Séries e TV

Artigo

Falcão e o Soldado Invernal amarra tramas e se prepara para finale grandioso

Penúltimo capítulo da temporada retomou discussões raciais e sutilmente ligou a série a outra produção do MCU

Gabriel Avila
16.04.2021
12h15
Atualizada em
16.04.2021
15h30
Atualizada em 16.04.2021 às 15h30

[Cuidado com spoilers do penúltimo episódio de Falcão e o Soldado Invernal]

Chegando na reta final de sua temporada, Falcão e o Soldado Invernal tomou a curiosa decisão de encerrar certos arcos principais no penúltimo episódio. Lançado nesta sexta-feira (16), “Verdade” amarrou algumas das várias pontas deixadas em aberto ao longo dos capítulos anteriores. O maior deles é a decisão de Sam Wilson em, enfim, aceitar o manto de Capitão América - não sem antes retomar a discussão racial aberta anteriormente.

O quinto episódio começa logo após os chocantes eventos que encerraram o anterior. John Walker foge desesperado e perdido até ser confrontado por Sam e Bucky, que finalmente concordaram em pegar o escudo de volta. Após um confronto que aproveita o máximo das habilidades dos personagens, com destaque para o quanto o supersoro auxiliou John a aguentar porrada, acontece o lógico: os mocinhos vencem e recuperam o artefato manchado de sangue. Essa luta inicia a jornada para que o Falcão finalmente se torne o novo Capitão.

Essa transformação fica clara logo na cena seguinte. Após uma conversa com o tenente Torres, Sam abre mão das asas do Falcão e leva o escudo consigo. Certamente abalado por enxergar o mal que esse manto pode fazer em mãos erradas, ele decide fazer algo a respeito. A próxima parada em seu trajeto não poderia ser outra se não visitar Isaiah Bradley, último homem negro a exercer o papel de Capitão América, e que sofreu consequêncais terríveis por causa disso.

Em uma conversa comovente, Bradley conta o restante de sua história para Sam Wilson em um misto de desabafo e aviso para que o amigo não trilhe o mesmo caminho de dor que ele passou antes. Assim como nos quadrinhos, a origem do personagem ecoa várias das feridas da população negra dos Estados Unidos, como o Estudo de Tuskegee, o injusto sistema prisional e o apagamento de suas histórias. Após anos de injustiças que causaram marcas profundas, é fácil entender por que ele tem uma opinião tão forte sobre por que Sam não deveria aceitar esse fardo.

É curioso que Wilson faça sua escolha não no meio de uma batalha ou de uma discussão acalorada, mas ao voltar para casa. Distante de seu lar desde o primeiro episódio, o herói se reencontra com suas raízes e ganha uma nova perspectiva sobre o bem que pode fazer - direta ou indiretamente - se escolher o escudo. Por isso o pedido de desculpas de Bucky soa tão verdadeiro, já que nem ele ou Steve poderiam imaginar o que se passa na mente e na vida do colega.

Zemo e os arcos que se fecharam antes do finale

Com tantas histórias correndo em paralelo, Falcão e o Soldado Invernal tomou a sábia decisão de não esperar o episódio final para encerrar algumas delas. A principal foi a prisão do Barão Zemo pelas Dora Milaje. O vilão, que usou Bucky Barnes para cometer assassinatos e dividir os Vingadores em Capitão América: Guerra Civil, é levado preso em um momento que sutilmente define a jornada do Soldado Invernal. Após anos com medo de não conseguir se controlar, ele toma a decisão de não matar, mostrando que seu lado assassino ficou no passado e provando isso a Zemo, que constantemente o fazia ter dúvidas sobre sua nova índole.

Outro fechamento está na relação de Sam com sua família. Após uma discussão cortante no primeiro episódio, em que sua irmã Sarah o acusa de ter se alistado no exército e seguido carreira heróica apenas para fugir, ele volta para casa e faz as pazes com ela e seu passado. É tocante a conversa em que ele cita seu lar como um lugar para proteger e ouve como resposta que ela nunca duvidou de seu comprometimento com a família. Sem saber, ela foi o ingrediente que faltava para Sam escolher o escudo.

Preparação para um final grandioso

Por outro lado, é claro que a série deixou ganchos para seu finale, que promete ser explosivo. Confirmando o esperado, John Walker perde o manto de Capitão América e sofre uma penalização pesada do governo norte-americano. Independente e poderoso, ele promete ser peça-chave no capítulo final, tanto pela cena pós-créditos, em que aparece construindo um escudo próprio, quanto pela misteriosa abordagem de Valentina Allegra de Fontaine.

Interpretada por Julia Louis-Dreyfus (Seinfeld; Veep) a misteriosa personagem parece ter planos para Walker. É de se pensar se ela, já confirmada no filme da Viúva Negra, não tem alguma ligação com Sharon Carter. Após salvar os heróis em Madripoor, a ex-Agente 13 apareceu poucas vezes e sempre envolta em mistério - com inúmeras indicações de que ela é uma das vilãs agora. Será que as duas estão ligadas? Trabalham para o Mercador do Poder? Ou simplesmente fazem parte de uma nova agência de espionagem agora que o mundo perdeu a S.H.I.E.L.D?

Perguntas e mais perguntas que ficarão para o final, que ainda vai mostrar a última cartada dos Apátridas, o retorno de Batroc, o acerto de contas entre Bucky e o senhor Nakajima e, principalmente, Sam Wilson vestindo seu novo traje. Ainda não se sabe como esse uniforme feito em Wakanda melhora as habilidades do herói, mas é certo dizer que será uma poderosa declaração de que o escudo voltou a ter dono.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.