Entenda o final de Mulher-Maravilha 1984

Créditos da imagem: Mulher-Maravilha 1984/Warner Bros. Television/Divulgação

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Entenda o final de Mulher-Maravilha 1984

Obviamente, cuidado com spoilers abaixo

Julia Sabbaga
17.12.2020
10h06
Atualizada em
17.12.2020
13h36
Atualizada em 17.12.2020 às 13h36

Se há um consenso entre as críticas já reveladas de Mulher-Maravilha 1984 é que este “é o filme que 2020 precisava”. Há um motivo bem claro para isso, e ele está no terceiro ato do filme da heroína, quando Diana Prince enfrenta os dois vilões da sequência, Barbara Minerva e Maxwell Lord. E para quem ficou confuso sobre o que exatamente se deu naquela sequência final, explicamos abaixo o que acontece no fim de Mulher-Maravilha 1984

[Obviamente, spoilers de todo o fim de Mulher-Maravilha 1984 abaixo]

Como já era esperado, os dois obstáculos para a paz do mundo em Mulher-Maravilha 1984 são os personagens de Pedro Pascal e Kristen Wiig. Pascal é Maxwell Lord, um empresário que passou anos em busca de uma pedra mágica capaz de concretizar pedidos, e faz um desejo peculiar quando finalmente a encontra: absorver os poderes da pedra, que funciona no clássico mecanismo de realizar desejos, com represálias. A pedra que Lord se torna sempre pega algo em troca, e com isso em mente, o personagem parte em uma empreitada de realizar desejos alheios e pegar o que ele quiser para si. Claro que quanto mais realiza, mais Lord é afetado pelos efeitos do elemento, e por isso o vilão precisa realizar o maior número de desejos possível. 

Barbara Minerva (Wiig), por sua vez, faz um desejo poderoso: ser como Diana. Se tornando cada vez mais confiante, a personagem acaba perdendo sua bondade e inocência e caindo nas tentações de grandiosidade de seu desejo, até reencontrar Lord e fazer mais um pedido: se tornar uma predadora Alfa. É assim que a personagem de Wiig se torna a vilã clássica dos quadrinhos, Mulher-Leopardo. O novo filme de Mulher-Maravilha segue um esquema tradicional para produções com dois vilões: um é o músculo, o outro é o cérebro. Mas uma das melhores coisas do fim do longa é que Diana não luta fisicamente com Max, e apenas com sua principal defensora, Minerva, já totalmente possuída pelo seu novo desejo, e incorporando o visual de uma felina.

O fim de Mulher-Maravilha 1984

No terceiro ato, Maxwell Lord conseguiu acesso a um satélite que transmite ao redor do globo e se transforma em um poço realizador de desejos da humanidade inteira, simultaneamente, aparecendo em todas as telas do mundo. Quando o vilão já está poderoso demais e o mundo se torna um caos absoluto, Diana se vê incapaz de lutar com Lord fisicamente e apela para o emocional. Com a transmissão ligada para o mundo inteiro, nossa heroína faz um discurso emotivo explicando a necessidade de abrir mão de seus desejos egocêntricos pelo bem da humanidade.

Durante o momento épico, vemos que Diana usou a distração megalomaníaca de Lord para enlaçá-lo com o Laço da Verdade, usando o instrumento mágico para mostrar a verdade para a humanidade inteira. Nesta sequência, ao invés de ver Lord na televisão, a humanidade testemunha a verdade em cada uma das telas que capturava a imagem do vilão. Com o mundo inteiro percebendo a consequência de suas ações, e os EUA e URSS já iniciando uma guerra nuclear que inevitavelmente acabaria com o mundo, o discurso de Diana ecoa enquanto cada um dos indivíduos percebe as consequências de suas ações e reverte seus próprios desejos. 

O próprio Lord não é exceção: prestes a testemunhar o fim do mundo, Lord se vê envolto pela luz dourada do Laço da Verdade e ouve o chamado de seu filho, Alistair, que corre perigo após as duas nações protagonistas da Guerra Fria lançarem seus mísseis. Enquanto o antagonista vai atrás do filho, a reversão de cada um dos pedidos - a começar pelo próprio presidente dos EUA - restabelece a ordem aos poucos. O belo desfecho, curiosamente, deixa os dois vilões vivos: Bárbara encarando um pôr do sol amargo após perder a batalha física contra Diana, e Lord se reencontrando com o filho. 

Existe algo particular no desfecho de Mulher-Maravilha 1984 que ecoa especialmente no ano da quarentena. A heroína, que sempre simbolizou mensagens de otimismo, humanidade e amor, protagoniza uma história que não é salva apenas por ela, mas por cada um dos seres humanos da Terra, que abre mão de seu desejo particular. Ver a humanidade inteira se unindo para um bem comum, por mais que isso signifique reverter seus pedidos individuais, é uma mensagem bonita demais e encerra o filme que realmente precisamos no ano de 2020. 

Mulher-Maravilha 1984 está em cartaz nos cinemas. 

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