Loki tenta encontrar seu ritmo em 2º episódio irregular, mas divertido

Créditos da imagem: Reprodução

Séries e TV

Artigo

Loki tenta encontrar seu ritmo em 2º episódio irregular, mas divertido

Após estreia brilhante, série vacila, mas promete temporada bombástica

Caio Coletti
16.06.2021
04h00
Atualizada em
16.06.2021
08h21
Atualizada em 16.06.2021 às 08h21

Segundos episódios são sempre difíceis. Tradicionalmente, é neles que séries tentam estebelecer a forma como as coisas serão a longo prazo, o que pode gerar problemas de ritmo e quebrar as expectativas do espectador, já acostumado com o ritmo do piloto.

Mas pilotos, é claro, são especiais, exatamente porque podem se preocupar mais com a construção da premissa e o investimento emocional nos personagens - como fez o (excelente) episódio de estreia de Loki, inclusive. A série da Marvel tampouco é exceção, portanto, quando se trata dos problemas que um segundo capítulo pode trazer.

Livre da novidade do predecessor, o capítulo lançado hoje (16) pelo Disney+ se apoia um pouco demais no humor e na boa dinâmica entre os protagonistas Tom HiddlestonOwen Wilson para carregar a história até o seu próximo ponto de virada, uma cena final impactante que promete grandes revelações e confrontos bombásticos para o restante da série.

Aqui, reencontramos Loki (Hiddleston) um pouco mais confortável na posição de agente "honorário" da AVT (Autoridade de Variação Temporal), embora os conflitos entre o agente Mobius (Wilson) e sua chefe, Ravonna Renslayer (Gugu Mbatha-Raw) continuem, em grande parte por causa dele. O roteiro de Michael Waldron parece mais confortável com o humor do que na estreia, brincando de maneira esperta com a inserção de Loki, um agente do caos por natureza, no ambiente burocrático da Autoridade.

O episódio também tenta balancear o lado detetivesco da trama com a faceta aventureira natural do MCU. Para cada diálogo saboroso entre Loki e Mobius, recitado enquanto eles investigam uma montanha de papelada para encontrar o paradeiro de sua Variante fujona, Waldron inclui também uma viagem no tempo inegavelmente divertida. A visita dos dois a Pompeia, minutos antes de a cidade ser destruída pela erupção do Vesúvio, é o destaque óbvio.

Reprodução

Loki e Mobius são mesmo uma dupla boa, assim como Hiddleston e Wilson. O roteiro do episódio cria com os dois uma relação que é ao mesmo tempo desconfortavelmente paternal (Mobius é uma nova chance para Loki provar o seu valor a alguém, afinal) e agradavelmente amigável. Aqui, eles trocam filosofias de vida na hora do almoço e chegam à conclusão de que "a existência é um caos" e as coisas nas quais acreditamos são reais simplesmente por acreditarmos nelas.

É bacana, como no primeiro episódio, que a série se dê tempo para esse tipo de cena, mas Loki ainda precisa encontrar o calibre correto de seu ritmo e a densidade certeira do seu texto para prender o espectador, ou pode facilmente se transformar em um procedural desgastante, um C.S.I com superpoderes.

Como ficou claro já no primeiro capítulo, também, as cenas de ação não serão o forte da série. Neste segundo episódio, a diretora Kate Herron coordena sem muito impacto um par de momentos de adrenalina, derrapando especialmente na fotografia e ritmo caóticos do confronto de Loki com a tal Variante vilanesca, que forma a espinha dorsal do final do episódio.

Com sorte, os desdobramentos deste final serão o bastante para eliminar o risco de Loki cair no marasmo.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.