutadores dos games foi uma das primeiras tarefas da produção, ao ponto de só haverem cortes na fase de pré-produção. "Só cortamos personagens nos estágios iniciais”, garante Garner. “Rain, por exemplo, esteve em uma das versões por um tempo, mas como o Reptile já fazia a mesma função que ele, nós o tiramos do filme."

Onde Johnny Cage se encaixa nisso? Segundo o produtor, o problema foi que o jeito absurdo do personagem não cabia na abordagem introdutória do filme. Tocando diretamente na questão, Garner compara com o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) para dizer que nem tudo pode ser apresentado numa tacada só, e que algumas surpresas só podem ser entregues depois que os espectadores já sabem como as coisas funcionam em determinado universo fictício. “Quando fomos discutir a abordagem, olhamos para o que a Marvel estava fazendo no cinema. Como os Vingadores se reuniram? Começou com um personagem - o Homem de Ferro -, que foi como um ponto de entrada, e cresceu até chegar nos Vingadores, em vez de já começar a partir disso.”

Mesmo anos antes da prévia ser lançada na internet, Todd Garner já antecipava que Cage faria falta. Aos risos, o produtor diz que seu sonho é fazer um filme-solo do personagem, mas que os cineastas precisam conquistar a confiança do público primeiro, e estabelecer a voz do projeto antes de ter alguém piadista como o ator-lutador. "Em termos de tom, não haverá ninguém reclamando por um par de óculos de US$ 500 - pelo menos, não por enquanto”, brinca sobre uma das cenas do filme de 1995, em que Johnny Cage (Linden Ashby) enfrenta Goro. “Ainda que Kano chegue perto, não estamos querendo ir para um lado de humor galhofa."

Por fim, ele reconhece o carinho dos fãs, e aquece para a possibilidade da aparição de Johnny Cage numa sequência, ou em easter eggs. "Acredite, ficou MUITO claro para mim o quanto as pessoas amam Johnny Cage”, diz Garner. “Escolhas do tipo são muito complicadas, mas sim, eu prometo que o Johnny Cage existe nesse universo de Mortal Kombat."

A estreia de Mortal Kombat nos cinemas brasileiros está marcada para 15 de abril. Até lá, fique ligado no Omelete para saber todos os segredos do set do novo filme!

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